A última das entrevistas do especial com as bandas portenhas é com Los Álamos. Indicados pela Rolling Stone como a banda revelação de 2005, já apareceram em várias publicações estrangeiras como uma banda "a ser escutada".
Com um som único no rock argentino, que une influências do country e do space rock. O vocalista e letrista Peter tomou seu tempo para responder algumas perguntas. Ele fala sobre a banda, a infra-estrutura pobre de muitas casas da cidade e de como é a vida de uma banda independente, que ao mesmo tempo que faz grandes turnês pela Europa passa por dificuldades em Buenos Aires.
Existe um som que pode ser definido como rock argentino ou isso é coisa do passado?
As bandas de rock da Argentina, desde os anos 60 até hoje, sempre foram particulares. Não sei se havia um som que as identificasse, talvez o fato de cantar em espanhol as unia, mas agora existe uma variedade tão grande de bandas que não podemos dizer com tanta certeza que há um som de rock com características comuns proveniente da Argentina.
Existem lugares bons para tocar na cidade, com boa infra-estrutura?
O rock na Argentina tem mais de 40 anos mas a Infra-estrutura continua nula. Os lugares tratam mal as bandas: elas tem que pedir por favor para tocar e às vezes pagar para tocar emum lugar. Os sistemas de som são quase sempre semi-profissionais e isso faz que qualquer cena de rock demore muito para se desenvolver. Em troca, os grandes festivais, patrocinados por companhias de telefone e bebidas, têm uma grande estrutura mas o trato com as bandas locais é degradante. Em muitos casos é preciso pagar para o nome da banda aparecer nos cartazes do lado de bandas internacionais que costumam ser artistas de segunda categoria o que estão em uma turnê de revival.
É possível viver de música Indie na Argentina?
Da nossa música não se pode viver. O público não é muito e pela crise que o país está passando fica muito difícil ser consumidor de música.
A banda foi apontada como umas revelações da revista Rolling Stone em 2005. Desde a revelação até hoje, o que passou?
Depois lanzamos três discos, fizemos uma turnê pela América do Sul e agora vamos para Europa. Recentemente editamos nosso último disco “El fino arte de la venganza” que foi masterizado em Los Angeles.
Essa veia western da banda, de onde vem e para onde vai?
A banda faz um som com pulso de folk, blues e até mesmo valsa. O som vem da necessidade de criar algo partindo de nossos gostos e possibilidades musicais
Alguma explicação de porque o público do país agita tanto em shows de rock?
Na verdade não sei. Acho que eles gostam de chamar a atenção! Mas também disfrutam de um show com muita paixão.
Myspace da Banda: http://www.myspace.com/losalamospace
terça-feira, setembro 16, 2008
Especial Rock Argentino: 4 - Los Álamos.
quinta-feira, agosto 28, 2008
Especial Rock Argentino: 3 - Hacia dos Veranos.
O julgamento da tragédia de Cromagnón continua em Buenos Aires. Dentro do tribunal, os pais das quase duzentas vítimas protestam em silêncio mostrando fotos de seus filhos, enquanto um vidro a prova de bala os separa dos acusados. Fora do edifício mais familiares disputam espaço com os vários fãs da banda Callejeros que pedem "Basta de culpar a Callejeros".
Dessa vez, os entrevistados são o Hacia Dos Veranos, uma das primeiras bandas que conheci em Buenos Aires. Nunca fui fã de música instrumental, mas esse grupo me fez mudar um pouco isso. Com ótimas melodias, suas músicas compõem climas e ambientes únicos, que mesclados com as imagens projetadas ao vivo, formam um belo espetáculo. Não é à toa que talvez seja a banda que mais vi ao vivo na cidade.
Na conversa, o guitarrista Ignacio Aguiló fala de como é foi a adaptação pós-cromagnón, da cena argentina e da preocupação de casar perfeitamente imagem e som nos shows.
Qual o panorama do rock argentino agora? Existe um estilo que o define?
Não acho que exista uma coisa chamada rock argentino e nem um Indie rock argentino. Acho que os problemas gerados pelo incêndio de Cromagnón e o fechamento de muitas casas de shows causaram uma concentração de tudo em poucos lugares. Além disso houve uma certa tendência dos artistas se apoiarem em ciclos de música do governo. Isso afetou bastante a cena "emergente".
Existe uma preocupação com a parte visual nos shows da banda. Como funciona? Música e imagem se complementam?
Sempre que podemos, contamos com a arte visual do nosso amigo Dr. Chance (Mariano Baez), que tem o cuidado de escutar cada uma das músicas para poder dar a imagem exata para cada canção. Mariano é o criador (junto com Franco Estrubia) do vídeo que vem dentro do nosso disco "De los valles y volcanes", e que corresponde a canção "Preludio". É uma série de fragmentos em super 8 e imagens e lembranças perdidas de gente sem nome, ideal para o que queríamos contar nesse momento com o nosso ep "Fragmentos de una tarde". Mariano tem uma extrema sensibilidade para entender nossa música e a plasmar em imagens.
