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terça-feira, setembro 08, 2009

Hotel avenida lança Cd ao vivo

O Hotel Avenida, uma das melhores novas bandas, mas de gente muito experiente, de Curitiba está lançando um Cd ao vivo. São as gravações do show da sétima edição do festival Rock de Inverno.

A união de Giancarlo Rufatto, o cara que compõe tanta música que faz parecer que é algo fácil, com o Ivan Santos, frontman do lendário Oaeoz, se tornou uma espécie de "All Star Band" já que reúne só grandes músicos da cidade.

Sobre o bootleg ao vivo, Ivan diz: "o legal é que justamente por não ser uma coisa planejada, tem todo aquele caráter de gravação ao vivo mesmo, com erros e acertos, e sem nenhum overdub ou pós edição. É o que é a banda ao vivo é pronto. Sem maquiagem.".

Eu, que ainda não vi os caras ao vivo, assino embaixo. As letras estão entre as melhores do que está sendo feito ultimamente por aí. "Eu não sou um bom lugar" e "Um centavo" são clássicos desde já!

Clique na foto abaixo para baixar o disco.


E aqui o Gian fala um pouco da banda e do cd.

1. Como surgiu a idéia do Hotel Avenida? Pq a parceria junto com o Ivan não foi "suficiente"?

O Ep que colocamos nossos nomes – meu e do Ivan na capa inicialmente se chamaria Hotel Avenida, mas acabou sendo usado para o projeto banda. O Ivan sempre falava que eu deveria ter uma banda pra tocar meus discos e como nossa parceria deu certo, chamamos os melhores caras que conhecíamos pra tocar junto e tcharam: Hotel Avenida. Funcionou muito bem com pouquíssimos ensaios e muitos integrantes se revezando, sete no total até agora.

2. Fale um pouco do bootleg e pq vcs decidiram lancá-lo como um cd.

Não é exatamente um cd, não foi planejado, mas o resultado de um show cru me agradou bastante. Não há produção que melhore uma canção ruim e de certa forma o oposto também vale não há gravação ruim que consiga estragar uma boa canção. Não que nossas canções sejam essa maravilha toda, as canções tem defeitos, errinhos e desafinadas como em todo show de verdade e é nisso que está a graça. Depois de tanto tempo gravando em casa sou totalmente a favor de só gravar ao vivo.


3. Como são as composições, como aparecem? Quem decide quem canta qual? Ect etc etc...

Não vou mentir, eu componho o tempo todo e tenho material pra uns três discos cheios (10 canções por álbum). Muitas das canções que a Hotel toca hoje já existiam há 2, 3, 5 anos, mas eram impossíveis de executar não fosse por uma banda como essa - o que explica o fato de querer gravar ao vivo. Também há nossas canções em parceria. Eu insisto em mudar o estilo das composições do Ivan, foi assim com “Um centavo” cuja melodia do Ivan e letra minha eram para uma balada. Eu acelerei e escrevi um texto com refrão sem métrica e o Ivan colocou o tempo de acordo com a voz dele – tanto que eu não consigo canta-la. Não tem muita manha pra isso, compor é mais ou menos como ir ao banheiro.

4. O que é esse "som de igreja" que vc comentou sobre a banda?

Eu brinco com duas coisas. coisa um: que o som da Hotel tem de ser atemporal, ser uma banda de canções a moda antiga, daquelas que se você arrancar tudo e deixar apenas a voz e melodia ainda é possível identifica-la. Coisa dois: a mensagem. Bandas de igreja são apenas coadjuvantes de uma mensagem maior. É uma banda que tem a função de ser mais celebração de um sentimento coletivo e isso tem de ser maior do que qualquer outra coisa.

5. Já lançaram o single e agora esse bootleg. Quando vai rolar o cd? O Hotel Avenida faz planos ou só deixa a vida levar?

Não sei te dizer, a gente lança esse bootleg, em outubro sai outro ao vivo desta vez pelo projeto da Mundo Livre Fm e talvez mais um EP solo meu, depois só Deus sabe. É muita coisa e tudo tem de ser pensado de outra forma hoje em dia. Um disco cheio ou algo com mais de 5 faixas é praticamente inviável em tempo de “ouça hoje, esqueça amanha” e sempre acaba-se perdendo alguma coisa. Minha opinião é que na maioria do casos a melhor canção está sempre entre as ultimas.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Banda Gentileza e seu primeiro CD

O dia de ontem terminou muito bem com a notícia do lançamento do primeiro cd da "Banda Gentileza".

O Heitor, vocalista da banda e ex-calouro da faculdade, sempre chamou atenção desde que começou a se apresentar nos intervalos nos apoteóticos shows da lendária banda Buttertoffs. Eram grandes letras como "Abc" e "Dor", onde o cara só ficava falando "ai" a música toda. Acho que muitas vezes o intervalo chamava mais atenção que o nosso show.

Chegamos a ensaiar algumas vezes juntos, bem no comecinho, já que Johnz / Banda Gentileza era praticamente a troca do vocalista e um pouco mais de ginga. Pois bem, essa coisa que começou sem nenhuma pretensão acabou virando uma banda muito boa.

Começaram a chamar atenção também fora dos limites da capital anti-social, fazendo showzinhos e aparecendo em jornais por São Paulo. A coisa não ficou só na brasilidade, ganhou uns sopros e acabou flertando com alguma coisa balcânica ou húngara. Sabe lá o que seja isso!

Os caras investiram de forma muito inteligente no primeiro cd. São 12 faixas produzidas pelo Plínio Profeta, que já gravou uma penca de gente graúda e ganhou até Grammy. Sem puxação de saco posso dizer que é uma das melhores coisas que ouvi em português esse ano. Original e bem feito!

O link para baixar o cd está aqui. Minhas preferidas são a romântica "Piá de Prédio", a caipiresca "Teu capricho, meu despacho" e o hino à vagabundagem "Preguiça".

