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terça-feira, setembro 08, 2009

Hotel avenida lança Cd ao vivo

O Hotel Avenida, uma das melhores novas bandas, mas de gente muito experiente, de Curitiba está lançando um Cd ao vivo. São as gravações do show da sétima edição do festival Rock de Inverno.

A união de Giancarlo Rufatto, o cara que compõe tanta música que faz parecer que é algo fácil, com o Ivan Santos, frontman do lendário Oaeoz, se tornou uma espécie de "All Star Band" já que reúne só grandes músicos da cidade.

Sobre o bootleg ao vivo, Ivan diz: "o legal é que justamente por não ser uma coisa planejada, tem todo aquele caráter de gravação ao vivo mesmo, com erros e acertos, e sem nenhum overdub ou pós edição. É o que é a banda ao vivo é pronto. Sem maquiagem.".

Eu, que ainda não vi os caras ao vivo, assino embaixo. As letras estão entre as melhores do que está sendo feito ultimamente por aí. "Eu não sou um bom lugar" e "Um centavo" são clássicos desde já!

Clique na foto abaixo para baixar o disco.


E aqui o Gian fala um pouco da banda e do cd.

1. Como surgiu a idéia do Hotel Avenida? Pq a parceria junto com o Ivan não foi "suficiente"?

O Ep que colocamos nossos nomes – meu e do Ivan na capa inicialmente se chamaria Hotel Avenida, mas acabou sendo usado para o projeto banda. O Ivan sempre falava que eu deveria ter uma banda pra tocar meus discos e como nossa parceria deu certo, chamamos os melhores caras que conhecíamos pra tocar junto e tcharam: Hotel Avenida. Funcionou muito bem com pouquíssimos ensaios e muitos integrantes se revezando, sete no total até agora.

2. Fale um pouco do bootleg e pq vcs decidiram lancá-lo como um cd.

Não é exatamente um cd, não foi planejado, mas o resultado de um show cru me agradou bastante. Não há produção que melhore uma canção ruim e de certa forma o oposto também vale não há gravação ruim que consiga estragar uma boa canção. Não que nossas canções sejam essa maravilha toda, as canções tem defeitos, errinhos e desafinadas como em todo show de verdade e é nisso que está a graça. Depois de tanto tempo gravando em casa sou totalmente a favor de só gravar ao vivo.


3. Como são as composições, como aparecem? Quem decide quem canta qual? Ect etc etc...

Não vou mentir, eu componho o tempo todo e tenho material pra uns três discos cheios (10 canções por álbum). Muitas das canções que a Hotel toca hoje já existiam há 2, 3, 5 anos, mas eram impossíveis de executar não fosse por uma banda como essa - o que explica o fato de querer gravar ao vivo. Também há nossas canções em parceria. Eu insisto em mudar o estilo das composições do Ivan, foi assim com “Um centavo” cuja melodia do Ivan e letra minha eram para uma balada. Eu acelerei e escrevi um texto com refrão sem métrica e o Ivan colocou o tempo de acordo com a voz dele – tanto que eu não consigo canta-la. Não tem muita manha pra isso, compor é mais ou menos como ir ao banheiro.

4. O que é esse "som de igreja" que vc comentou sobre a banda?

Eu brinco com duas coisas. coisa um: que o som da Hotel tem de ser atemporal, ser uma banda de canções a moda antiga, daquelas que se você arrancar tudo e deixar apenas a voz e melodia ainda é possível identifica-la. Coisa dois: a mensagem. Bandas de igreja são apenas coadjuvantes de uma mensagem maior. É uma banda que tem a função de ser mais celebração de um sentimento coletivo e isso tem de ser maior do que qualquer outra coisa.

5. Já lançaram o single e agora esse bootleg. Quando vai rolar o cd? O Hotel Avenida faz planos ou só deixa a vida levar?

Não sei te dizer, a gente lança esse bootleg, em outubro sai outro ao vivo desta vez pelo projeto da Mundo Livre Fm e talvez mais um EP solo meu, depois só Deus sabe. É muita coisa e tudo tem de ser pensado de outra forma hoje em dia. Um disco cheio ou algo com mais de 5 faixas é praticamente inviável em tempo de “ouça hoje, esqueça amanha” e sempre acaba-se perdendo alguma coisa. Minha opinião é que na maioria do casos a melhor canção está sempre entre as ultimas.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Especial Rock de Curitiba: 6 - Copacabana Club

Aproveitando o gancho que ontem foi publicada na Ilustrada da Folha uma bela nota sobre o Copacabana Club, aqui vai a entrevista com a Claudinha, a baterista do grupo.

Infelizmente, ao contrário das outras bandas entrevistadas pelo Aires Buenos, nunca vi um show deles. São do meu período pós-Curitiba. Mas mesmo tendo um ano de idade e lançado até agora só o EP "King of the night", conseguiram conquistar uma pequena legião de fãs admiradores não só na cidade. As músicas são do tipo que não deixam ninguém parado, extremamente acessíveis e com refrões poderosos, provando que o indie rock não é um gueto. Ele pode ser pop!

Na entrevista, a baterista Claudinha Bukowski fala de como surgiu a banda, do público de Curitiba, dos shows, blogs e sobre seu passado como cover da Meg White.

Música dançante não é sinônimo de axé, abadás e coreografias toscas, meu caros! Leiam!

1. De onde veio à idéia de formar uma banda com músicas dançantes? Como é ser uma banda assim em Curitiba, onde a ginga e a malemolência é quase zero?

A idéia de montar a banda veio de uma conversa do Alec com o Luli. O Alec tinha morado um tempo em Londres e voltou para Curitiba cheio de idéias, querendo montar uma banda com músicas animadas, coisas que funcionassem na pista. Então eles falaram comigo, Camila e Tile. Todos gostaram da idéia e depois de algum tempo (e muitos ensaios) a banda foi batizada de Copacabana Club. Olha, concordo que Curitiba não é a capital da ginga, mas o pessoal por aqui não deixa a desejar. Os shows do Copacabana são muito animados e agitados, e isso se deve tanto a banda quanto a empolgação do publico. Estamos mais preocupados em fazer o público pular e se divertir da pista e, com ou sem ginga, parece estar dando certo.

