A revista Brando, algo mais ou menos como a VIP do Brasil, fez uma seleção com 10 restaurantes para se comer bem e barato em Buenos Aires.
A lista ultrapassa as fronteiras da capital e cita alguns endereços de San Isidro e Vicente López, que estão na zona norte da Grande Buenos Aires.
A maioria dos lugares são bodegones tradicionais, daqueles em que a comida é farta, absurda e engordativa. Entre os citados, conheço alguns como o Club Eros de Palermo, o Lo de Mary e o La Maroma.
Veja a lista completa de restaurantes bons e baratos no Novo Aires Buenos!
segunda-feira, novembro 23, 2009
10 restaurantes bons e baratos em Buenos Aires
quarta-feira, outubro 28, 2009
La Maroma
Seguindo a dica do Barbão, fui conhecer o La Maroma, um bodegón porteño clássico que fica no bairro de Almagro. Aqui o post onde ele fala do mesmo restaurante, com muito mais propriedade e fotos.
Bodegón é uma palavra tão difícil de traduzir como boteco. Para mim significa um lugar tradicional, com comida clássica porteña, muita história e um cardápio gigante que faz você gastar uns belos minutos para escolher o que vai comer.
É preciso estar no espírito certo para ir no La Maroma. Quem busca um restaurante francês ou uma proposta gastronômica vanguardista vai achar tudo um horror. Quem quer conhecer um lugar honesto, roots e autêntico de Buenos Aires, com desenhos de estética questionável na parede e que parece parado no tempo, vai adorar.
Serve porções gigantescas e o atendimento é bem bom, se compararmos ao nível portenho de qualidade. Uma das garçonetes é brasileira, vive há 14 anos na Argentina e sinceramente acho que ela esqueceu como se fala português. Um tangueiro, ou milongueiro, passeava entre as mesas destilando seu cardápio de tangos tristes para a clientela. Quando chegou a vez de "Por una cabeza" confesso que cantei o refrão junto!
O prato pedido em questão foi a famigerada Suprema Maryland, que é uma milanesa de frango, com creme de milho, quilos de batata frita e uma banana também a milanesa acompanhando. É um espetáculo de calorias sem fim! Parece prato pra três pessoas ou pra duas com bastante fome.
Certamente voltarei!
La Maroma
Mario Bravo 584, esquina com Humahuaca - Almagro
Aqui a página do La Maroma no Guia Óleo.
quinta-feira, setembro 24, 2009
El Banderín

El Banderín não é um bar que existe para dar lucro ao seu dono. Ele parece existir pelo simples fato de estar na esquina das ruas Guardia Vieja e Billinghurts há tanto tempo que já não existe outra opção.
É um lugar pacato, antigo e cheio de causos para contar. A porta estava trancada nessa noite fria de quarta-feira e o dono, Seu Mário Riesco, veio destrancar, avisando que só abre o bar para conhecidos. Mal cheguei e já era um conhecido? Pensei calado.
Considerado um "Cafe Notable" pela prefeitura de Buenos Aires, El Banderín existe desde 1929 quando o pai do Seu Mário abriu o bar como "El Asturiano". Em 1958, o atual dono grudou umas 300 flâmulas de times de futebol do mundo nas paredes do lugar e o nome mudou.
A comida é clássica e simples como nos bares antigos portenhos: empanadas, sanduíches, picadas e comida de boteco, além de cervejas e outras bebidas a preços honestos. Nas paredes, placas com os nomes das ruas deixam bem claro o bairro onde você está: Almagro!
Ao perceber que eu era brasileiro, Seu Mário, que é hincha do River Plate, veio logo perguntando de que time eu torcia. Quando respondi firme "Palmeiras" ele apontou para uma flâmula na parede. Demorei para encontrar a maldita no meio de tantas. Só depois fui perceber uma bandeirinha amarelada pelo tempo com o P de Palmeiras e um periquito desenhado. "É de 1968", esclareceu o dono do estabelecimento, antes de mostrar outro "banderín" mais novo do meu time do coração.
No fim da noite, com o bar vazio, não é preciso respeitar o aviso da lei municipal que proibe fumar em estabelecimentos fechados. "Eu mando embora quem reclamar de cigarro num bar a essa hora da noite", comentou o Señor Simpatia enquanto brincava com o Luna, seu gigante pastor alemão, que tinha sido liberado para transitar com os clientes da madrugada.