Fiz uma entrevista rápida com o Heitor e aqui está:

1. O que mudou no som de vocês depois do Plínio Profeta? Qual a principal diferença?

No som da banda em si mudou pouca coisa. Ele deu algumas ideias para usar alguns instrumentos que utilizávamos em músicas específicas (violino, viola caipira, concertina) também em outras faixas do disco. Com relação às músicas, ele deu uma mexida bacana. Inverteu alguns trechos de músicas, mudou um pouco a linha do baixo, da bateria, enxugou alguns excessos, deu algumas boas ideias. Como produção e gravação do disco foi muito muito bom. Ficamos muito satisfeitos e felizes com o resultado. Acho que a sonoridade da banda não mudou tanto justamente porque ele entrou no nosso espírito, conseguiu sacar muito bem a nossa proposta. Mas não tenho dúvidas de que o trabalho dele vai influenciar o nosso para o resto da vida da banda.


2. Como que nascem as letras da banda? Tá mais pros seus trocadilhos ilustrados da Bravo ou são relatos da vida curitiboca?

Duas letras são do Artur (O indcifrável mistério de Jorge Tadeu e 33B). Outra é do Jota - nosso ex-guitarista - (Piá de prédio). Normalmente a gente chega com uma ideia de letra e música já formatada para apresentar para a banda, que acaba sendo moldada por todos depois. As minhas letras costumam ser meio demoradas para ficarem prontas. Normalmente elas nascem de alguma frase ou ideia. Os trocadilhos acabam sendo uma boa saída, pois volta e meia eu acabo saindo da forma pra chegar no conteúdo. Sobre a vida curitiboca, já tem coisa demais escrita. Acho que influencia nossas letras numa escala muito pequena.

3. Alguma razão especial de mudar de "Heitor e Banda Gentileza" só pra "Banda Gentileza"?

"Heitor e Banda Gentileza" foi uma piada que acabou sendo levada a sério, ahaha. No começo, ela até se sustentava, mas logo todos da banda já estavam compondo e ajudando no processo criativo. Muitas vezes, minha opinião era a que menos valia. Desde então eu comecei uma campanha pela exclusão do "Heitor e" que, apesar de deixar o negócio mais engraçado, não refletia a realidade da banda. Agora, com o lançamento desse nosso primeiro álbum, chegamos à conclusão que seria o momento oportuno para seguir apenas como "Banda Gentileza", que no fim das contas sempre foi o modo como todo mundo chamou a banda.

4. Vocês investiram forte na gravação do cd e agora liberam tudo de graça na internet. Acham que é possível pra uma banda independente ganhar dinheiro com cd? Ou é só show? Ou estão cagando pra isso?

A gente vai prensar o CD com o objetivo principal de divulgar para os meios de comunicação, para os festivais, para tentar vender o nosso show, além de ter um produto bacana para oferecer aos que gostam de ter a mídia física. Mas a nossa ideia não é ganhar dinheiro com venda, já que o preço será R$5. Acreditamos que com uma série de shows poderemos reaver um pouco do investimento que fizemos. Não estamos contando com o fato de ganhar dinheiro, mas estamos fazendo o possível pra que isso aconteça. Enfim, foi uma aposta que fizemos e houve um momento que foi preciso mesmo cagar pro resultado financeiro.

5. Depois do Cd, qual o próximo passo. Vai rolar uma turnê de divulgação? Raul Gil?

Em 2010, cantaremos "Sempre quase" com o Didi e a Ivetinha no Criança Esperança. A Ivete eu não garanto, mas o resto pode anotar. Até lá, precisamos decidir se aceitamos o convite do Maquinaria ou do Planeta Terra. Sempre quis dividir o palco com o Deftones.

6. Mande um recado do coração para seus fãs .

TUM-TUM!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Especial Rock de Curitiba: 6 - Copacabana Club

Aproveitando o gancho que ontem foi publicada na Ilustrada da Folha uma bela nota sobre o Copacabana Club, aqui vai a entrevista com a Claudinha, a baterista do grupo.

Infelizmente, ao contrário das outras bandas entrevistadas pelo Aires Buenos, nunca vi um show deles. São do meu período pós-Curitiba. Mas mesmo tendo um ano de idade e lançado até agora só o EP "King of the night", conseguiram conquistar uma pequena legião de fãs admiradores não só na cidade. As músicas são do tipo que não deixam ninguém parado, extremamente acessíveis e com refrões poderosos, provando que o indie rock não é um gueto. Ele pode ser pop!

Na entrevista, a baterista Claudinha Bukowski fala de como surgiu a banda, do público de Curitiba, dos shows, blogs e sobre seu passado como cover da Meg White.

Música dançante não é sinônimo de axé, abadás e coreografias toscas, meu caros! Leiam!

1. De onde veio à idéia de formar uma banda com músicas dançantes? Como é ser uma banda assim em Curitiba, onde a ginga e a malemolência é quase zero?

A idéia de montar a banda veio de uma conversa do Alec com o Luli. O Alec tinha morado um tempo em Londres e voltou para Curitiba cheio de idéias, querendo montar uma banda com músicas animadas, coisas que funcionassem na pista. Então eles falaram comigo, Camila e Tile. Todos gostaram da idéia e depois de algum tempo (e muitos ensaios) a banda foi batizada de Copacabana Club. Olha, concordo que Curitiba não é a capital da ginga, mas o pessoal por aqui não deixa a desejar. Os shows do Copacabana são muito animados e agitados, e isso se deve tanto a banda quanto a empolgação do publico. Estamos mais preocupados em fazer o público pular e se divertir da pista e, com ou sem ginga, parece estar dando certo.

2. Você já participou do White Strippers e outras bandas. Na sua opinião o público curitibano ficou mais receptivo e os lugares para show melhoram nos últimos tempos? Rola um pequeno frenesi pelo Copacabana Club, não?