2. Você já participou do White Strippers e outras bandas. Na sua opinião o público curitibano ficou mais receptivo e os lugares para show melhoram nos últimos tempos? Rola um pequeno frenesi pelo Copacabana Club, não?

O público definitivamente está mais animado. Voltou a ter curiosidade de assistir shows, tanto de bandas locais como bandas de outros estados. Com relação aos lugares, infelizmente acredito que a situação continua a mesma, se não estiver pior. Ainda são poucos os bares em com uma boa infra-estrutura e os espaços de médio porte fecharam. Mas acredito que aos poucos, com o público mais animado e as bandas trazendo um pouco mais de retorno financeiro, os espaços para show terão condições de melhorar suas instalações e equipamentos. Já existem bares de Curitiba fazendo reformas se preparando para receber melhor as bandas. Torço para que os outros sigam o exemplo. As bandas, o público e os próprios estabelecimentos só tem a ganhar com isso. Eu não sei se eu chamaria a atual situação do Copacabana de “frenesi”, mas eu sei que o retorno que estamos tendo na mídia, blogs e principalmente com o público é algo que eu não tive com outras bandas. Estamos nos dedicando cada vez mais a banda para manter o mesmo ritmo de shows e trazer músicas novas para manter a animação e curiosidade do público.

3. Vocês tiveram uma ótima recepção na blogosfera brasileira, como foram recebidos aí na mídia tradicional de Curitiba?

A recepção dos blogs realmente nos surpreendeu. A mídia tradicional foi menos intensa que os blogs, mas ainda assim acho que foi acima do esperado. Principalmente em outras cidades. Fomos entrevistados pela Folha de Londrina assim que foi lançado o MySpace e quando fizemos o show em Florianópolis saíram matérias em 2 jornais e fomos entrevistados pro uma rádio local.

4. E vi que já andaram fazendo umas viagens pro rio. Foram pra outros lugares tb? Eles se surpreendem a ver uma banda tão diferente do que é eles consideram "música do sul"?

Estamos fazendo o possível para divulgar o Copacabana no maior número de cidades possível. Já tocamos no Rio de Janeiro, Florianópolis, em um festival em Santa Maria e no fim de novembro estivemos em São Paulo. Eu acho que o público que tem acompanhado a cena musical alternativa no Brasil nos últimos anos percebeu que está cada vez mais difícil “rotular” as regiões e esperar um determinado tipo de música específica de cada lugar do país. Acho que o público se surpreende com o Copacabana Club assim como se surpreende com outras bandas que surgiram recentemente, não pelo tipo de música ou pela região, mas pelo aparecimento de um número significativo de bandas de qualidade nos últimos anos dando maior “densidade” ao cenário alternativo.

5. Qual a importância do James pra banda?

Eu acredito que essa resposta seria diferente se você fizesse essa pergunta para cada um dos integrantes da banda. Pessoalmente, o James e as pessoas que eu conheci freqüentando o bar foram absolutamente fundamentais na minha decisão de me tornar DJ e depois baterista. Acho que todos concordariam que o bar foi essencial em diversos aspectos. Eu pelo menos conheci todos os integrantes do Copacabana Club lá. Também foi no James que o Alec e o Luli sentaram pra conversar sobre a banda, me convidaram pra ser baterista, e foi lá que realizamos o nosso primeiro show. Na minha opinião o Copacabana Club nasceu no James e sempre vai ter uma ligação muito especial com o bar.

6. Como as músicas foram compostas? Fale sobre mais sobre o papel de cada um na banda.

Todos participam na composição das músicas. Alguém surge com uma idéia inicial e todos começam a trabalhar em cima dessa idéia... e geralmente o resultado acaba ficando muito diferente do que havia sido imaginado no início, por isso acredito que a composição no Copabana é um processo coletivo. Já as letras são sempre da Camila ou do Alec.

7. Planos para novo cd, 2009, turnês???

Planos temos muitos, espero que a gente consiga realizar pelo menos a maior parte deles. Já temos convites para tocar em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis em 2009. Conversamos com o pessoal de outras cidades do Paraná (Londrina, Maringá e Ponta Grossa) e outros estados, acredito que boa parte dessa conversas deve resultar em shows do Copacabana Club em lugares que ainda não tivemos a oportunidade de tocar. Já voltamos para o estúdio, estamos gravando mais duas músicas. Esperamos conseguir gravar um CD completo, mas se for financeiramente inviável pelo menos mais um single já está garantido.

8. Pra finalizar, como era para você ser baterista de uma banda cover do white stripes, que tem uma baterista muito meia boca?

Na verdade, eu preciso confessar que era um alívio, hahahaha. O White Strippers foi minha primeira banda, no nosso primeiro show eu não tinha nem meia dúzia de aulas de bateria e tocava a apenas uns 4 ou 5 meses. Se fosse mais complicado do que aquilo, acho que eu teria desistido no meio do caminho. Eu fui tocar bateria por livre e espontânea pressão do meu melhor amigo que disse que eu era péssima no violão, hahahaha. Ele queria que eu tocasse bateria para a gente montar uma banda. Como não achamos mais ninguém que quisesse tocar com a gente, resolvemos montar uma banda cover do White Stripes, assim poderíamos ser só os 2. Pra minha sorte e alegria, o Rafael Dal-Ri (vocal e guitarra no White Strippers) não só era genial como guitarrista (imagine o quanto ele tinha que ser genial pra segurar uma banda que a baterista só tinha 5 aulas!), mas também era inacreditavelmente paciente e sempre me deu o maior apoio enquanto eu era pra lá de mais ou menos. Ou seja, nós éramos o cover perfeito do White Stripes: o vocal e guitarra eram a banda em si, enquanto a bateria... bom, a bateria estava lá, hahahaha. Não temos tocado com muita freqüência, mas sempre ressuscitamos a banda quando temos algum convite para shows. Eu tenho um carinho enorme pelo White Strippers, jamais teria me tornado baterista sem a banda.

Myspace: http://www.myspace.com/copacabanaclubmusic
Blog da banda: http://www.copacabanaclub.blogspot.com/

E aqui o clip de Just do it no Poploaded do Ig.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Especial Rock de Curitiba: 5 - Terminal Guadalupe


De todas as bandas de Curitiba, o Terminal Guadalupe talvez seja a mais conhecida fora da cidade e uma das mais profissionais. Rodaram e voaram milhares de quilômetros, tocando em festivais de tudo quanto é lugar. Conseguiram construir um nome sólido, sendo uma das principais bandas indepependentes do país.