No El Banderín você não vai comer uma comida imperdível, conhecer as últimas novidades da gastronomia portenha ou tomar uma cerveja artesanal rara. Visitar esse lugar só vai fazer você entender e sentir um pouco como funciona Buenos Aires.
Mais no site do bar ou no Guia Óleo
quarta-feira, setembro 23, 2009
Top 10 empanadas de Buenos Aires
O ótimo site Planeta Joy trouxe um Top 10 de empanadas portenhas, com os endereços onde são servidos os melhores exemplares da gastronomia argenta.
Como toda lista, esse top é bem polêmico. Eu, por exemplo, não conheço nenhum dos 10 lugares. Parece que eles preferiram ser bem alternativos nas escolhas, sendo bem roots!
Pra mim os melhores lugares para comer empanada nessa cidade são:
1. Imaginario Cultural
Um bar na esquina da Bulnes e Guardia Vieja que você nunca imagina que vai ter uma empanada boa. É cara porém sensacional. Sempre que vou lá como uma de carne picante, não importa se tenho fome ou não.
2. El Cuartito.
Na região central perto dos Tribunales, Talcahuano 937, El Cuartito faz pizza e empanadas desde 1934. Não sou só eu que é fã das empanadas deles, mas também o chef rockstar Anthony Bourdain, que passou por lá com seu programa "No reservations".
3. El Noble Repulgue
De todas as redes de empanadas do estilo McDonalds é a que mais gosto. Várias opções de preços e sabores, alguns deles bem afrescalhados e gourmet.
A dica essencial é evitar a perigosa publicidade da Solo Empanadas, outra cadeia com várias filiais pela cidade. A estratégia de marketing deles é ousada, com empanadas saborosas e gigantes dançando um ritmo sensual em pleno semáforo. Você pode ficar tentado, mas seja forte e não resista!
Como já disse o gaúcho ex-porteño Fabiano Goldoni: "As empanadas dançantes da Sólo Empanadas são como prostitutas baratas da culinária: levam o teu dinheiro, te deixam com a consciência pesada e o estômago embrulhado"
terça-feira, setembro 22, 2009
El Federal
El Federal não é apenas mais um dos cafés notáveis de Buenos Aires. Esse lugar, na esquina das Ruas Peru e Carlos Calvo no bairro de San Telmo, mostra muito bem a preocupação que os portenhos tem em preservar sua história.
Funcionando desde 1864, uma das principais características do bar é uma barra um pouco mais baixa onde você pode sentar, beber, comer e bater um papo com os atendentes do lugar. Fui ontem lá, num dia de temperatura bem agradável, e muitas das pessoas estavam sentadas nas mesas do lado de fora.
O cardápio é clássico como a maioria dos bares notáveis. Tem quase de tudo e você perde bastante tempo com tanta opção. Desde milanesas, supremas, carnes, massas, bebidas, cafés e sobremesas. Recomendo o belo sanduíche de lomo completo, que tem um preço justo e um tamanho mais que suficiente.
A decoração é uma viagem no passado, mas sem forçar a barra. Você sente que tudo está ali sem exagero e cada coisa faz parte da paisagem. Várias placas de publicidade antigas na parede e móveis antigões que trazem aquela sensação daquela Buenos Aires que ficou famosa no passado pela sua classe e estilo. Velharia pra todo lado, mas lá dentro tem até wireless e eles aceitam cartão, o que não é muito comum na cidade.
É um lugar para você sentar sem pressa. O atendimento é lento no ritmo portenho, mas simpático. Não espere receber um menu segundos depois de por a bunda na cadeira. Espere, relaxe, veja a poesia da vida, os detalhes do bar e aguarde ser atendido. Vai valer a pena!
Visitar esse bar também foi uma pequena viagem pra quatro anos atrás pra mim. El Federal foi o primeiro lugar que fui quando cheguei em Buenos Aires em 2005, numa viagem de test-drive da cidade. Lembro que deixei as coisas no Hostel, cansadíssimo de uma viagem de quase 20 horas de ônibus saindo de Foz do Iguaçu, e fui junto com o Claudemir no primeiro endereço que ouvimos falar da cidade.
E claro, foi a primeira vez que saboreei uma Quilmes!