O público definitivamente está mais animado. Voltou a ter curiosidade de assistir shows, tanto de bandas locais como bandas de outros estados. Com relação aos lugares, infelizmente acredito que a situação continua a mesma, se não estiver pior. Ainda são poucos os bares em com uma boa infra-estrutura e os espaços de médio porte fecharam. Mas acredito que aos poucos, com o público mais animado e as bandas trazendo um pouco mais de retorno financeiro, os espaços para show terão condições de melhorar suas instalações e equipamentos. Já existem bares de Curitiba fazendo reformas se preparando para receber melhor as bandas. Torço para que os outros sigam o exemplo. As bandas, o público e os próprios estabelecimentos só tem a ganhar com isso. Eu não sei se eu chamaria a atual situação do Copacabana de “frenesi”, mas eu sei que o retorno que estamos tendo na mídia, blogs e principalmente com o público é algo que eu não tive com outras bandas. Estamos nos dedicando cada vez mais a banda para manter o mesmo ritmo de shows e trazer músicas novas para manter a animação e curiosidade do público.

3. Vocês tiveram uma ótima recepção na blogosfera brasileira, como foram recebidos aí na mídia tradicional de Curitiba?

A recepção dos blogs realmente nos surpreendeu. A mídia tradicional foi menos intensa que os blogs, mas ainda assim acho que foi acima do esperado. Principalmente em outras cidades. Fomos entrevistados pela Folha de Londrina assim que foi lançado o MySpace e quando fizemos o show em Florianópolis saíram matérias em 2 jornais e fomos entrevistados pro uma rádio local.

4. E vi que já andaram fazendo umas viagens pro rio. Foram pra outros lugares tb? Eles se surpreendem a ver uma banda tão diferente do que é eles consideram "música do sul"?

Estamos fazendo o possível para divulgar o Copacabana no maior número de cidades possível. Já tocamos no Rio de Janeiro, Florianópolis, em um festival em Santa Maria e no fim de novembro estivemos em São Paulo. Eu acho que o público que tem acompanhado a cena musical alternativa no Brasil nos últimos anos percebeu que está cada vez mais difícil “rotular” as regiões e esperar um determinado tipo de música específica de cada lugar do país. Acho que o público se surpreende com o Copacabana Club assim como se surpreende com outras bandas que surgiram recentemente, não pelo tipo de música ou pela região, mas pelo aparecimento de um número significativo de bandas de qualidade nos últimos anos dando maior “densidade” ao cenário alternativo.

5. Qual a importância do James pra banda?

Eu acredito que essa resposta seria diferente se você fizesse essa pergunta para cada um dos integrantes da banda. Pessoalmente, o James e as pessoas que eu conheci freqüentando o bar foram absolutamente fundamentais na minha decisão de me tornar DJ e depois baterista. Acho que todos concordariam que o bar foi essencial em diversos aspectos. Eu pelo menos conheci todos os integrantes do Copacabana Club lá. Também foi no James que o Alec e o Luli sentaram pra conversar sobre a banda, me convidaram pra ser baterista, e foi lá que realizamos o nosso primeiro show. Na minha opinião o Copacabana Club nasceu no James e sempre vai ter uma ligação muito especial com o bar.

6. Como as músicas foram compostas? Fale sobre mais sobre o papel de cada um na banda.

Todos participam na composição das músicas. Alguém surge com uma idéia inicial e todos começam a trabalhar em cima dessa idéia... e geralmente o resultado acaba ficando muito diferente do que havia sido imaginado no início, por isso acredito que a composição no Copabana é um processo coletivo. Já as letras são sempre da Camila ou do Alec.

7. Planos para novo cd, 2009, turnês???

Planos temos muitos, espero que a gente consiga realizar pelo menos a maior parte deles. Já temos convites para tocar em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis em 2009. Conversamos com o pessoal de outras cidades do Paraná (Londrina, Maringá e Ponta Grossa) e outros estados, acredito que boa parte dessa conversas deve resultar em shows do Copacabana Club em lugares que ainda não tivemos a oportunidade de tocar. Já voltamos para o estúdio, estamos gravando mais duas músicas. Esperamos conseguir gravar um CD completo, mas se for financeiramente inviável pelo menos mais um single já está garantido.

8. Pra finalizar, como era para você ser baterista de uma banda cover do white stripes, que tem uma baterista muito meia boca?

Na verdade, eu preciso confessar que era um alívio, hahahaha. O White Strippers foi minha primeira banda, no nosso primeiro show eu não tinha nem meia dúzia de aulas de bateria e tocava a apenas uns 4 ou 5 meses. Se fosse mais complicado do que aquilo, acho que eu teria desistido no meio do caminho. Eu fui tocar bateria por livre e espontânea pressão do meu melhor amigo que disse que eu era péssima no violão, hahahaha. Ele queria que eu tocasse bateria para a gente montar uma banda. Como não achamos mais ninguém que quisesse tocar com a gente, resolvemos montar uma banda cover do White Stripes, assim poderíamos ser só os 2. Pra minha sorte e alegria, o Rafael Dal-Ri (vocal e guitarra no White Strippers) não só era genial como guitarrista (imagine o quanto ele tinha que ser genial pra segurar uma banda que a baterista só tinha 5 aulas!), mas também era inacreditavelmente paciente e sempre me deu o maior apoio enquanto eu era pra lá de mais ou menos. Ou seja, nós éramos o cover perfeito do White Stripes: o vocal e guitarra eram a banda em si, enquanto a bateria... bom, a bateria estava lá, hahahaha. Não temos tocado com muita freqüência, mas sempre ressuscitamos a banda quando temos algum convite para shows. Eu tenho um carinho enorme pelo White Strippers, jamais teria me tornado baterista sem a banda.

Myspace: http://www.myspace.com/copacabanaclubmusic
Blog da banda: http://www.copacabanaclub.blogspot.com/

E aqui o clip de Just do it no Poploaded do Ig.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Especial Rock de Curitiba: 5 - Terminal Guadalupe


De todas as bandas de Curitiba, o Terminal Guadalupe talvez seja a mais conhecida fora da cidade e uma das mais profissionais. Rodaram e voaram milhares de quilômetros, tocando em festivais de tudo quanto é lugar. Conseguiram construir um nome sólido, sendo uma das principais bandas indepependentes do país.

