
Liniers, o cartunista das tirinhas Macanudo, está "imparable". Lança hoje o sétimo livro de suas tirinhas diárias do La Nación.
O sexto eu tenho, autografado e com uma capa personalizada como postei aqui ano passado.
sexta-feira, dezembro 11, 2009
Macanudo 7
quinta-feira, setembro 03, 2009
Faceboom - O livro
Tá todo mundo falando e comentando. Não tenho ideia do conteudo, mas a ideiado livro Facebool é ótima.
Um amigo de um colega de trabalho, que sempre colabora pra Revista Nah!, que escreveu.
Aqui o genial vídeo comercial, que compara o Facebook com a vida real. Qualquer um que já usou o site se identifica.
Aqui o site oficial do livro.
Valeu, Bernales, pela dica do vídeo.
quarta-feira, junho 17, 2009
O sujo de Havana
Não gosto de livros obscenos e toscos. Para mim raramente essas duas coisas são colocadas de formas naturais. Quase sempre é uma forçada de barra.
O cubano Pedro Juan Gutiérrez é exatamente o contrário disso. Nem adianta escrever muito aqui, porque o talento do cara não é nenhuma novidade, a não ser para mim.
Li rapidamente "O insaciável Homem-Aranha" e, ainda digerindo toda essa tosqueira e podridão, já comprei outro do autor, dessa vez em espanhol. A tradução ao português pareceu meio estranha em alguns momentos.
O cara desenvolveu uma forma de narrar única na literatura. Autor e personagem se misturam e você não sabe o que é ficção e o que é autobiográfico.
Seu universo é sua cidade e seu bairro. Morando na cobertura de um prédio tosco e sem elevador da capital de Cuba, Gutiérrez assiste e participa de acontecimentos marginais: crimes, sexo, merda, sujeira, pobreza e surrealidade.
Nno seu mundo tão bem construído, essas coisas aparecem tão naturalmente que nem são tão chocantes. Elas simplesmente precisam estar ali.
Ainda estou conhecendo esse mundo e ainda há muito mais para ser lido!
terça-feira, maio 19, 2009
Eterna Cadencia

Buenos Aires está cheia de livrarias majestosas e gigantes, mas também existem várias outras menores e mais aconchegantes. A Eterna Cadencia, que fica quase em frente onde trabalho em Palermo, é definitivamente uma delas.
Já tinha visitado antes o lugar quando o Daniel Galera estava pela cidade e fomos lá para um cocktail cheio de escritores vergorrágicos, que com a ajuda dos drinks gratuitos ficavam mais engraçados ainda.
Agora descobri um ciclo de leitutas e entrevistas com diferentes autores da cidade. É toda terça, no pequeno café que fica dentro da livraria. Um dos convidados de hoje era o Ariel Magnus, que além de escrever para vários jornais da cidade, já teve uns 4 livros lançados, ganhando alguns prêmios com isso. Ele, que parece uma versão mais jovem do Leôncio do Pica-Pau, parece ter uma obra bem interessante. Vou ver se compro algum livro do cara.
Quem deu a dica do evento foi do Barbón, que também escreveu sobre ela no seu blog de turismo.
Site: http://eternacadencia.com.ar/
terça-feira, maio 12, 2009
Liniers na Folha de São Paulo
Segundo o blog Universo HQ e o próprio comentário do Liniers no seu blog oficial, tudo indica que suas tirinhas Macanudo também serão publicadas na Folha de São Paulo.
O livro Macanudo já foi lançado em português. Aqui na Argentina já está no sexto livro, fora os especial que o desenhista lança como o Oops, em parceria com o músico Kevin Johanse. Comprei recentemente esse e estou devendo um post sobre.
sábado, março 07, 2009
Perón pedófilo, Evita vagaba.
O ex-presidente argentino é um ditador de pinto pequeno, que pega virgenzinhas e depois faz com que elas abortem. Já Evita é uma vadia que libera geral e ajuda os nazistas, tudo sob orientações do Papa. Buenos Aires é uma cidade que fede a fumaça de carros, cigarro, café, carne e dinheiro.