O mestre Marcelo Barbão também escreveu sobre o lugar, com muitas fotos. Recomendo a visita no seu blog.
domingo, setembro 13, 2009
Pirilo

Já fui na feirinha de domingo de San Telmo umas trocentas vezes, mas nunca tinha reparado na Pirilo. A pequena pizzaria está bem no meio do fervo da feira na Calle Defensa e muita gente passa despercebido pela sua humilde fachada.
Lá você come em pé e com guardanapos, no balcão de mármore que deve estar no local desde 1932, quando a pizzaria começou a funcionar. Tudo simples, prático e honesto, como a comida para as massas deve ser. A porção de fugazzeta e a fainá (algo como uma massa de grão-de-bico) que pedi estavam deliciosas. Os clientes são os mais variados. Desde taxistas, velhinhos de San Telmo, gringos ruivos e criancinhas famintas.
É um pit stop recomendadíssimo para quem está na feirinha e sente fome. Aprecie uma bela pizza num estabelecimento que tem uma história que se confunde a história de San Telmo.
A trendsetter Ana Manfrinatto acertou mais uma vez na dica. A outra tinha sido a cantina italiana Spiagge di Napoli, um verdadeiro achado no bairro de Boedo.
Fica aí a provocação!
Pirilo - Calle Defensa 821, San Telmo
sexta-feira, setembro 11, 2009
10 restaurantes com onda fora do circuito
O site Planeta Joy listou 10 restaurantes portenhos com "mucha onda" e que estão fora do circuitinho Palermo-Las Cañitas-Puerto Madero. Nada contra esses bairros, mas a moda é tanto que em muitos lugares a comida deixou de ser o principal e o que conta é o "disáine"
A lista contém endereços de diferentes bairros de Buenos Aires como Boedo, San Telmo, Almagro, Abasto, Montserrat, Villa Crespo, Chacarita e Colegiales.
Obviamente não conheço todos, mas certamente irei visitar muitos deles. Dos 10, os 3 que conheço são:
- Mochica: comida peruana ao lado do Shopping Abasto. Esse bairro tem várias opções de comida peruana, mas esse é o mais caprichadinho e bonito. Agüero 520
- La Reina Kunti: comida indiana vegetariana há poucas quadras do mesmo Shopping Abasto. Decoração rústica, iluminação tênue e clima aconchegante. A foto do post é dele. Humahuaca 3461
- Thymus: nesse nunca fui, mas já morei bem perto na Villa Crespo e lá estava sempre lotado. Mais elegante e chique, pra quando você quer se dar um luxo. Lerma 525 esq. Malabia
Buen provecho!
quinta-feira, maio 14, 2009
La Colonia
Taí um lugar simpaticíssimo em um lado de Palermo que eu não conhecia bem. O La Colonia fica na Calle Julian Alvarez 1674, um tanto quanto afastado do fuzuê do Palermo Soho.
É um lugarzinho caprichado que cultua o modo kitsch de ser. Uma entradinha simples e um ambiente com televisores velhos, coisas penduradas, gambiarras e cartazes velhos fazem o clima do lugar ser bem aprazível.
A comida é caprichada, com pratos "de autor". Comi um raviole com recheio de abóboras e outras coisas mais, com um molho de gorgonzola e nozes que estava sensacional. O melhor de tudo é o preço, nada "palermitano". Na carta ainda existem supremas, outras massas "esquisitas", carnes e umas saladinhas provocantes.
Recomendadíssimo para ir a noite com una chica!
La Colonia no Guia Óleo.
sábado, maio 02, 2009
Café de Las Violetas
O Café de Las Violetas é um primo distante, mas não pobre do Café Tortoni. É menos conhecido dos turistas exatamente por não estar no centro, mas sim em Almagro, na esquina da Avenida Rivadavia com a Medrano.
Os dois estão entre os cafés mais tradicionais de Buenos Aires, com uma arquitetura lindíssima. O Tortoni foi fundado em 1858, já o Las Violetas mais tarde em 1884, com uma inauguração tão importante que até o presidente argentino estava presente.
Ao contrário do seu primo, Las Violetas é bem mais claro, com janelas gigantescas que dão para rua, belos vitrais e umas colunas de mármore. Os garçons estão todos com terno e gravata e o ambiente é de puro requinte. O mousse de chocolate de lá é um pouco caro, mas vale a pena provar. Foi um dos melhores que já provei na vida.