Foram matéria da Veja, ganharam prêmio Dynamite de melhor cd independente, lançaram cd em formatos inovadores como o SMD e pendrive, gravaram na Toca do Bandido, fizeram clip com um diretor de nome (Ricardo Spencer) e agora gravarão o próximo cd com o Roy Cicala, que já produziu desde Madonna a David Bowie. O fato é que esse quinteto sempre está investindo e sendo notícia no meio. Numa conversa com o vocalista Dary Jr. há uns 2 meses atrás, conversamos sobre o momento atual da banda banda e a sua estrutura de shows e mídia de Curitiba.


1. Você já tem um bom tempo de estrada, ou de via rápida, no rock de Curitiba. De 10 anos pra cá, o que progrediu? As bandas locais tem mais público, melhores lugares para tocar e mais respeito?

Nada. As bandas locais estão onde sempre estiveram: no limbo. Só há público em nichos específicos, como é o caso da turma que orbita em torno do hardcore melódico e do psychobilly. Casas abrem e fecham, mas poucas têm estrutura adequada e mal pagam um cachê mínimo de R$ 500,00.

2. A mídia da cidade e sua relacão com as bandas melhorou? Com myspace, orkut e youtube as bandas ainda precisam dela?

Existem ações isoladas. No geral, a mídia ainda insiste em ignorar a diversidade e a riqueza da música curitibana. Pelo que sei, a única iniciativa digna de nota é da Mundo Livre FM, que criou um projeto acústico - os grupos gravam, ao vivo, músicas nesse formato. Desconheço a audiência da emissora, mas louvo a atitude. Curioso é que, no show de lançamento do projeto, o diretor de programação da rádio mandou recado: queria que tocássemos quatro covers. Dei risada. Cover em um evento que se propõe a fortalecer bandas autorais? Foi a nossa vez de ignorar. No fundo, no fundo, é uma pena. My Space, Orkut e You Tube até ajudam, mas não têm a força de emissoras de rádio e televisão.

3. "Como despontar para o anonimato" já começa ironizando com o título do cd. O que muda musicalmente e nas letras desse cd em comparação com "A Marcha dos Invisíveis"? Como foi a produção do cd?

É um documento do que foi a turnê de divulgação do álbum "A Marcha dos Invisíveis". Entraram ainda músicas mais conhecidas de álbuns anteriores e versões definitivas de canções que não tínhamos lançado oficialmente, como "Torres Gêmeas" e "Megafone de Bagdá". Nós pegamos os melhores momentos dos shows que fizemos no Jokers Pub Cafe, de novembro de 2007 a abril de 2008, dentro do projeto "Terminal Guadalupe apresenta...", uma tentativa frustrada de formação de platéia. São as últimas gravações de Rubens K como baixista do TG. Tudo foi gravado em oito, dez canais, mas o resultado ficou muito bom.

4. E mudou muito musica do Terminal desde "Burocracia" até o dia de hoje? Amadureceram, perderam a inocência, entraram nas drogas? A entrada de outro guitarrista colocou mais peso nas músicas?

A banda está mais afiada. Tocamos melhor, ouvimos mais coisas. Somos caretas, mas não chatos. Envelhecemos com dignidade. A entrada de mais um integrante facilitou o uso de novos instrumentos e timbres. Talvez o som esteja mais pontuado por sutilezas, mesmo nos momentos mais pesados.

5. Vcs sempre de alguma maneira homenagearam o rock de curitiba com covers do Iris e Extromodos. Existe algum novo cover pensado?

Tocamos "Sal de Fruta", da Poléxia, em versão que o próprio autor da canção, Dudu, considera definitiva. Não sei se vamos gravar, mas gosto muito do arranjo.

6. Nos anos 90 o sonho das bandas era ser grande, ter clip na MTV e assinar um grande contrato. Hoje, com o que as bandas sonham?

Eu só quero ter a possibilidade de uma carreira produtiva e interessante. Se puder viver disso, tanto melhor. Não penso que seriam ruim ficar "grande". Aliás, trabalhamos nesse sentido. Tocamos em festivais importantes, nossos clipes rodam com relativa freqüência na MTV e estivemos a ponto de assinar com duas gravadoras. Falta encaixar o golpe. Talvez seja questão de tempo.

7. Vocês são uma das poucas bandas curitibanas que vivem de música. Isso é realmente possível na cidade ou é complexo de inferioridade dos curitibanos achar que isso é impossível?

Não vivemos totalmente do que ganhamos com a banda, mas nos orgulhamos do fato de não pagar para tocar. Honestamente, sinto que é impossível subsistir apenas com o trabalho artístico. Eu sou jornalista e isso ajuda a pagar as contas.

8. Quais os planos para o lançamento do cd? Ele vai sair em formato físico? Shows pelo Brasil?

Inicialmente, "Como despontar para o anonimato" sai apenas em mp3.Vamos lançar tocadores personalizados, que podem ser vistos neste site, http://www.lpindie.com.br/mp5_terminal.htm. Continuamos nossos shows pelo interior do paraná e por outros estados. Em novembro, por exemplo, faremos nossa primeira turnê pelo Nordeste, com apresentações em Recife, Natal e João Pessoa. Depois, vamos preparar o quarto álbum de inéditas, que deve se chamar "Para merecer quem vem depois" e ser lançado em março de 2009.

9. A banda começou como trilha sonora de um curta-metragem, certo? Como está a relacão com o cinema? Novos clipes, projetos audiovisuais?

Temos clipe recém-lançado. É "Recorte Médio-Oriental", dirigido por Rafael Gasparim, que tocou guitarra e baixo na minha antiga banda lorena foi embora..., em 2001-2002. Dá para assistir no You Tube. Integrantes de várias bandas curitibanas participaram.

Assista aí o clip.


sábado, novembro 08, 2008

Especial Rock de Curitiba: 4 - Oaeoz.


Oaeoz é uma das mais experiente bandas de Curitiba. Passaram por várias formações, com os melhores músicos da cidade, e traduzem muito bem em som e letras a vida na capital das estações-tubo.

Conheci a banda ao baixar o mp3 da música "Disco riscado" que começava dizendo "O telefone conspira, o cachorro do vizinho está contra mim". Foi fulminante.