Tudo isso pode ser encontrado en "A quiet flame", um dos últimos livros do escocês Philip Kerr, lançado no ano passado.
Garantia de muita polêmica pela frente aqui por esses lados. Mais aqui.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Buenos Aires Herald
O Buenos Aires Herald seria apenas outro dos vários jornais que circulam pela capital argentina se não fosse por um simples detalhe: ele é todo em inglês.
Fundado em 1876, o periódico vive até hoje, tendo atuações importantes na história do país. A principal delas, talvez, tenha sido seu papel contestador na época da ditadura. O Herald porteño perguntava pelos desaparecidos e enfurecia os militares com seus editoriais, ganhando notoriedade na sociedade pela suas denúncias de abuso dos direitos humanos.
Robert John Cox era um jornalista inglês que trabalhou no veículo como editor exatamente durante a ditadura. Largou tudo na Inglaterra e veio de mala e cuia para a Argentina, onde ficou até 1978 quando o governo finalmente o expulsou do país.
"Dirty secrets, Dirty war" é o livro lançado recentemente em inglês, escrito pelo seu filho David, com ajuda de cartas e o arquivo pessoal do jornalista. É uma espécia de biografia do editor, desde sua infância, a guerra da Coréia e sua chegada em Buenos Aires com 26 anos.
O Diário Perfil mostra uma parte do primeiro capítulo do livro, que ainda não foi lançado em espanhol.
Aqui o site oficial do ainda ativo, e bilíngue, Buenos Aires Herald.
E aí uma foto do cidadão hoje.
sábado, janeiro 10, 2009
O Fantasma da Infância.
Taí mais um belo livro do Cristovão Tezza. Editado pela primeira vez em 1994, ele entrou na onda de relançamentos do livro do autor pela Editora Rocco.
Graças a minha semi-obsessão em ler todos os livros do autor, que com seus dois últimos livros "O fotógrafo" e "O filho eterno ganhou muitos prêmios e o reconhecimento mais do que merecido pela crítica e público, faltam poucos para terminar. "O ensaio da paixão" e "Aventura provisórias" estão na lista. Só tenho que comprar da próxima vez que estiver no Brasil.
"O fantasma da infância" tem duas histórias paralelas que aos poucos começam a fazer sentido em toda a trama. Em uma, um escritor (personagem recorrente dos livros do Tezza) responde um anúncio classificadoe acaba sendo sequestrado e mantido em cativeiro em uma luxuosa casa do Jardim Social em Curitiba. Na outra, um bem sucedido assessor político recebe a visita de um velho amigo, que conhece um lado obscuro do seu passado.
Os personagens de Tezza são sempre muito cultos, ou ao menos com aspirações intelectuais, e por isso acabamos lendo e vendo muitos insights e frases inteligentes que nos fazem ver e pensar coisas que sempre estiveram ali e fizeram sentido, mas nunca percebemos. Seria interessante ler o escritor falando de um cara ignorante e sem cultura, só pra ver do que ele é capaz!
Pra mim, um clássico.
terça-feira, janeiro 06, 2009
More books on the table
Ando lendo bastante. Entenda-se bastante apenas aquilo que é bastante para mim, não para a média mundial. Garanto que existe gente que lê 10 vezes mais que eu.
Não sei se é saudosismo ou uma busca de raízes, mas os últimos livros comprados tem tudo a ver comigo.
Drummond, que por mais que tenha vivido tantos anos no Rio de Janeiro, não deixou nunca de ser mineiro, itabirano para ser mais específico. Comprei o "Dossiê Drummond" do Geneton Moraes Neto e não pude parar de ler até que chegasse um final. Um frenesi total.
É exatamente na cidade de Santa Maria de Itabira, a poucos quilômetros de Itabira, que meu vô morava e onde boa parte da minha família materna nasceu. Muitos tios e primos meus ainda estão por lá. A maioria acabou indo rumo à Itabira, que comparada a Santa Maria, é praticamente uma metrópole.