Foram matéria da Veja, ganharam prêmio Dynamite de melhor cd independente, lançaram cd em formatos inovadores como o SMD e pendrive, gravaram na Toca do Bandido, fizeram clip com um diretor de nome (Ricardo Spencer) e agora gravarão o próximo cd com o Roy Cicala, que já produziu desde Madonna a David Bowie. O fato é que esse quinteto sempre está investindo e sendo notícia no meio. Numa conversa com o vocalista Dary Jr. há uns 2 meses atrás, conversamos sobre o momento atual da banda banda e a sua estrutura de shows e mídia de Curitiba.


1. Você já tem um bom tempo de estrada, ou de via rápida, no rock de Curitiba. De 10 anos pra cá, o que progrediu? As bandas locais tem mais público, melhores lugares para tocar e mais respeito?

Nada. As bandas locais estão onde sempre estiveram: no limbo. Só há público em nichos específicos, como é o caso da turma que orbita em torno do hardcore melódico e do psychobilly. Casas abrem e fecham, mas poucas têm estrutura adequada e mal pagam um cachê mínimo de R$ 500,00.

2. A mídia da cidade e sua relacão com as bandas melhorou? Com myspace, orkut e youtube as bandas ainda precisam dela?

Existem ações isoladas. No geral, a mídia ainda insiste em ignorar a diversidade e a riqueza da música curitibana. Pelo que sei, a única iniciativa digna de nota é da Mundo Livre FM, que criou um projeto acústico - os grupos gravam, ao vivo, músicas nesse formato. Desconheço a audiência da emissora, mas louvo a atitude. Curioso é que, no show de lançamento do projeto, o diretor de programação da rádio mandou recado: queria que tocássemos quatro covers. Dei risada. Cover em um evento que se propõe a fortalecer bandas autorais? Foi a nossa vez de ignorar. No fundo, no fundo, é uma pena. My Space, Orkut e You Tube até ajudam, mas não têm a força de emissoras de rádio e televisão.

3. "Como despontar para o anonimato" já começa ironizando com o título do cd. O que muda musicalmente e nas letras desse cd em comparação com "A Marcha dos Invisíveis"? Como foi a produção do cd?

É um documento do que foi a turnê de divulgação do álbum "A Marcha dos Invisíveis". Entraram ainda músicas mais conhecidas de álbuns anteriores e versões definitivas de canções que não tínhamos lançado oficialmente, como "Torres Gêmeas" e "Megafone de Bagdá". Nós pegamos os melhores momentos dos shows que fizemos no Jokers Pub Cafe, de novembro de 2007 a abril de 2008, dentro do projeto "Terminal Guadalupe apresenta...", uma tentativa frustrada de formação de platéia. São as últimas gravações de Rubens K como baixista do TG. Tudo foi gravado em oito, dez canais, mas o resultado ficou muito bom.

4. E mudou muito musica do Terminal desde "Burocracia" até o dia de hoje? Amadureceram, perderam a inocência, entraram nas drogas? A entrada de outro guitarrista colocou mais peso nas músicas?

A banda está mais afiada. Tocamos melhor, ouvimos mais coisas. Somos caretas, mas não chatos. Envelhecemos com dignidade. A entrada de mais um integrante facilitou o uso de novos instrumentos e timbres. Talvez o som esteja mais pontuado por sutilezas, mesmo nos momentos mais pesados.

5. Vcs sempre de alguma maneira homenagearam o rock de curitiba com covers do Iris e Extromodos. Existe algum novo cover pensado?

Tocamos "Sal de Fruta", da Poléxia, em versão que o próprio autor da canção, Dudu, considera definitiva. Não sei se vamos gravar, mas gosto muito do arranjo.

6. Nos anos 90 o sonho das bandas era ser grande, ter clip na MTV e assinar um grande contrato. Hoje, com o que as bandas sonham?

Eu só quero ter a possibilidade de uma carreira produtiva e interessante. Se puder viver disso, tanto melhor. Não penso que seriam ruim ficar "grande". Aliás, trabalhamos nesse sentido. Tocamos em festivais importantes, nossos clipes rodam com relativa freqüência na MTV e estivemos a ponto de assinar com duas gravadoras. Falta encaixar o golpe. Talvez seja questão de tempo.

7. Vocês são uma das poucas bandas curitibanas que vivem de música. Isso é realmente possível na cidade ou é complexo de inferioridade dos curitibanos achar que isso é impossível?

Não vivemos totalmente do que ganhamos com a banda, mas nos orgulhamos do fato de não pagar para tocar. Honestamente, sinto que é impossível subsistir apenas com o trabalho artístico. Eu sou jornalista e isso ajuda a pagar as contas.

8. Quais os planos para o lançamento do cd? Ele vai sair em formato físico? Shows pelo Brasil?

Inicialmente, "Como despontar para o anonimato" sai apenas em mp3.Vamos lançar tocadores personalizados, que podem ser vistos neste site, http://www.lpindie.com.br/mp5_terminal.htm. Continuamos nossos shows pelo interior do paraná e por outros estados. Em novembro, por exemplo, faremos nossa primeira turnê pelo Nordeste, com apresentações em Recife, Natal e João Pessoa. Depois, vamos preparar o quarto álbum de inéditas, que deve se chamar "Para merecer quem vem depois" e ser lançado em março de 2009.

9. A banda começou como trilha sonora de um curta-metragem, certo? Como está a relacão com o cinema? Novos clipes, projetos audiovisuais?

Temos clipe recém-lançado. É "Recorte Médio-Oriental", dirigido por Rafael Gasparim, que tocou guitarra e baixo na minha antiga banda lorena foi embora..., em 2001-2002. Dá para assistir no You Tube. Integrantes de várias bandas curitibanas participaram.

Assista aí o clip.


sábado, novembro 08, 2008

Especial Rock de Curitiba: 4 - Oaeoz.


Oaeoz é uma das mais experiente bandas de Curitiba. Passaram por várias formações, com os melhores músicos da cidade, e traduzem muito bem em som e letras a vida na capital das estações-tubo.