Entre seus melhores trabalhos está "Às vezes céus", que tem uma sonoridade finíssima e sofisticada, intercalando momentos nervosos e tensos de guitarra com o lirismo de violoncelos, sempre com letras de causar inveja. Esse ano eles lançaram "Falsas baladas e outras canções da estrada" e o cd "Ao vivo na Grande Garagem que grava".

Com muito conhecimento de causa, Ivan Santos, o vocalista, compositor e idealizador do "Rock de Inverno" fala sobre os dois cd's lançados esse ano pela banda, sobre o rock curitibano de antes e agora, além de sua atuação como produtor cultural.

1. Houve um progresso nessa última década na cena musical de Curitiba? Há mais público e respeito "musical" para com as bandas?

Que houve progresso eu não tenho dúvida. Se a gente pensar em como eram as coisas nos anos 90 e como são hoje, é inegável que houve melhora. Hoje é muito mais fácil gravar um disco e disponibilizar ele para as pessoas. Uma banda como a Relespública levou quase dez anos para lançar um disco cheio, e hoje qualquer banda recém-formada tem disco. E com o avanço na internet, você tem muito mais canais divulgar isso e atingir o público.

Agora as dificuldades essenciais continuam as mesmas. A própria internet – que inicialmente era vista como uma espécie de panacéia para os independentes – tem alcance restrito em um país como o Brasil, onde grande parte da população não têm acesso ao mundo virtual. O grande público ainda continua se informando principalmente através do rádio e da televisão, e nesses meios, a inserção dos independentes é mínima, tanto aqui quanto no restante do País. Portanto, a gente continua tendo que matar um leão por dia, ou seja, tendo que trabalhar muito para conquistar espaço.

2. Há dez anos atrás a internet não ajudava tanto as bandas como hoje, mas sim os jornais, rádios e tvs. Atualmente a grande mídia de Curitiba dá atenção para as bandas?

A atenção que a grande mídia dá ao segmento independente tem altos e baixos ao longo do tempo. No começo dos anos 90, por exemplo, com o surgimento daquela geração 92 graus, Curitiba chegou a ser apontada como a “Seattle brasileira” pela revista Bizz. Depois houve outro pico lá por 2002/2003, quando uma série de coisas estavam acontecendo, como o Rock de Inverno trazendo duas dezenas de jornalistas de fora, incluindo MTV, etc, e com o surgimento também do CPF. Na mesma época o Jornal do Estado lançou uma coletânea com 18 bandas locais que fez o jornal esgotar nas bancas, e a Gazeta do Povo fez algo semelhante logo após, lançando quatro coletâneas com mais de 70 artistas, e que igualmente teve ótima saída.

Depois houve um refluxo pelo próprio encolhimento do mercado e a crise na indústria, a mudança no perfil dos meios de comunicação, esse espaço se retraiu. Tenho a impressão que atualmente há um novo crescimento no interesse dos mass media pelos independentes, até pela crise no mainstream, eles estão em busca de novos conteúdos, e a regionalização das programações é uma tendência inevitável. Alguns exemplos são iniciativas como o Lulapaluna, da RPC, ainda que forma incipiente, incluindo bandas locais; os acústicos da rádio Mundo Livre FM (também da RPC), a volta de uma coluna fixa na Gazeta do Povo para a música local.

Agora se isso vai vingar e vai se ampliar, só o tempo dirá. E para quem milita nesse meio, as formas alternativas de divulgação e difusão ainda são indispensáveis. Até porque muitos desses veículos alternativos, como o Último Volume, da rádio Lúmen, com seus 4 a 5 mil ouvintes só pelo rádio aberto, são opções tão boas quanto a grande mídia para se chegar até seu público.

3. Falemos do OAEOZ. No que "Falsas baladas" se distingue em produção e som de "Às vezes céu"? O som agora parece mais nervoso e guitarrento, com menos pianos e violino e com mais guitarra. Mudanças de formação afetaram o som da banda?

A diferença básica é que o “As vezes céu” foi gravado em um grande estúdio profissional, o Nicos, enquanto o “Falsas baladas...” foi gravado lá no estúdio da casa do Carlos Zubek, nosso guitarrista, onde a gente já ensaia há alguns anos. O que a gente “perdeu” em termos de recursos técnicos, ganhou em tempo para trabalhar a gravação, e principalmente a mixagem. Foi um grande aprendizado, já que inicialmente a gravação foi feita com a ajuda de um amigo, o Luigi Castel, e depois a mixagem foi assumida pelo Carlão. Com isso, o resultado ficou muito mais próximo do que é a banda ao vivo. E os próprios arranjos e composições ficaram mais enxutos. Ainda tem piano, violão, e violino, mas tudo colocado de uma forma mais concisa.

4. Sinto uma grande preocupação com as letras da banda, que nunca decepcionam. Existe algum escritor ou compositor em que você se espelha? Como surgem essas letras?

Eu sempre gostei de música com boas letras. E minhas referências, mais do que literárias, são mesmo de letristas que admiro como Lou Reed, Ian Curtis, Neil Young; ou no Brasil, de caras como Lobão, Renato Russo, Rubinho Troll (vocalista do Sexo Explícito/antiga banda do John, hoje guitarrista do Pato Fu). Eu também destacaria a influência de amigos e parceiros próximos, como Rubens K (Iris/Terminal Guadalupe), e Igor Ribeiro (Iris), e de artistas contemporâneos brasileiros, como o Beto Só (DF), e Olavo Rocha (Lestics/Gianoukas Papoulas).

Mas isso tudo é mais no plano “subconsciente”, porque na hora de escrever uma letra conta muito mais a intuição do momento ou a sugestão que vem da melodia ou de alguma coisa que você tá sentindo/vivendo. As letras do Oaeoz têm caráter pessoal e confessional, então eu não penso no que vou escrever antes, e muitas vezes só percebo sobre o que estou falando depois que está pronto.

5. Quais os planos depois desse cd? Algo novo planejado?

A idéia é a medida que surgirem oportunidades e convites, tocar ao vivo e mostrar essas músicas, mas a gente tá numa fase bem low profile, então no momento não temos nada oficialmente agendado ou planejado. Pessoalmente, eu estou produzindo um EP em parceria com o Giancarlo Rufatto, que deve sair ainda este ano.