Do outro lado, Tezza e Trevisan, da antipática Curitiba para qual ainda sonho voltar um dia. Fico imaginando às vezes se não é uma preguiça mental de imaginar cenários e situações o fato de adorar encontrar lugares conhecidos em seus livros. A simples menção de um trilho de trem em "O maníaco do olho verde" do Trevisan já me transporta ali para o Cristo Rei. Ou falar do Passeio Público traz a idéia de um lugar decadente que um dia, faz bastante tempo, tentou ter um certo charme. Já tenho todos os detalhes em minha cabeça, nem preciso criar nada.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Melhores do Ano
É dezembro e começam a pulular as listas dos melhores de 2008 por aí.
Não tenho muita paciência para fazer a minha aqui, mas de duas coisas tenho certeza.
O melhor filme é "O Escafandro e a Borboleta", que me deixou pasmo com a beleza da fotografia e a história tão comovente, sem apelações melodramáticas. Sem esquecer, é claro, da belíssima banda sonora. Um clássico que foi direto pra minha lista de filmes preferidos de todos os tempos.
Já o melhor livro simplesmente não sei. Já que "O Filho Eterno" do Tezza foi lançado em 2007, a coisa fica complicada. Ainda não li "O maníaco do olho verde", do Dalton Trevisan, mas aposto desde já que deve ser um dos melhores do ano.
Quanto ao melhor CD, estou em dúvida, mas certamente um dos favoritos é o Dwell, dos caras do The Envy Corps. Essa banda americana do Iowa, que é algo como o resultado de uma colisão entre Muse e Radiohead da fase The Bends com uma pitaca daquela veia épica do Doves, lançou um dos mais empolgantes discos do ano e poucas pessoas falaram disso.
O que mais me contagia neles é essa guitarra crescendo que dá todo um climão de algo que vai explodir a qualquer momento na maioria das músicas, além da bateria envolvente, quebradona e um tanto quanto imprevisível. Sem falar que o cara canta muito, mesmo lembrando um pouco o Thom Yorke.
Eles também mandam muito bem nos clips. Aqui dois deles. Em "Wires & Wool", um cara com uma caixa misteriosa é perseguido por uma galera e em "Story problem", eles brincam com esses game shows japoneses do estilo Olimpíadas do Faustão.
Wires & Wool
Story Problem
terça-feira, dezembro 02, 2008
Cordilheira
Desde que o Daniel ficou hospedado aqui em casa faz umas semanas, por causa do Filba (Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires), fiquei curioso para ler seu livro Cordilheira.
É o primeiro da coleção Amores Expressos, onde cada escritor foi mandado para uma parte do mundo para escrever uma histórias de amor. No caso de Cordilheira, o cenário da história é Buenos Aires e exatamente isso me chamava tanta atenção. Como um cara que não mora aqui retrataria a cidade?
No livro, Anita é uma escritora que acaba de terminar com o namorado e ainda se recupera do impacto do suicídio de uma amiga. No meio disso ela recebe um convite para promover seu livro em Buenos Aires e acaba conhecendo Holden, um fã de sua obra que tem um grupo de amigos que fazem parte de um tipo de seita literária bizarra. Ela está louca para engravidar e pensa que essa é a oportunidade ideal para isso.
Posso dizer que está tudo lá. O cara teve o dom de não cair em clichês sobre Buenos Aires e vai muito além, falando de lugares e coisas que os porteños realmente vivem, e não os turistas. Desde a descrição de um argentino intelectualóide típico, dos taxistas, dos locutórios, do lixo do lado do murinho da Costanera Sur, do bar do Roberto em Almagro, do bar do Gallego em Palermo, das ruas de San Telmo e da milonga La Catedral. Interessante é até reconhecer personagens como o bigodudo da Ugi's, pizzaria barateira há duas quadras daqui de casa, que coloca o orégano com a mesma mão que recolhe o dinheiro. Falando nisso, olha ele aí!
quarta-feira, novembro 26, 2008
Amor líquido
Zygmunt Bauman é um cara que curte um cachimbo, a foto comprova. Além disso, esse filósofo e sociólogo polonês, é autor de Amor Líquido, livro que faz uma certeira análise da sociedade globalizada e tecnológica atual.