Conheci a banda ao baixar o mp3 da música "Disco riscado" que começava dizendo "O telefone conspira, o cachorro do vizinho está contra mim". Foi fulminante.

Entre seus melhores trabalhos está "Às vezes céus", que tem uma sonoridade finíssima e sofisticada, intercalando momentos nervosos e tensos de guitarra com o lirismo de violoncelos, sempre com letras de causar inveja. Esse ano eles lançaram "Falsas baladas e outras canções da estrada" e o cd "Ao vivo na Grande Garagem que grava".

Com muito conhecimento de causa, Ivan Santos, o vocalista, compositor e idealizador do "Rock de Inverno" fala sobre os dois cd's lançados esse ano pela banda, sobre o rock curitibano de antes e agora, além de sua atuação como produtor cultural.

1. Houve um progresso nessa última década na cena musical de Curitiba? Há mais público e respeito "musical" para com as bandas?

Que houve progresso eu não tenho dúvida. Se a gente pensar em como eram as coisas nos anos 90 e como são hoje, é inegável que houve melhora. Hoje é muito mais fácil gravar um disco e disponibilizar ele para as pessoas. Uma banda como a Relespública levou quase dez anos para lançar um disco cheio, e hoje qualquer banda recém-formada tem disco. E com o avanço na internet, você tem muito mais canais divulgar isso e atingir o público.

Agora as dificuldades essenciais continuam as mesmas. A própria internet – que inicialmente era vista como uma espécie de panacéia para os independentes – tem alcance restrito em um país como o Brasil, onde grande parte da população não têm acesso ao mundo virtual. O grande público ainda continua se informando principalmente através do rádio e da televisão, e nesses meios, a inserção dos independentes é mínima, tanto aqui quanto no restante do País. Portanto, a gente continua tendo que matar um leão por dia, ou seja, tendo que trabalhar muito para conquistar espaço.

2. Há dez anos atrás a internet não ajudava tanto as bandas como hoje, mas sim os jornais, rádios e tvs. Atualmente a grande mídia de Curitiba dá atenção para as bandas?

A atenção que a grande mídia dá ao segmento independente tem altos e baixos ao longo do tempo. No começo dos anos 90, por exemplo, com o surgimento daquela geração 92 graus, Curitiba chegou a ser apontada como a “Seattle brasileira” pela revista Bizz. Depois houve outro pico lá por 2002/2003, quando uma série de coisas estavam acontecendo, como o Rock de Inverno trazendo duas dezenas de jornalistas de fora, incluindo MTV, etc, e com o surgimento também do CPF. Na mesma época o Jornal do Estado lançou uma coletânea com 18 bandas locais que fez o jornal esgotar nas bancas, e a Gazeta do Povo fez algo semelhante logo após, lançando quatro coletâneas com mais de 70 artistas, e que igualmente teve ótima saída.

Depois houve um refluxo pelo próprio encolhimento do mercado e a crise na indústria, a mudança no perfil dos meios de comunicação, esse espaço se retraiu. Tenho a impressão que atualmente há um novo crescimento no interesse dos mass media pelos independentes, até pela crise no mainstream, eles estão em busca de novos conteúdos, e a regionalização das programações é uma tendência inevitável. Alguns exemplos são iniciativas como o Lulapaluna, da RPC, ainda que forma incipiente, incluindo bandas locais; os acústicos da rádio Mundo Livre FM (também da RPC), a volta de uma coluna fixa na Gazeta do Povo para a música local.

Agora se isso vai vingar e vai se ampliar, só o tempo dirá. E para quem milita nesse meio, as formas alternativas de divulgação e difusão ainda são indispensáveis. Até porque muitos desses veículos alternativos, como o Último Volume, da rádio Lúmen, com seus 4 a 5 mil ouvintes só pelo rádio aberto, são opções tão boas quanto a grande mídia para se chegar até seu público.

3. Falemos do OAEOZ. No que "Falsas baladas" se distingue em produção e som de "Às vezes céu"? O som agora parece mais nervoso e guitarrento, com menos pianos e violino e com mais guitarra. Mudanças de formação afetaram o som da banda?

A diferença básica é que o “As vezes céu” foi gravado em um grande estúdio profissional, o Nicos, enquanto o “Falsas baladas...” foi gravado lá no estúdio da casa do Carlos Zubek, nosso guitarrista, onde a gente já ensaia há alguns anos. O que a gente “perdeu” em termos de recursos técnicos, ganhou em tempo para trabalhar a gravação, e principalmente a mixagem. Foi um grande aprendizado, já que inicialmente a gravação foi feita com a ajuda de um amigo, o Luigi Castel, e depois a mixagem foi assumida pelo Carlão. Com isso, o resultado ficou muito mais próximo do que é a banda ao vivo. E os próprios arranjos e composições ficaram mais enxutos. Ainda tem piano, violão, e violino, mas tudo colocado de uma forma mais concisa.

4. Sinto uma grande preocupação com as letras da banda, que nunca decepcionam. Existe algum escritor ou compositor em que você se espelha? Como surgem essas letras?

Eu sempre gostei de música com boas letras. E minhas referências, mais do que literárias, são mesmo de letristas que admiro como Lou Reed, Ian Curtis, Neil Young; ou no Brasil, de caras como Lobão, Renato Russo, Rubinho Troll (vocalista do Sexo Explícito/antiga banda do John, hoje guitarrista do Pato Fu). Eu também destacaria a influência de amigos e parceiros próximos, como Rubens K (Iris/Terminal Guadalupe), e Igor Ribeiro (Iris), e de artistas contemporâneos brasileiros, como o Beto Só (DF), e Olavo Rocha (Lestics/Gianoukas Papoulas).

Mas isso tudo é mais no plano “subconsciente”, porque na hora de escrever uma letra conta muito mais a intuição do momento ou a sugestão que vem da melodia ou de alguma coisa que você tá sentindo/vivendo. As letras do Oaeoz têm caráter pessoal e confessional, então eu não penso no que vou escrever antes, e muitas vezes só percebo sobre o que estou falando depois que está pronto.