6. Voltando a Curitiba. Por que será que nunca uma banda da cidade estourou pra grande mídia? Nos tempos atuais de myspace e youtube isso ainda é possível?

Eu poderia citar uma série de fatores culturais e geográficos, mas acho que o que acabou sendo determinante mesmo é a questão sorte. Aquela coisa da banda certa, no lugar certo, na hora certa.

Acho sim que isso pode acontecer hoje em dia, mas é preciso ter em mente que o paradigma que a gente tem de sucesso ainda é aquele dos anos 80, 90, de um artista que surgia aparentemente do nada e virava sucesso nacional ou internacional da noite pro dia. E hoje, cada vez mais você vê menos isso acontecer. Os artistas novos que fazem sucesso o fazem em nichos segmentados e não mais para o grande público em geral. Um exemplo é a Mallu Magalhães, que mesmo tendo frequentado todos os programas de TV aberta no Brasil continua sendo uma artista basicamente indie. Ou o próprio Bonde do Rolê, que é ignorado no Brasil e em Curitiba, mas é sucesso em Londres e toca em todos os festivais da Europa.

Essa coisa do grande artista milionário em seu olimpo andando de limusine e recebendo os tubos da gravadora é cada vez mais uma coisa do passado. As próprias gravadoras não investem mais em artistas novos, a não ser quando eles já têm uma base de fãs consolidada, ou seja, já estão prontos.

Então cada vez mais os artistas vão ter que construir suas carreiras de forma independente, procurando atingir o público com suas próprias estratégias, construindo um trabalho de médio e longo prazo. E pra isso, tanto faz ser de Curitiba ou de Itapecirica da Serra.

7. Sobre o selo e o Festival De Inverno, como foi o nascimento de tudo e o que aconteceu para que acabasse? Teremos um novo festival De Inverno ano que vem?

O selo surgiu porque a gente (OAEOZ) não tinha gravadora, então começou a lançar os próprios discos e os discos de amigos e bandas que a gente gostava então criamos um selo pra isso. E o festival surgiu da idéia de reunir bandas novas que a gente curtia em um evento pequeno, mas bem organizado, como forma de chamar a atenção para essa cena.

O que aconteceu foi que nós tivemos um problema grave em 2003, quando o Rock de Inverno 4 foi cancelado porque a casa (Diretoria Café) não tinha a documentação em ordem, e acabou sendo embargada logo após aquela ocorrência de um show no Jockey que terminou com pessoas mortas. Isso gerou uma briga entre o governo do Estado e a prefeitura, e nós acabamos pagando o pato.

Depois disso, a gente ainda fez o Rock de Inverno 5 e 6 em 2004 e 2005. Mas a partir daí resolvemos que só faríamos novamente se conseguíssemos um patrocínio que garantisse fazer a coisa sem tanto sacrifício pessoal, e com recursos que permitissem que o evento pudesse acontecer com uma estrutura melhor. Desde então, tivemos um projeto aprovado pela Lei Rouanet, mas que não conseguimos captar recursos. Inscrevemos outro projeto no edital da Petrobrás, mas não fomos selecionados. E agora estamos na expectativa do resultado do edital da Fundação Cultural para festivais independentes. Se tudo der certo teremos o Rock de Inverno 7 no ano que vem.

8. Quais bandas da cidade estão fazendo um som novo e digno de destaque?

Tem muita coisa boa por aí, sempre. Eu gostei muito de uma banda nova que conheci a pouco tempo, o Pão de Hamburguer, que apesar do nome engraçado faz um trabalho de altíssimo nível, muito bem resolvido tanto musicalmente quanto nas letras. Tem o Je Rêve Toi, duo que combina batidas eletrônicas, violino e guitarra. O Giancarlo Rufatto, um dos melhores compositores da nova geração. Tem o Folhetim Urbano, outra banda do Carlos Zubek, do OAEOZ, que está gravando um disco novo muito bom. E tem outras bandas já mais veteranas, mas que têm lançado bons novos trabalhos, como o ruído/mm, sem dúvida hoje um dos melhores e mais ativos combos da cidade.

9. Pra finalizar, pra você o que é um som genuinamente curitibano?

Acho que genuinamente curitibano é justamente essa diversidade, essa mistura de tribos, etnias e jeitos diferentes de se expressar que convivem no mesmo espaço. Então eu poderia citar coisas tão distintas como Wandula (ninguém faz o som que eles fazem no Brasil, e só poderia ser de Curitiba); ou o Maxixe Machine – um dos melhores textos do pop brasileiro atual, com uma ironia e mordacidade ímpar; o Charme Chulo, que sem dúvida construiu uma das carreiras mais prolíficas e de personalidade no rock brasileiro dos anos 00. Acho que a vantagem de Curitiba – se é que existe – é justamente não estar presa há nenhum estereótipo cultural, como o carioca, o gaúcho ou o baiano. Isso faz com que a gente possa ser tudo o que quiser e ainda assim, ser absolutamente a gente mesmo.

Mais aqui:

Myspace - http://www.myspace.com/oaeoz

Blog De Inverno - http://deinverno.blogspot.com/

terça-feira, outubro 14, 2008

Especial Rock de Curitiba: 3 - Poléxia.

Continuando com as entrevistas com as bandas da ex-capital social Curitiba, chega a vez do Poléxia. Sempre fui entusiasta da música, letras e arranjos desse grupo que sabe como poucos dosar o alternativo com o pop. "Eu te amo, porra", "Aos garotos de aluguel" e "Melhor assim" são verdadeiros clássicos do DDD 041.

O segundo disco de estúdio, que está prestes a ser lançado, teve a produção de algumas músicas feitas pelo John do Pato Fu. Além do mais gravaram o clip de "Você já teve mais cabelo" onde toda a banda participou raspando a cabeça.

Tive a sorte de por algumas vezes fazer parte de uma dupla didois com o vocalista Rodrigo Lemos. Tocávamos versões acústicas de clássicos da indiarada no Korova, onde eu nunca conseguia fazer os solos direito. A minha versão preferida era "In the garage" do Weezer em que meu belo solo de flauta doce era essencial. Numa conversa com o Lemos ele fala da banda, de Curitiba, do John... Enjoy!