O melhor de não estar cravado no centro é poder tomar tranquilamente seu café-da-manhã, sem horas de turistas entrando e enchendo o saco com fotos e flashes, além de uma enorme fila para entrar que às vezes se forma no Tortoni. Uma bela alternativa para quem quer evitar o turismo clichê de Buenos Aires. Ahh, bom constar que tem um dos banheiros mais limpos e bem cuidados dos cafés da cidade, ponto que muitas vezes passa despercebido.
Guia Óleo
Site oficial (com menu em "portugueis")
terça-feira, abril 28, 2009
Desnivel

Coloquei fim à maratona culinária de visitas com uma passadinha no Desnivel, uma clássica parrillada situada na Calle Defensa, em San Telmo.
Já tinha visitado a casa com um bando de gringos do albergue, quando visitei a cidade a turismo em 2005 e tinha aprovado.
Não espere investimentos na estética ou na arquitetura, mas sim na qualidade dos pratos. O restaurante tem uma fachada feiosa, um ambiente bem rústico cheio com uns quadros nada a ver de umas cidades que estão a anos luz de distância e aqueles garçons mega-clássicos, que certamente devem ter milhares de histórias para contar. É um dos endereços mais visitados pelos gringos que vivem no bairro, por isso não estranhe ouvir trocentas línguas diferentes por lá.
Pude conhecer pessoalmente a "Suprema Maryland", que é uma milanesa de frango com creme de milho que acompanha uma banana também a milanesa. Verdadeira bomba calórica.Existem muitas outras minutas, como lomo a pimenta e claro toda o leque de carnes que envolvem todo churrasco argentino que se preze. Comida farta e obesidade certa. Há também a opção de escolher o acompanhamento da carne: batata frita, purê, purê de abóbora e etc, coisa que não é normal na cidade.
Os preços são ok, um tanto quanto inflacionados em certos pratos mas nada acima da média de Buenos Aires. Para economizar a opção é uma milanesa ou a suprema, mas fica difícil resistir a um mega bife.
Definitivamente um lugar para quem não é cheio de frescura. Mais no sempre presente Guia Óleo.
segunda-feira, abril 27, 2009
El cuartito

O legal de ter visitas na cidade é que sempre acabo descobrindo coisas novas ou visitando lugares que os guias dizem que é obrigatório.
Com a visita da Dona Adélia pela cidade acabei chegando no El Cuartito, um dos mais tradicionais endereços da cidade no quesito pizza e empanada.
Já tinha ouvido muito falar do lugar, e até mesmo o famoso Anthony Bourdain em seu programa "No reservations" visitou o lugar, falando as maiores maravilhas sobre a tal empanada.
El Cuartito é fica perto da Av. Córdoba, escondido na Calle Talcahuano e é um restaurante bem grande e movimentada. A decoração no maior estilo "coisas velhas que o tiozão foi juntando durante décadas" reúne desde cartazes de filme, à várias pérolas de times argentinos e internacionais, além de muitos cartazes de boxe. Um cartaz de uma luta do George Foreman é sensacional.
O povo argentinos é exagerado por natureza. Sempre bom lembrar que eles realmente acham que o Maradona é o melhor jogador do mundo mesmo. É óbvio que aqui existe muita coisa boa na parte culinária. O doce de leite e o sorvete são inigualáveis, por exemplo. Porém, a própria cozinha argentina não é lá assim tão sensacional e inovadora. Afinal qual é o grande mistério de por um pedaço de boi no fogo?
Isso tudo é só pra falar que El Cuartito vende uma empanada honesta e uma pizza ok. É gostoso e nada mais. Acho coisa igual ou melhor ali na quadra detrás de casa, pagando pela metade do preço. Não existe muito o que inventar "a nível de" empanada e os gostos variam muito pouco pela cidade. A casa histórica e o ambiente caótico e barulhento podem até ter seu charme, mas existem muitos outros endereços para visitar em Buenos Aires ante desse.
Mais do El Cuartito no Guia Óleo.
quinta-feira, abril 23, 2009
Bodegones de Buenos Aires

Não sei a definição exata de Bodegón, mas o que eu sei é que é um bar/restaurante antigo que sobrevive ao tempo e as modernidades da era atual.
As porções em geral são grandes e a comida bem tradicional. O único problema é que muitas vezes sobrevive também o tratamento arcaico ao consumidor. Modernidade zero.