5. Quais os planos depois desse cd? Algo novo planejado?

A idéia é a medida que surgirem oportunidades e convites, tocar ao vivo e mostrar essas músicas, mas a gente tá numa fase bem low profile, então no momento não temos nada oficialmente agendado ou planejado. Pessoalmente, eu estou produzindo um EP em parceria com o Giancarlo Rufatto, que deve sair ainda este ano.

6. Voltando a Curitiba. Por que será que nunca uma banda da cidade estourou pra grande mídia? Nos tempos atuais de myspace e youtube isso ainda é possível?

Eu poderia citar uma série de fatores culturais e geográficos, mas acho que o que acabou sendo determinante mesmo é a questão sorte. Aquela coisa da banda certa, no lugar certo, na hora certa.

Acho sim que isso pode acontecer hoje em dia, mas é preciso ter em mente que o paradigma que a gente tem de sucesso ainda é aquele dos anos 80, 90, de um artista que surgia aparentemente do nada e virava sucesso nacional ou internacional da noite pro dia. E hoje, cada vez mais você vê menos isso acontecer. Os artistas novos que fazem sucesso o fazem em nichos segmentados e não mais para o grande público em geral. Um exemplo é a Mallu Magalhães, que mesmo tendo frequentado todos os programas de TV aberta no Brasil continua sendo uma artista basicamente indie. Ou o próprio Bonde do Rolê, que é ignorado no Brasil e em Curitiba, mas é sucesso em Londres e toca em todos os festivais da Europa.

Essa coisa do grande artista milionário em seu olimpo andando de limusine e recebendo os tubos da gravadora é cada vez mais uma coisa do passado. As próprias gravadoras não investem mais em artistas novos, a não ser quando eles já têm uma base de fãs consolidada, ou seja, já estão prontos.

Então cada vez mais os artistas vão ter que construir suas carreiras de forma independente, procurando atingir o público com suas próprias estratégias, construindo um trabalho de médio e longo prazo. E pra isso, tanto faz ser de Curitiba ou de Itapecirica da Serra.

7. Sobre o selo e o Festival De Inverno, como foi o nascimento de tudo e o que aconteceu para que acabasse? Teremos um novo festival De Inverno ano que vem?

O selo surgiu porque a gente (OAEOZ) não tinha gravadora, então começou a lançar os próprios discos e os discos de amigos e bandas que a gente gostava então criamos um selo pra isso. E o festival surgiu da idéia de reunir bandas novas que a gente curtia em um evento pequeno, mas bem organizado, como forma de chamar a atenção para essa cena.

O que aconteceu foi que nós tivemos um problema grave em 2003, quando o Rock de Inverno 4 foi cancelado porque a casa (Diretoria Café) não tinha a documentação em ordem, e acabou sendo embargada logo após aquela ocorrência de um show no Jockey que terminou com pessoas mortas. Isso gerou uma briga entre o governo do Estado e a prefeitura, e nós acabamos pagando o pato.

Depois disso, a gente ainda fez o Rock de Inverno 5 e 6 em 2004 e 2005. Mas a partir daí resolvemos que só faríamos novamente se conseguíssemos um patrocínio que garantisse fazer a coisa sem tanto sacrifício pessoal, e com recursos que permitissem que o evento pudesse acontecer com uma estrutura melhor. Desde então, tivemos um projeto aprovado pela Lei Rouanet, mas que não conseguimos captar recursos. Inscrevemos outro projeto no edital da Petrobrás, mas não fomos selecionados. E agora estamos na expectativa do resultado do edital da Fundação Cultural para festivais independentes. Se tudo der certo teremos o Rock de Inverno 7 no ano que vem.

8. Quais bandas da cidade estão fazendo um som novo e digno de destaque?

Tem muita coisa boa por aí, sempre. Eu gostei muito de uma banda nova que conheci a pouco tempo, o Pão de Hamburguer, que apesar do nome engraçado faz um trabalho de altíssimo nível, muito bem resolvido tanto musicalmente quanto nas letras. Tem o Je Rêve Toi, duo que combina batidas eletrônicas, violino e guitarra. O Giancarlo Rufatto, um dos melhores compositores da nova geração. Tem o Folhetim Urbano, outra banda do Carlos Zubek, do OAEOZ, que está gravando um disco novo muito bom. E tem outras bandas já mais veteranas, mas que têm lançado bons novos trabalhos, como o ruído/mm, sem dúvida hoje um dos melhores e mais ativos combos da cidade.

9. Pra finalizar, pra você o que é um som genuinamente curitibano?

Acho que genuinamente curitibano é justamente essa diversidade, essa mistura de tribos, etnias e jeitos diferentes de se expressar que convivem no mesmo espaço. Então eu poderia citar coisas tão distintas como Wandula (ninguém faz o som que eles fazem no Brasil, e só poderia ser de Curitiba); ou o Maxixe Machine – um dos melhores textos do pop brasileiro atual, com uma ironia e mordacidade ímpar; o Charme Chulo, que sem dúvida construiu uma das carreiras mais prolíficas e de personalidade no rock brasileiro dos anos 00. Acho que a vantagem de Curitiba – se é que existe – é justamente não estar presa há nenhum estereótipo cultural, como o carioca, o gaúcho ou o baiano. Isso faz com que a gente possa ser tudo o que quiser e ainda assim, ser absolutamente a gente mesmo.

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terça-feira, outubro 14, 2008

Especial Rock de Curitiba: 3 - Poléxia.

Continuando com as entrevistas com as bandas da ex-capital social Curitiba, chega a vez do Poléxia. Sempre fui entusiasta da música, letras e arranjos desse grupo que sabe como poucos dosar o alternativo com o pop. "Eu te amo, porra", "Aos garotos de aluguel" e "Melhor assim" são verdadeiros clássicos do DDD 041.

O segundo disco de estúdio, que está prestes a ser lançado, teve a produção de algumas músicas feitas pelo John do Pato Fu. Além do mais gravaram o clip de "Você já teve mais cabelo" onde toda a banda participou raspando a cabeça.