1. Vcs estao prestes a lançar o segundo disco. Quais as diferenças musicais, conceituais e artisticas entre esse e o primeiro? Segue 100% na raça ou houve ajuda de algum selo?

O disco se chama "A FORÇA DO HÁBITO" e sairá pelo selo Nico Records, de Curitiba. Apesar dessa força com gravação e distribuição, todo o resto segue providenciado pela própria banda e "na raça". Aliás, haja raça; levando-se em conta as mudanças de formação que ocorreram nos últimos três anos e que nos possibilitaram o surgimento de uma "nova Poléxia". Sobre conceito e sonoridade; acho mais importante recomendar a audição das faixas. Dá pra adiantar que as canções falam sobre como é delicioso e ao mesmo tempo angustiante conviver com nossas manias, vícios e costumes... Deveríamos chamar o álbum de "Desejo de Mudança", isso sim.

2. Como foi a experiência de ter o John do Pato Fu como produtor de algumas faixas? Como o cara contribuiu exatamente?

O John é uma figura sensacional; muito carismática. Tivemos apenas três dias para gravar com ele, então tornou-se providencial estabelecermos dinâmica e objetividade no estúdio. Foi um aprendizado destrinchar fragmentos da nossa música para depois colar os caquinhos - um pensamento bem parecido com o da música eletrônica de pulso. Quem ouvir "Você já teve mais cabelo" vai perceber, logo nos primeiros segundos, que a produção do John extraiu todo o sarcasmo e irreverência que procurávamos por tanto tempo (a canção já vinha sendo apresentada em shows, porém com outro formato).

3. Mudou algo do que vc esperavam para o primeiro cd e agora para o segundo? A banda perdeu a ingenuidade em certo ponto?

A gente foi perdendo muita coisa no meio do caminho hehehe. Mas a moral da história é justamente essa: perder. É essencial perder algumas perspectivas, pontos de vista, oportunidades; para que o novo venha. E o novo sempre vem, já dizia Belchior.
Hoje, só esperamos que da música venha mais música - que essa atividade gere uma espécie de reciclagem nas nossas vidas e, eventualmente, nas vidas que nos cercam. É o que realmente importa.

4. Entre o primeiro e o segundo cd houve mudanças na formação da Poléxia, Como isso refletiu no som da banda?

O Neto (bateria) é um gentleman e toca como tal: hora firme, hora delicado e sempre preciso. O Francis (baixo, guitarra e voz) já era nosso amigo há anos e aceitou o convite sem titubear... Ele é um músico completo, com uma sensibilidade nipônica, de fato.
Só quando esta formação se consolidou que percebemos como é bom deixar essas mudanças naturais interagirem com a maneira como a música soa, e com a nossa forma de pensar... Chato seria se resolvêssemos que as músicas que fizemos em 2004 precisam soar exatamente como em 2004, com aquela outra formação.

5. Acham que aumentou o público, melhorou a recepção dos curitibanos e os lugares para shows? Mudou alguma coisa daquela velha choradeira de que Curitiba não tem público que consome rock local?

Preguiça imensa desse papo todo, né? Acho que hoje o consumo de música - inclusive independente - está em todo lugar e onde menos se espera. Sobre espaços para se apresentar, tivemos a oportunidade de ver que muitas cidades sofrem com o mesmo problema: falta de investimento e estrutura para esse segmento de menor porte da indústria da música.
Em contrapartida, muita gente continua fazendo arte; outros vão surgindo e fazendo também. E, contanto que os artistas não comecem a se deprimir porque "o público local não dá prestígio... blá blá...", o mundo continuará a girar.

6. E a mídia curitibana? TV, jornal e rádio colaboram de alguma maneira para que a banda seja conhecida na cidade? O que mais ajuda?

Não temos e nunca tivemos do que reclamar. A imprensa é prestadora de serviço, assim como a classe artística se propõe a ser. Se já ganhamos destaque em veículos locais deve ter sido apenas por merecimento; assim como inúmeros artistas locais e de todo o Paraná figuram nos cadernos de cultura por merecimento e por estarem fazendo algo.
O disco novo traz uma canção chamada "O Inimigo", que brinca com esse jogo de nervos da mídia para cima do cidadão comum. Fica aí o convite à audição.

7. Existe algo de comum entre as bandas independentes da cidade além do sotaque e do cep?

Não. Inclusive, discordo quanto ao "sotaque". Até nisso os grupos diferem. Dá para contar nos dedos da mão do presidente Lula o número de bandas que se parecem entre si em Curitiba.
Esse é o paraíso e inferno da cidade.

8. Como foi a gravacao do clip de vc ja teve mais cabelo? Fale um pouco disso, qual a historia do clip e quem teve a idéia de todo mundo rapaz a cabeça.

A cabeça raspada representa um recomeço. É um rompimento - por que não?
Acho que tive a idéia após pensar que a banda deveria reaparecer como nunca foi vista.
E, por incrível que pareça, nem foi tão complicado persuadir os outros integrantes; ainda mais quando contamos com uma equipe tão boa como a da Cine TV (escola de cinema de Curitiba), todos sob a direção do João Marcelo Gomes. O videoclipe é super trash e descontraído; mostra os integrantes (em trajes nada típicos) sendo raptados e tendo seus cabelos cortados... Está em fase de edição e logo vai para o You Tube.

9. Planos para 2008 e 2009?

Neste momento, o Iuri Freiberger (produtor, músico da banda gaúcha Tom Bloch) está realizando mixagem e masterização para "A FORÇA DO HÁBITO" em seu estúdio no Rio de Janeiro. Até o fim do ano já temos previsto: o retorno aos palcos, o lançamento virtual deste álbum, bem como o trabalho de divulgação nas principais capitais do país. Para 2009, a intenção é dar continuidade cavando vaga nos principais festivais e mostrar esse repertório para o maior número de pessoas interessadas.

Myspace - http://www.myspace.com/thepolexia

domingo, setembro 21, 2008

Especial Rock de Curitiba: 1 - Intro.

Depois de entrevistar 4 bandas da Suécia e outras 4 da Argentina, por que não entrevistar bandas que eu realmente conheço aqui? Essa é a idéia do Especial Rock de Curitiba.


Entre 2003 e 2005 tive banda por lá e pude viver as dificuldades e as particularidades da cena da cidade. Agora, três anos depois, a curiosidade de saber se algo mudou, progrediu ou até mesmo piorou na cidade, me motiva a entrevistar essas bandas com as quais convivi por algum tempo.