O Diário Perfil fez um especial, reunindo os melhores endereços da cidade, baseado em um livro lançado recentemente. Eles juntaram a tecnologia do Google Maps e você pode ver detalhadamente a localização de cada bodegón. E claro, quem quiser pode sugerir novos endereços.
O link para o site Bodegones de Buenos Aires.
A notícia.
sexta-feira, abril 17, 2009
Locutando com Narda.
De uma hora para outra começaram a pipocar trabalhos de locução pra mim aqui em Buenos Aires!
terça-feira, março 24, 2009
Abasto
São mais de 3 anos de Buenos Aires, sendo dois deles no bairro do Abasto.
É interessante perceber como aos poucos essa região, que era decadente no final dos 90, vai se tornando cada vez mais "friendly" ao turismo, aumentando e melhorando suas opções. O Abasto é muito mais que o Shopping e a esquina Carlos Gardel, onde rolam caríssimos shows de tango, mas pelo que dizem vale muito a pena.
Não é preciso caminhar muito daqui de casa para comer no Belén um bife de lomo a la pimienta con papas a la crema sensacional, que não deve nada a qualquer bom restaurante de carnes da cidade. O restaurante, bem caprichado mas sem muita frescuragem, fica na esquina da Boulogne Sur Mer com a Avenida Corrientes. No menú também há uma bela opção de massas e suprema napolitana com papas noisette, uma verdadeira iguaria, que me faz pensar quando é que vão inventar isso no Brasil.
Também existe o clássico Los Sabios, um buffet vegetariano oriental que é bem conhecido na região pelos seus pratos um tanto quanto criativos e econômicos. Eu, que não sou entusiasta de comida vegetariana, acabei me rendendo a essa opção. São sushis, arroz integral, tofu e um bolinhos de não-sei-quê que eu podia jurar que são de carne. Faz uns 6 meses o restaurante foi ampliado, o dobro do tamanho, para matar a fomo dos portenhos.
E também tem o Mochica, especializado em comida peruana que se destaca entre os outros da região pelo ambiente e o visual e um outro focado em carne e com decorações de futebol, o La Popular.
Não esqueçamos dos clássicos barecos, que com a onda tranquila do interior do bairro, os grandes e belos casarões junto luz âmbar das ruas acabam sendo um charme só. O Imaginário Cultural, na esquina da Guardia Vieja com a Bulnes (onde muitoz dizem que já é bairro Almagro) é o meu preferido. Sugiro muito o espaço aberto que eles tem no fundo. Recentemente descobri o Bar 1986, que tem tem uma onda lounge cool em um casarão bem antigo, com preços bem mais em conta que os praticados na cidade. Fica na esquina da Guardia Vieja e Billinghurt e atravessando a rua, na mesma esquina você encontra um bodegão mais roots e clássico, El Banderín, cheio de tiozões cabeça branca.
E vez ou outra ainda rola um showzinho alternativo na Vaca Profana. E claro, se você sentir fome no final de tudo isso, pode sempre apelar para uma pizza Ugi's no fim da noite.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Depois da crise, a fome.
Estima-se que já fecharam 300 restaurantes em Buenos Aires nos últimos 5 meses. Some a isso os valores estratosféricos dos aluguéis, em Puerto Madero tem lugar que passa dos 70 mil pesos mensais, mais fiscalização da prefeitura que resolveu ficar mais esperta. Sem esquecer, é claro, da fatídica crise do campo que deixou cicatrizes em toda a cadeia da comida.
É um famoso ciclo putrefato que acaba prejudicando a todos. A inflação come solta, os preços dos restaurantes resolveram escalar o Aconcágua, logo cada vez menos gente vai e assim vai indo.
A maioria dos lugares fechados são de Palermo Hollywood e Las Cañitas, exatamente as regiões que sempre achei que existe mais garçom de mullet do que boca com fome para ser alimentada.
Acho boa parte dessa onda gastrônomica cool que existe por aí puro capricho. Realmente não me interessa pagar quinze mil vezes mais só para sentir o puro sabor da nouvelle cuisine do sul da França na minha boca. Podem me chamar de ogro! Mesmo assim sempre tento curtir meu bife de chorizo a la Wilton no Manolo, meus agnolottis no Hipopótamo e um sushizinho vez ou outra em Palermo. O problema é que isso está ficando cada vez mais raro.