Tive a sorte de por algumas vezes fazer parte de uma dupla didois com o vocalista Rodrigo Lemos. Tocávamos versões acústicas de clássicos da indiarada no Korova, onde eu nunca conseguia fazer os solos direito. A minha versão preferida era "In the garage" do Weezer em que meu belo solo de flauta doce era essencial. Numa conversa com o Lemos ele fala da banda, de Curitiba, do John... Enjoy!

1. Vcs estao prestes a lançar o segundo disco. Quais as diferenças musicais, conceituais e artisticas entre esse e o primeiro? Segue 100% na raça ou houve ajuda de algum selo?

O disco se chama "A FORÇA DO HÁBITO" e sairá pelo selo Nico Records, de Curitiba. Apesar dessa força com gravação e distribuição, todo o resto segue providenciado pela própria banda e "na raça". Aliás, haja raça; levando-se em conta as mudanças de formação que ocorreram nos últimos três anos e que nos possibilitaram o surgimento de uma "nova Poléxia". Sobre conceito e sonoridade; acho mais importante recomendar a audição das faixas. Dá pra adiantar que as canções falam sobre como é delicioso e ao mesmo tempo angustiante conviver com nossas manias, vícios e costumes... Deveríamos chamar o álbum de "Desejo de Mudança", isso sim.

2. Como foi a experiência de ter o John do Pato Fu como produtor de algumas faixas? Como o cara contribuiu exatamente?

O John é uma figura sensacional; muito carismática. Tivemos apenas três dias para gravar com ele, então tornou-se providencial estabelecermos dinâmica e objetividade no estúdio. Foi um aprendizado destrinchar fragmentos da nossa música para depois colar os caquinhos - um pensamento bem parecido com o da música eletrônica de pulso. Quem ouvir "Você já teve mais cabelo" vai perceber, logo nos primeiros segundos, que a produção do John extraiu todo o sarcasmo e irreverência que procurávamos por tanto tempo (a canção já vinha sendo apresentada em shows, porém com outro formato).

3. Mudou algo do que vc esperavam para o primeiro cd e agora para o segundo? A banda perdeu a ingenuidade em certo ponto?

A gente foi perdendo muita coisa no meio do caminho hehehe. Mas a moral da história é justamente essa: perder. É essencial perder algumas perspectivas, pontos de vista, oportunidades; para que o novo venha. E o novo sempre vem, já dizia Belchior.
Hoje, só esperamos que da música venha mais música - que essa atividade gere uma espécie de reciclagem nas nossas vidas e, eventualmente, nas vidas que nos cercam. É o que realmente importa.

4. Entre o primeiro e o segundo cd houve mudanças na formação da Poléxia, Como isso refletiu no som da banda?

O Neto (bateria) é um gentleman e toca como tal: hora firme, hora delicado e sempre preciso. O Francis (baixo, guitarra e voz) já era nosso amigo há anos e aceitou o convite sem titubear... Ele é um músico completo, com uma sensibilidade nipônica, de fato.
Só quando esta formação se consolidou que percebemos como é bom deixar essas mudanças naturais interagirem com a maneira como a música soa, e com a nossa forma de pensar... Chato seria se resolvêssemos que as músicas que fizemos em 2004 precisam soar exatamente como em 2004, com aquela outra formação.

5. Acham que aumentou o público, melhorou a recepção dos curitibanos e os lugares para shows? Mudou alguma coisa daquela velha choradeira de que Curitiba não tem público que consome rock local?

Preguiça imensa desse papo todo, né? Acho que hoje o consumo de música - inclusive independente - está em todo lugar e onde menos se espera. Sobre espaços para se apresentar, tivemos a oportunidade de ver que muitas cidades sofrem com o mesmo problema: falta de investimento e estrutura para esse segmento de menor porte da indústria da música.
Em contrapartida, muita gente continua fazendo arte; outros vão surgindo e fazendo também. E, contanto que os artistas não comecem a se deprimir porque "o público local não dá prestígio... blá blá...", o mundo continuará a girar.

6. E a mídia curitibana? TV, jornal e rádio colaboram de alguma maneira para que a banda seja conhecida na cidade? O que mais ajuda?

Não temos e nunca tivemos do que reclamar. A imprensa é prestadora de serviço, assim como a classe artística se propõe a ser. Se já ganhamos destaque em veículos locais deve ter sido apenas por merecimento; assim como inúmeros artistas locais e de todo o Paraná figuram nos cadernos de cultura por merecimento e por estarem fazendo algo.
O disco novo traz uma canção chamada "O Inimigo", que brinca com esse jogo de nervos da mídia para cima do cidadão comum. Fica aí o convite à audição.

7. Existe algo de comum entre as bandas independentes da cidade além do sotaque e do cep?

Não. Inclusive, discordo quanto ao "sotaque". Até nisso os grupos diferem. Dá para contar nos dedos da mão do presidente Lula o número de bandas que se parecem entre si em Curitiba.
Esse é o paraíso e inferno da cidade.

8. Como foi a gravacao do clip de vc ja teve mais cabelo? Fale um pouco disso, qual a historia do clip e quem teve a idéia de todo mundo rapaz a cabeça.

A cabeça raspada representa um recomeço. É um rompimento - por que não?
Acho que tive a idéia após pensar que a banda deveria reaparecer como nunca foi vista.
E, por incrível que pareça, nem foi tão complicado persuadir os outros integrantes; ainda mais quando contamos com uma equipe tão boa como a da Cine TV (escola de cinema de Curitiba), todos sob a direção do João Marcelo Gomes. O videoclipe é super trash e descontraído; mostra os integrantes (em trajes nada típicos) sendo raptados e tendo seus cabelos cortados... Está em fase de edição e logo vai para o You Tube.

9. Planos para 2008 e 2009?

Neste momento, o Iuri Freiberger (produtor, músico da banda gaúcha Tom Bloch) está realizando mixagem e masterização para "A FORÇA DO HÁBITO" em seu estúdio no Rio de Janeiro. Até o fim do ano já temos previsto: o retorno aos palcos, o lançamento virtual deste álbum, bem como o trabalho de divulgação nas principais capitais do país. Para 2009, a intenção é dar continuidade cavando vaga nos principais festivais e mostrar esse repertório para o maior número de pessoas interessadas.