A primeira entrevista da lista é do Mosha. Stay tune!

terça-feira, setembro 16, 2008

Especial Rock Argentino: 4 - Los Álamos.

A última das entrevistas do especial com as bandas portenhas é com Los Álamos. Indicados pela Rolling Stone como a banda revelação de 2005, já apareceram em várias publicações estrangeiras como uma banda "a ser escutada".

Com um som único no rock argentino, que une influências do country e do space rock. O vocalista e letrista Peter tomou seu tempo para responder algumas perguntas. Ele fala sobre a banda, a infra-estrutura pobre de muitas casas da cidade e de como é a vida de uma banda independente, que ao mesmo tempo que faz grandes turnês pela Europa passa por dificuldades em Buenos Aires.

Existe um som que pode ser definido como rock argentino ou isso é coisa do passado?

As bandas de rock da Argentina, desde os anos 60 até hoje, sempre foram particulares. Não sei se havia um som que as identificasse, talvez o fato de cantar em espanhol as unia, mas agora existe uma variedade tão grande de bandas que não podemos dizer com tanta certeza que há um som de rock com características comuns proveniente da Argentina.

Existem lugares bons para tocar na cidade, com boa infra-estrutura?

O rock na Argentina tem mais de 40 anos mas a Infra-estrutura continua nula. Os lugares tratam mal as bandas: elas tem que pedir por favor para tocar e às vezes pagar para tocar emum lugar. Os sistemas de som são quase sempre semi-profissionais e isso faz que qualquer cena de rock demore muito para se desenvolver. Em troca, os grandes festivais, patrocinados por companhias de telefone e bebidas, têm uma grande estrutura mas o trato com as bandas locais é degradante. Em muitos casos é preciso pagar para o nome da banda aparecer nos cartazes do lado de bandas internacionais que costumam ser artistas de segunda categoria o que estão em uma turnê de revival.

É possível viver de música Indie na Argentina?

Da nossa música não se pode viver. O público não é muito e pela crise que o país está passando fica muito difícil ser consumidor de música.

A banda foi apontada como umas revelações da revista Rolling Stone em 2005. Desde a revelação até hoje, o que passou?

Depois lanzamos três discos, fizemos uma turnê pela América do Sul e agora vamos para Europa. Recentemente editamos nosso último disco “El fino arte de la venganza” que foi masterizado em Los Angeles.

Essa veia western da banda, de onde vem e para onde vai?

A banda faz um som com pulso de folk, blues e até mesmo valsa. O som vem da necessidade de criar algo partindo de nossos gostos e possibilidades musicais

Alguma explicação de porque o público do país agita tanto em shows de rock?

Na verdade não sei. Acho que eles gostam de chamar a atenção! Mas também disfrutam de um show com muita paixão.

Myspace da Banda: http://www.myspace.com/losalamospace

quinta-feira, agosto 28, 2008

Especial Rock Argentino: 3 - Hacia dos Veranos.

O julgamento da tragédia de Cromagnón continua em Buenos Aires. Dentro do tribunal, os pais das quase duzentas vítimas protestam em silêncio mostrando fotos de seus filhos, enquanto um vidro a prova de bala os separa dos acusados. Fora do edifício mais familiares disputam espaço com os vários fãs da banda Callejeros que pedem "Basta de culpar a Callejeros".

Dessa vez, os entrevistados são o Hacia Dos Veranos, uma das primeiras bandas que conheci em Buenos Aires. Nunca fui fã de música instrumental, mas esse grupo me fez mudar um pouco isso. Com ótimas melodias, suas músicas compõem climas e ambientes únicos, que mesclados com as imagens projetadas ao vivo, formam um belo espetáculo. Não é à toa que talvez seja a banda que mais vi ao vivo na cidade.

Na conversa, o guitarrista Ignacio Aguiló fala de como é foi a adaptação pós-cromagnón, da cena argentina e da preocupação de casar perfeitamente imagem e som nos shows.

Qual o panorama do rock argentino agora? Existe um estilo que o define?

Não acho que exista uma coisa chamada rock argentino e nem um Indie rock argentino. Acho que os problemas gerados pelo incêndio de Cromagnón e o fechamento de muitas casas de shows causaram uma concentração de tudo em poucos lugares. Além disso houve uma certa tendência dos artistas se apoiarem em ciclos de música do governo. Isso afetou bastante a cena "emergente".

Existe uma preocupação com a parte visual nos shows da banda. Como funciona? Música e imagem se complementam?

Sempre que podemos, contamos com a arte visual do nosso amigo Dr. Chance (Mariano Baez), que tem o cuidado de escutar cada uma das músicas para poder dar a imagem exata para cada canção. Mariano é o criador (junto com Franco Estrubia) do vídeo que vem dentro do nosso disco "De los valles y volcanes", e que corresponde a canção "Preludio". É uma série de fragmentos em super 8 e imagens e lembranças perdidas de gente sem nome, ideal para o que queríamos contar nesse momento com o nosso ep "Fragmentos de una tarde". Mariano tem uma extrema sensibilidade para entender nossa música e a plasmar em imagens.

Para a gente é quase indispensable poder contar com esse tipo de imagens nos shows, porque consideramos que ela aumenta muito a qualidade do espetáculo. Ou seja, não são imagens soltas por aí, existe um sentido por tras de tudo isso.

Como você definiria o som do Hacia dos veranos?

Nossa música tem sido definida de muitas formas e é ótimo que cada um a interprete como queira. Inclusive teve alguém que disse que nós tinhamos inventado o "post rock kwee". Na verdade não sabemos definir bem. A melhor maneira de descrever a banda seria tomando emprestada a linguagem da pintura: nosso som é impressionista. Definitivamente um som próprio, nosso.

Por que a opção de ser uma banda instrumental? Por que não cantar?

Não foi uma escolha, aconteceu naturalmente. Havia uma canção em que não podíamos colocar a voz. Não importaba o quanto trabalhávamos nela, não encontrávamos a melodia que caisse bem. Aí eventualmente percebemos que era a melhor música que tínhamos feito. Tomamos essa música como ponto de partida para começar de novo e a desde então nossa música se tornou mais livre, como se a voz antes fosse um obstáculo. Essa canção mais tarde foi chamada de "Sueño".