Para a gente é quase indispensable poder contar com esse tipo de imagens nos shows, porque consideramos que ela aumenta muito a qualidade do espetáculo. Ou seja, não são imagens soltas por aí, existe um sentido por tras de tudo isso.
Como você definiria o som do Hacia dos veranos?
Nossa música tem sido definida de muitas formas e é ótimo que cada um a interprete como queira. Inclusive teve alguém que disse que nós tinhamos inventado o "post rock kwee". Na verdade não sabemos definir bem. A melhor maneira de descrever a banda seria tomando emprestada a linguagem da pintura: nosso som é impressionista. Definitivamente um som próprio, nosso.
Por que a opção de ser uma banda instrumental? Por que não cantar?
Não foi uma escolha, aconteceu naturalmente. Havia uma canção em que não podíamos colocar a voz. Não importaba o quanto trabalhávamos nela, não encontrávamos a melodia que caisse bem. Aí eventualmente percebemos que era a melhor música que tínhamos feito. Tomamos essa música como ponto de partida para começar de novo e a desde então nossa música se tornou mais livre, como se a voz antes fosse um obstáculo. Essa canção mais tarde foi chamada de "Sueño".
Como é o processo de composição das músicas?
Até agora sempre trabalhamos assim: um traz a idéia, fechada ou não, e no ensaio a banda dá uma forma final. Isso vem acontecendo desde os primeiros ensaios, quando cheguei com o riff de "Preludio" e me tornei grande responsável pelas melodias. Mas nossas músicas estãoo impregnadas com os espíritos de todos seus integrantes. Cada um acrescenta um pouco de si no geral e assim as coisas vão mudando de acordo com os integrantes que vão passando.
Existem muitas bandas de post rock na Europa como Explosions in the sky, Godspeed, Sigur Ros, mas muito poucas na América Latina. Qual seria a razão?
Na verdade não sei. Para ser sincero nunca escutei Explosions ou Godspeed, por mais que as pessoas digam que nossa música tenha pontos em comum. No fundo nunca nos consideramos uma banda de post-rock mas, talvez como forma de aventurar uma resposta, o post-rock por definicão é uma música para um público muito limitado, e dentro do já limitado público Indie latino encontrou um espaço menor ainda para se desenvolver.
Já tocaram no Brasil? Planos de tocar?
Fomos convidados para tocar no festival "Algumas pessoas tentam" da Midsummer Madness", onde participava o Jens Lekman e outras bandas locais no Rio de Janeiro, mas infelizmente não fomos por problemas de agenda de alguns de nós. Foi uma pena já que estávamos muito empolgados para tocar. De qualquer maneira estamos com as malas prontas para viajar assim que tivermos condições. Temos muita vontade de conhecer o Brasil e que o Brasil nos conheça ao vivo de uma vez por todas.
Planos para o fim do ano e 2009?
Estamos dando os toques finais no próximo disco, essa é a meta principal. Depois pensamos em visitar os países irmãos Uruguai, Chile e Brasil, é claro.
Mais da banda em:
Site Oficial: www.haciadosveranos.com.ar
Myspace: www.myspace.com/haciadosveranos
Sueño ao vivo:
segunda-feira, agosto 25, 2008
Especial Rock Argentino: 2 - El mató a un policia motorizado.
El mató a un policia motorizado é uma banda única na Argentina. Mesmo estando no underground e lançando discos de forma independente, esse quarteto de La Plata possui uma legião de fãs apaixonados que transformam seus shows em um total frenesi.
Poucas vezes vi, em Buenos Aires ou em Curitiba, uma banda causar tanta catarse em suas apresentações. O estranho é que eles tinham tudo para não ser uma banda tão amada. Não são "cool", não são amigos de bandas grandes e ainda moram em La Plata, a 70 km de Buenos Aires.
Em uma entrevista para o blog feita em junho, o vocalista Santiago fala dos planos da banda e se mostra muito apaixonado pelo que faz.
Existe uma característica comum entre essas bandas? Como Cromagnón mudou o rock independente argentino?
O rock independente da atualidade é muito variado. Talvez na hora de fazer matérias nos meios daqui acabam agrupando as bandas não pelo tipo de som que fazem mas pela maneira que fazem as coisas, como encaram a música e a arte. A Internet abriu uma discoteca infinita e universal e isso acabou um pouco com as tendências que vinham marcando década após década. Talvez atualmente os sons e a música em geral não respondam a um som particular imperante e isso passa também no rock independente argentino. Cromagnón obrigou as bandas a fazer as coisas com mais esforço, como uma resposta de fazer música com mais vontade nos momentos mais difíceis.