Vago? Téorico demais? Eu, que não sou mesmo fã de ensaios, não precisei entrar em alfa para aproveitar a leitura, muito fácil por sinal já que é dividida em tópicos.
Basicamente o Zygmunt compara as relações humanas a um mercado de negócios, onde todos estão pensando em custos e benefícios. Poucos são os que se arriscam. Quando menos se investe, menos se perde, mas todo mundo quer ganhar com essa merreca. E é claro, estamos sempre olhando para o lado para ver onde podemos conseguir um maior e mais rápido lucro. As pessoas se juntam já pensando em como escapar. Algo como dar um nó tomando muito cuidado para que ele fique frouxo. Existe um temor mortal ao vínculo, que virou sinônimo de dependência paralizante.
Senti muito identificado quando ele fala da tecnologia. Celulares e a internet permitem que os que estão distantes se conectem, mas também permitem que continuem distantes. Todos se conectam, ninguém se relaciona.
Zygmunt consegue enxergar o óbvio que todos vivemos, mas que não percebemos porque estamos completamente imersos nessa realidade.
Amor líquido é como um chá de boldo. É amargo, mas faz um bem danado
sábado, novembro 15, 2008
Liniers - Macanudo #6
Aqui acabou de ser lançado o sexto livro Macanudo do Liniers (mais sobre ele aqui) e os primeiros 5 mil exemplares serão personalizados por ele.
Começou ontem uma série de tardes/noites de autógrafos onde ele desenha cuidadosamente cada cada capa, de acordo com o gosto do freguês. Como era perto de onde trabalho, fui lá comprar o meu livro único personalizado e intransferível.
Cheguei e vi uma considerável fila e por sorte consegui pegar a senha númeor 60, a última da noite. Ou seja, tive que esperar o Liniers fazer detalhadamente 59 capas antes de mim. E olha que cada uma levava mais ou menos uns 5 minutos ou mais para ser feita.
Quando chegou a minha vez, pedi para que ele desenhasse a Olga, um monstrinho simpático das sua tirinhas. Pedi também para ele colocar alguma coisa que tivesse a ver com o Brasil e acabou sendo um Cristo Redentor. Ele também pos a tradução de Macanudo em português: Supimpa.
Supimpa, não?
quarta-feira, outubro 29, 2008
Dia Nacional do Livro
Hoje é o Dia Nacional do Livro e esses são uns dos dois primeiros livros que li na vida.
1. Meu pé de laranja lima
Um clássico infantil. Mesmo publicado em 1968 continua sendo um campeão de adaptações para cinema e tv. Ouvi dizer que até adaptaram para quadrinhos na Coréia.
2. Bulunga - O rei azul
Um clássico do Pedro Bloch. Um rei que é gato e azul, macacos usam óculos. Uma viagem psicodélica infantil que acaba ensinando muito sobre preconceito.
quarta-feira, outubro 22, 2008
Liniers no Brasil
Finalmente os livros do Liniers vão ser lançados no Brasil!
Macanudo, sua tirinha diária inocente e agridoce do La Nacion, já deu origem a 5 livros da série aqui na Argentina. É um tipo de humor com pitadas filosóficas, sempre doce e cândido, que consegue agradar de forma quase unânime. Entre seus vários personagens, meus preferidos são o cara que traduz o nome dos filmes, a inocente Enriqueta, o gato Fellini e os vários pinguins.Em 2006 vi o talento dele em vivo durante um show do Kevin Johansen no Planetário de Palermo. Enquanto as músicas rolavam, Liniers fazia desenhos e histórias de acordo com a letra de cada canção e todo o público acompanhava isso ao vivo num telão. Foi ótimo!