Mais na matéria do La Nación.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Carne!

Muito se fala sobre a carne argentina e às vezes parece até exagero, mas posso afirmar que nem tudo foi dito.
A grande verdade é que a culinária argentina tem fama só pela sua carne. Particularmente não vejo nada demais nas massas e as pizzas daqui sofrem de uma tremenda crise criativa. Isso quer dizer: falta de variedade de sabores. É tudo queijo com alguma coisa e é isso. Nada de frango com catupiry, lombinho com champignon ou borda recheada de cheddar.
Uma vez, num jantar com uns americanos, ficamos conversando sobre como tudo é supervalorizado. O fato deles colocarem um pedaço de um animal morto sobre o carvão faz deles grandes mestres culinários? Não é tudo muito exagerado? Talvez.
O incrível é que em qualquer bodega de esquina você pode comer um sensacional pedaço de boi. Hoje mesmo, feriado na Argentina, fui andar pelo bairro e fui no Belen Cafe y Pizza. Pedi um bife de lomo a la pimienta com papas a la crema. Simplesmente sensacional. Um lugar caprichado, mas nada gourmet, muito de bairro e com uma localização um pouco feia até. Corrientes e Boulougne Sur Mer. O fim do Abasto, que não é lindo, e o começo do Once, que é bem judiado.
Outra coisa bastante diferente no momento de se alimentar é a questão do foco! Brasileiro curte um carnaval no prato e põe arroz, feijão, salada, carne, ovo, macarrão e, se estiver num restaurante por quilo, pode ainda colocar um sushi do lado de uma feijoada.
Aqui não. Aqui as pessoas tem foco! Se você for comer carne, é só isso que você vai ter. No máximo umas batatas ali do lado para acompanhar. Isso acaba gerando uma cultura de bifes abissais gigantescos que ocupam um prato inteiro e causam até certa vergonha. Mas aí você olha pro lado e vê um casal de velhinhos caquéticos mandando ver metade de um bezerro e tudo fica tranquilo.
sábado, outubro 04, 2008
La popular.
Na preguiça de ir até San Telmo para comer no Manolo, restaurante dos meus preferidos, fui comer uma carne no La Popular, que é aqui pertinho de casa.
A proposta do restaurante é mais ou menos a mesma do que o Manolo. Camisetas de times na parede e numa espécie de varal, combinados com uma cozinha tradicional portenha. Tanto é que "La popular" em português é algo como "A arquibancada".
O ambiente é um pouco mais caprichado que o Manolo, os garçons um pouco mais ajeitadinhos mas a comida fica devendo e muito. Pedi uma entraña, que é um corte que gosto bastante, que parecia que a carne tava congelada. Além do mais eles cobram a famosa taxa de "cubiertos", que é muito comum nos restaurantes modernetes de Buenos Aires. Mas foi a primeira vez que paguei isso num de comida tradicional. É uma coisa surreal que só existe aqui. Taxa pelos talheres? Ok, mas se eu comer com a mão não pago?
Pra quem quiser conhecer, o La Popular está no Abasto na esquina da Lavalle com a Mario Bravo.
Mais no Guia Oleo.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Pensamento obeso.
I'm a little overweight due to a genetic disorder that makes fried chicken delicious
Essa frase memorável do "The Norm Show", que confesso que nunca tinha ouvido falar, serve muito na minha vida no momento.
Basta trocar "fried chicken" por whooper extreme do Burger King, sorvete de chocotorta do Freddo e alfajores em geral.
Agradecimentos a Rocio Ramirez, por me passar tão sábia e real frase.
domingo, agosto 17, 2008
Narda Lepes e o canal Gourmet.

Estava assistindo a repetição de um programa da Narda no Brasil no Canal Gourmet e percebi que nunca tinha falado aqui sobre isso. São 24 horas de programação diária sobre uma coisa: comida.
segunda-feira, julho 07, 2008
Barreado, Antonina e ex-namoradas.
O Barreado deve ser um dos pratos mais injustiçados da culinária brasileira. Enquanto a feijoada segue seu reinado no mainstream, o paranaense barreado segue no firme no underground. Se até nas cozinhas do Paraná é difícil encontrar um, imagina no resto do Brasil. Talvez por isso que gosto tanto dele. Não é coisa para qualquer um. É para quem entende.