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terça-feira, setembro 30, 2008

Especial Rock de Curitiba: 2 - Mosha

Depois de bandas de Buenos Aires e da Suécia, chegamos a Curitiba. E a primeira banda entrevistada é a que eu mais gosto da cidade: o Mosha.

Cantando em inglês e com evidentes influências do britrock, o auge do quarteto foi no início dos anos 2000, quando a banda lançou seus dois ep's. Eram loops e samples muito bem aproveitados num tempo em que gravar em casa e com qualidade era bem mais complicado.

Desde que, em 2002, o Digão me apresentou a banda em numa coletânea não parei de ouvir. Cheguei a conhecer os caras e participar de umas jams na casa do guitarrista Dado, junto com o baterista Léo Macaco, o vocalista Fricks e o baixista Mário Baena. Uma oportunidade muito legal de poder tocar as músicas dos caras, tocar outros clássicos de bandas que a gente gostava como Oasis, Verve e Paul Weller e claro, falar e falar sobre música.

O fanatismo foi tanto que gravei um cover da música "No one's land" com o Rômulo, baterista da minha banda na época e que agora ensaia com eles um possível retorno.

Chega de babação de ovo e vamos ao papo que tive com o Dado, onde ele fala da evolução das bandas da cidade, da situação atual da banda e do novo cd do The Verve.

1. O Mosha voltará à ativa? Existe algum show marcado, estão ensaiando?

Não sei se vc soube mas o Mario, nosso baixista, faleceu ano passado. Aí deu uma esfriada na banda. Voltamos a nos encontrar eu, o Fricks e o Mola, para retomar o MOsha e chamamos o Rômulo para tocar baixo em umas jams que fizemos.

2. Como a banda começou?

A bando começou em 97, passou por duas fases, uma mais eletrônica e outra mais acústica. Participamos de algumas coletâneas , TV ciclojam e lançamos dois eps. Há dois anos demos um tempo.

3. Você vê alguma diferença entre o público, mídia local e os lugares de shows de Curitiba de agora e de 8, 10 anos atrás? Houve alguma evolução?

Com a minha primeira banda de música própria , o Tessália de 1987, os lugares para tocar eram poucos mas existia um sentimento que a música própria era o caminho a seguir pela maioria das bandas locais. Então o público prestigiava e comparecia em massa em bares com o BLUES BAR. Foi uma época muito boa até 1990 quando fui morar em Londres. Estou meio afastado da cena local, mas o Mosha tocou em vários bares da cidade e me lembro bem do James. Lançamos nossos eps lá. Foi uma fase muito legal, o prêmio FUN, o Basement Music, o Abonico. Hoje o espaço das bandas foi ocupado pelos Djs, mais prático, mais barato, menos problema de espaço, de técnica, de som, etc...

4. Antes havia as coletâneas dos jornais e o Ciclojam. Hoje temos o myspace, youtube e etc. Falta um pouco a cobertura regional?

Acho que não,hoje parece mais fácil mas não sei se é. O difícil é ser notado nesses novos espaços virtuais, mas ainda acredito que nada substitui a banda ao vivo. O Mosha sempre foi melhor ao vivo que gravado. A música ao vivo é uma commodity que nunca vai deixar de existir!

5. Sempre que se fala em Mosha, a música Spacemen é comentada, sendo de longe a mais conhecida. A que se deve isso?

Ao Ciclojam, fizemos o primeiro piloto do programa e duas de nossas músicas foram escolhidas, para abrir o programa HANG BACK e para fechar SPACEMEN !

6. As música dos 2 ep's gravados tinham várias inserções eletrônicas. Existe algo preparado nesse estilo, novas músicas?

Existem alguma músicas que eu e o Fricks fizemos com samplers de baterias , já há algum tempo, mais ainda não gravamos

7. Existe algo que pode ser considerado um som curitibano? Alguma característica comum às bandas da cidade?

Não sei dizer. Como Curitiba é multicultural de forte influência européia, por sua colonização, acho que essa é a característica mais presente no som das bandas locais.

8. Alguma banda da cidade que você gosta?

Tô compondo pela primeira vez sozinho, tenho umas 16 musicas e tô gotando de mim no momento, hehehe...estou meio por fora, tive filho...sabe como é. Mas vi um show da RELESPUBLICA outro dia e os caras estão na ativa com tudo. Só lamento o som do PA sempre ser meia boca, falta técnico, falta técnica, ninguém estuda, sei lá. Acho que sempre foi assim por aqui. O técnico de som era o "cabo-man" que foi promovido, e se o cara sabia o que estava fazendo e tirava um som melhor já ía para São Paulo.

9. Para terminar, o que achou do novo cd do The Verve?

Meio estranho, tô com ele no meu ipod mas ainda não digeri...
Quando o verve acabou, eu vi o primeiro show solo do Richard em Londres em 2001. Achei podre, parecia banda de baile. Tinham até músicas boas, mas a execução... Acho que por isso ele tentou voltar com o Verve, as guitarras são legais , é mais banda, mas dá a impressão que fizeram o disco no estudio, tipo sem falar um com o outro... sei lá... já dizia John Lennon "The Dream is Over", so Move On ...

Site oficial: www.mosha.com.br

Aqui uma música deles no extinto Ciclojam

domingo, setembro 21, 2008

Especial Rock de Curitiba: 1 - Intro.

Depois de entrevistar 4 bandas da Suécia e outras 4 da Argentina, por que não entrevistar bandas que eu realmente conheço aqui? Essa é a idéia do Especial Rock de Curitiba.


Entre 2003 e 2005 tive banda por lá e pude viver as dificuldades e as particularidades da cena da cidade. Agora, três anos depois, a curiosidade de saber se algo mudou, progrediu ou até mesmo piorou na cidade, me motiva a entrevistar essas bandas com as quais convivi por algum tempo.

A primeira entrevista da lista é do Mosha. Stay tune!

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