O público argentino é conhecido por participar de um show de uma maneira muito ativa. "El mató" é uma das poucas bandas underground que tem um público que se comporta dessa maneira. Por que isso acontece? Existem prós e contras?
De alguma maneira a música do El mató é um convite a cantar e dançar. Em parte, as pessoas que vão aos shows também fazem um tipo de jogo. Sabendo que antes isso não era tão comum, deixam-se levar e até certo ponto exageram para ver até onde podemos cegar. É muito divertido para a banda porque também gostamos de interagir no palco. A desvantagem é que certos donos de lugares onde tocamos tem medo. Não entendem que tudo é no clima de amizade e buena onda.
Que diferençaas sonoras você vê entre uma banda argentina massiva e o underground?
As óbvias são os orçamentos na hora de gravar ou fazer um show. Depois acho que as bandas massivas, em certo ponto, começam a ter medo de tudo que conseguiram. É compreensível mas é horrível para a sua arte, que começa a se fechar e se limitar. Já as bandas independentes possuem um frescor que pode ser eterno.
Esse mesmo público cativo da banda consome suas músicas a ponto de vocês viverem disso?
Não vivemos atualmente da música, não economicamente, mas não poderíamos viver sem fazer música o arte de algum tipo. A arte, como fonte de ingressos econômicos, é irregular. Pode baixar, subir e acabar. Nada é estável nesse mundo, não para artistas independentes pelo menos. E nem é recomendável que seja. Se suas necessidades econômicas dependerme do consumo ou não de sua obra, sua arte pode ficar condicionada a isso.
Como foi a experiência de tocar no Brasil?
Tocamos em São Paulo no ano passado e foi genial. Não podíamos entender que mesmo estando tão longe, tanta gente cantava e dançava nossas músicas. Foi algo que nos surpreendeu.
As suas letras são um pouco diferentes, para não dizer extrañas. De onde vem isso? Quem é "la chica rutera"?
As letras partem de imagens, são descritivas de uma idéia ou uma cena. Quando escrevo não penso muito, elas simplesmente saem. São curtas porque entendo que não precisam de acréscimos. "La chica rutera" é uma menina que saiu de viagem e que alguém, talvez triste, espera que ela volte.
Planos para o futuro?
Terminas a trilogia dos discos que começou com "Navidad de reserva" e continuou com "Un millón de euros". Depois apresentar o disco, viajar, contecer gente nova e todas essas coisas divertdas da vida e de te ruma banda de rock.
Site oficial da banda: http://www.elmato.com.ar/
Myspace: http://www.myspace.com/elmatoaunpoliciamotorizado
segunda-feira, agosto 18, 2008
Especial Rock Argentino: 1 - Rubin.

Sebastian Rubin é um cara bem-humorado. Durante seus shows, com a banda de apoio chamada Subtitulados, o frontman lança ironias ácidas junto com besteiras sem sentido numa espécie de stand up music comedy. Tudo isso mesclado com o seu indie a la Teenage Fanclub com pitadas de Elvis Costello.

1. Você fez parte do Gran Prix e agora está em carreira solo. Como mudou o rock argentino desde a tragédia de Cromagñon? Como isso afetou as bandas de Buenos Aires?

Graças a minha mini-turnê do ano passado pude contecer bastante grupos indies. Além dos Superguidis que eu já conhecia, gostei bastante do Beto Só e vários grupos do Senhor F (site e selo). Quando eu era menor escutava Roberto Carlos e aqui a bossa é muito popular, mas não conheço muito mais, lamentavelmente.
9. Como você decide que uma música é melhor em inglês ou espanhol?
Eu estava com vontade de gravar uma música dos Ramones e pensei em argentinizar “The KKK took my baby away”. É um exercício que gosto e faço desde a época do Gran Prix. Em “Esperando…” há uma versão de uma música do “The Cleaners from Venus” e no novo teremos uma de Roby Hitchcock. Mas voltando, a Triple A foi um grupo paramilitar dos anos 70 que queria dizer “Associação Argentina Anti-comunista”. Já dá para imaginar o que faziam. Assim ao substituir KKK entrou sozinha a idéia de usá-los.
Site oficial: www.rubinlandia.com.ar
Myspace: www.myspace.com/rubinlandia
* fotos retiradas do site oficial do artista.
quarta-feira, agosto 13, 2008
Cromagnón e o Especial Novo Rock Argentino.
Dentro de alguns dias começa aqui na Argentina o julgamento dos acusados da tragédia da República de Cromagnón. No dia 30 de dezembro de 2004, um incêndio durante o show da banda Callejeros matou 174 pessoas e feriu mas de 700. Talvez essa tragédia tenha sido pouco noticiada mundialmente porque alguns dias antes aconteceu uma muito pior: o Tsunami.