Ultimamente ele anda cada vez mais pop. Primeiro desenhou a capa do cd "Logo" do Kevin Johansen, de quem é amigo pessoal, e depois a do cd "La Lengua Popular" do rockstar Andrés Calamaro.Além disso ele já lançou o livro Bonjour, um pouco mais ácido e anterior ao Macanudo, e o recente Conejo de Viaje, que mostra as aventuras reais do escritor. Desenhado como um coelho no livro, o cartunista viaja pela Antártida, Europa e até mesmo no Brasil, onde ele teve um fim de semana de chuva em Ubatuba.
Mesmo com a concorrência de alfajores e vinhos, talvez o Macanudo seja o produto argentino que mais fiz propaganda e mais levei de presente pro Brasil. Quando cheguei aqui, há quase 3 anos, seus livros Macanudo podiam ser comprados por módicos 17 pesos.
Brasileiros, fiquem ligados nas livrarias! Vale muito a pena!
Para ver as tirinhas diárias dele existe um blog alimentado por uma alma caridosa que posta diariamente. Autoliniers* Informação tirada do blog Tangos e Tragédias.
segunda-feira, setembro 01, 2008
Ser feliz me da vergüenza.
Sempre acabo caindo nas mesmas armadilhas. Não devemos julgar um livro pela capa, mas frequentemente julgo um livro pelo título.
Foi mais ou menos a mesma coisa que aconteceu quando comprei "Aerosmith es una mierda y otros cuentos". Estava de bobeira no shopping, achei o título do livro legal, vejo conheço o autor por causa da Tv e acabo levando. Dessa vez rolou até uma camiseta de brinde! Uhú!
Convenhamos que livro bom não precisa vir com brinde e é mais ou menos esse o caso de "Ser feliz me da vergüenza", o segundo livro do Sebastian Wainraich. O escritor, que é mais conhecido como apresentador-humorista de programas da tv argentina como TVR e também de um quadro do Duro de amor, escreve uns contos descartáveis, pouco ácidos e tragicômicos.
Os contos são envolventes, leves e rápidos, assumindo quase sempre uma veia semi-autobiográfica. Uns causos muito engraçados que sempre acontecem no universo de uma pessoa semi-famosa que leva uma vida meio loser.
Não que isso não signifique alguma coisa mas é um livro muito melhor que o "Aerosmith es una mierda". Não fede nem cheira, não agrada e nem desagrada. Não é de todo ruim, mas não há a mínima necessidade de alguém comprar, coisa que eu fiz.
Enfim, por causa de babacas como eu, pessoas como o Sebastian Wainraich vão continuar escrevendo livros desnecessários que vem com uma camiseta de brinde.
Falando nisso, estou pensando em dar a camiseta de presente.
terça-feira, julho 22, 2008
Chega de saudade.
Engana-se quem pensa que saudade é a palavra mais difícil de se traduzir em todo mundo. A mais difícil é "ilunga", saudade é só a sétima colocada. Quem diz isso é a BBC e geralmente ela não costuma estar errada.
sexta-feira, março 28, 2008
Me gustas cuando callas.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
Pablo Neruda.
(e tem uma música do Brazilian Girls com essa letra)
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Santos - J.R. Duran.
Sabe o J.R. Duran? Aquele fotógrafo que tira foto de mulher pelada?
Pois é, esse cara escreveu um livro. Na verdade escreveu até dois.
No começo de janeiro estava em Curitiba e me deparei com esse dois livros no cestão de ofertas das Livrarias Curitiba por R$ 4,90 cada.
Um livro de um cara que tira foto pelada e que custa menos de 5 reais. Ou seja, só podia ser uma bosta. Mesmo assim corri o risco e comprei os dois livros, "Lisboa" e "Santos", principalmente porque um levava o nome da cidade onde fui criado. Na pior das hipóteses, minha estante de livros ficaria um pouco mais recheada.
E vou te contar que o livro, Santos, não é dos piores. A narrativa do J.R. é até bem envolvente e me ganhou. Não estamos falando obviamente de um novo Guimarães Rosa, mas o enredo é interessante.
A história fala de um crime que não dá certo: um sequestro onde a própria vítima colaborava para ter uma parte do resgate. Tudo isso tendo como cenário os canais de Santos, o cheiro do porto, o ferry-boat, os clubes da Ponta da Praia, Guarujá e etc. O final é daqueles para lá de previsíveis e meio que caga tudo, mas a gente perdoa.
***************
Não quero que esse blog se torne um blog de resenhas de livros e filmes. Tô sentindo falta de um post no melhor estilo desabafo diarinho. Mas escrevemos o que vivemos, certo? Mas fazer o que se está faltando emoção e sobrando horas no torrent ou deitado no sofá lendo?
domingo, janeiro 20, 2008
O Caçador de Pipas - o livro e o filme.
Tenho um leve preconceito contra best-sellers. Tudo bem que adorei "O Código da Vinci", mas mesmo assim odeio "best sellers"!
Acontece que minha tia Martha insistiu para que eu lesse "O Caçador de Pipas". Insistiu tanto que acabou me dando de presente o livro. Ou seja, não dava para fugir. Perguntei-me onde é que eu estava já que nunca tinha ouvido falar desse livro! Nunca!
Trata-se de uma história sobre a amizade de dois meninos afegãos, tendo como pano de fundo as guerras e reviravoltas desse país. Confesso que demorou para o livro me "fisgar", mas quando fui conquistado não consegui mais parar.
É uma história bem daquelas emotivas. O narrador, Amir, é de uma família considerada rica em Cabul e tem como melhor amigo Hassan, o filho do empregado da casa que é fiel como um cachorro de rua adotado para com ele. A Rússia acaba invadindo o Afeganistão e Amir e seu pai acabam tendo que fugir do país. Muitos anos depois, Amir volta em busca de uma criança e encontra sua terra natal dominada por talibãs, com uma sociedade bizarra.
Cheio de flashbacks, citações e palavras na língua original farsi , o livro acaba mostrando de uma maneita interessante todos os costumes, a políticas e as relações sociais do país, principalmente quanto às distinções existentes entre as castas. Amir é rico e tem dinheiro e seu melhor amigo é Hazara, uma das piores raças possíveis. A honra também é uma coisa importantíssima na sociedade afegã dos anos 70, mais até mesmo que a própria verdade. Isso é latente na história.Marc Foster é o diretor da versão cinematográfica da história. Basta dizer que o cara dirigiu, entre outros, de "Mais estranho que a ficção" e do ótimo "A passagem".
Obviamente muita coisa acaba se perdendo ao se passar para pouco mais de duas horas, uma história que se passa durante mais de 30 anos. Sem a presença do narrador em primeira pessoa, perdemos muito dos sentimentos do personagem, mas não imagino como poderia ter sido de outra maneira.
Ao contrário do livro em que a história vai e bem, o filme é bem mais linear: apenas um flashback. As partes que foram cortadas, em sua maioria, são as menos importantes e a história flui normalmente. Talvez só no final, quando não se fala nada dos problemas burocráticos da adoção da criança que fica meio estranha. Se fosse explicado seria muito mais facil o comportamento estranho do menino. Ótimo também a escolha por atores locais desconhecidos e que falam de verdade a língua nativa.
Muito se falou de uma polêmica cena de estupro que é detalhada no livro. No filme, o episódio tem o mesmo impacto no enredo, porém é narrado de uma forma nada explícita e um tanto quanto impressionista. Não entendi porque tanto alarde pela cena.
O Caçador de Pipas é um dos poucos casos onde o livro é muito bom e o filme está à mesma altura. Se você ainda não viu/leu, saiba que a história é muito mais que duas crianças e uma pipa. Se você é do tipo que chora em filme, não esquece o lenço.
Moral da história: às vezes é impossível não se render ao hype.