Como é o processo de composição das músicas?

Até agora sempre trabalhamos assim: um traz a idéia, fechada ou não, e no ensaio a banda dá uma forma final. Isso vem acontecendo desde os primeiros ensaios, quando cheguei com o riff de "Preludio" e me tornei grande responsável pelas melodias. Mas nossas músicas estãoo impregnadas com os espíritos de todos seus integrantes. Cada um acrescenta um pouco de si no geral e assim as coisas vão mudando de acordo com os integrantes que vão passando.

Existem muitas bandas de post rock na Europa como Explosions in the sky, Godspeed, Sigur Ros, mas muito poucas na América Latina. Qual seria a razão?

Na verdade não sei. Para ser sincero nunca escutei Explosions ou Godspeed, por mais que as pessoas digam que nossa música tenha pontos em comum. No fundo nunca nos consideramos uma banda de post-rock mas, talvez como forma de aventurar uma resposta, o post-rock por definicão é uma música para um público muito limitado, e dentro do já limitado público Indie latino encontrou um espaço menor ainda para se desenvolver.

Já tocaram no Brasil? Planos de tocar?

Fomos convidados para tocar no festival "Algumas pessoas tentam" da Midsummer Madness", onde participava o Jens Lekman e outras bandas locais no Rio de Janeiro, mas infelizmente não fomos por problemas de agenda de alguns de nós. Foi uma pena já que estávamos muito empolgados para tocar. De qualquer maneira estamos com as malas prontas para viajar assim que tivermos condições. Temos muita vontade de conhecer o Brasil e que o Brasil nos conheça ao vivo de uma vez por todas.

Planos para o fim do ano e 2009?

Estamos dando os toques finais no próximo disco, essa é a meta principal. Depois pensamos em visitar os países irmãos Uruguai, Chile e Brasil, é claro.

Mais da banda em:

Site Oficial: www.haciadosveranos.com.ar
Myspace: www.myspace.com/haciadosveranos

Sueño ao vivo:

segunda-feira, agosto 25, 2008

Especial Rock Argentino: 2 - El mató a un policia motorizado.

El mató a un policia motorizado é uma banda única na Argentina. Mesmo estando no underground e lançando discos de forma independente, esse quarteto de La Plata possui uma legião de fãs apaixonados que transformam seus shows em um total frenesi.

Poucas vezes vi, em Buenos Aires ou em Curitiba, uma banda causar tanta catarse em suas apresentações. O estranho é que eles tinham tudo para não ser uma banda tão amada. Não são "cool", não são amigos de bandas grandes e ainda moram em La Plata, a 70 km de Buenos Aires.

Em uma entrevista para o blog feita em junho, o vocalista Santiago fala dos planos da banda e se mostra muito apaixonado pelo que faz.

Existe uma característica comum entre essas bandas? Como Cromagnón mudou o rock independente argentino?

O rock independente da atualidade é muito variado. Talvez na hora de fazer matérias nos meios daqui acabam agrupando as bandas não pelo tipo de som que fazem mas pela maneira que fazem as coisas, como encaram a música e a arte. A Internet abriu uma discoteca infinita e universal e isso acabou um pouco com as tendências que vinham marcando década após década. Talvez atualmente os sons e a música em geral não respondam a um som particular imperante e isso passa também no rock independente argentino. Cromagnón obrigou as bandas a fazer as coisas com mais esforço, como uma resposta de fazer música com mais vontade nos momentos mais difíceis.

O público argentino é conhecido por participar de um show de uma maneira muito ativa. "El mató" é uma das poucas bandas underground que tem um público que se comporta dessa maneira. Por que isso acontece? Existem prós e contras?

De alguma maneira a música do El mató é um convite a cantar e dançar. Em parte, as pessoas que vão aos shows também fazem um tipo de jogo. Sabendo que antes isso não era tão comum, deixam-se levar e até certo ponto exageram para ver até onde podemos cegar. É muito divertido para a banda porque também gostamos de interagir no palco. A desvantagem é que certos donos de lugares onde tocamos tem medo. Não entendem que tudo é no clima de amizade e buena onda.

Que diferençaas sonoras você vê entre uma banda argentina massiva e o underground?

As óbvias são os orçamentos na hora de gravar ou fazer um show. Depois acho que as bandas massivas, em certo ponto, começam a ter medo de tudo que conseguiram. É compreensível mas é horrível para a sua arte, que começa a se fechar e se limitar. Já as bandas independentes possuem um frescor que pode ser eterno.

Esse mesmo público cativo da banda consome suas músicas a ponto de vocês viverem disso?

Não vivemos atualmente da música, não economicamente, mas não poderíamos viver sem fazer música o arte de algum tipo. A arte, como fonte de ingressos econômicos, é irregular. Pode baixar, subir e acabar. Nada é estável nesse mundo, não para artistas independentes pelo menos. E nem é recomendável que seja. Se suas necessidades econômicas dependerme do consumo ou não de sua obra, sua arte pode ficar condicionada a isso.

Como foi a experiência de tocar no Brasil?

Tocamos em São Paulo no ano passado e foi genial. Não podíamos entender que mesmo estando tão longe, tanta gente cantava e dançava nossas músicas. Foi algo que nos surpreendeu.

As suas letras são um pouco diferentes, para não dizer extrañas. De onde vem isso? Quem é "la chica rutera"?

As letras partem de imagens, são descritivas de uma idéia ou uma cena. Quando escrevo não penso muito, elas simplesmente saem. São curtas porque entendo que não precisam de acréscimos. "La chica rutera" é uma menina que saiu de viagem e que alguém, talvez triste, espera que ela volte.

Planos para o futuro?

Terminas a trilogia dos discos que começou com "Navidad de reserva" e continuou com "Un millón de euros". Depois apresentar o disco, viajar, contecer gente nova e todas essas coisas divertdas da vida e de te ruma banda de rock.

Site oficial da banda: http://www.elmato.com.ar/

Myspace: http://www.myspace.com/elmatoaunpoliciamotorizado

segunda-feira, agosto 18, 2008

Especial Rock Argentino: 1 - Rubin.


Sebastian Rubin é um cara bem-humorado. Durante seus shows, com a banda de apoio chamada Subtitulados, o frontman lança ironias ácidas junto com besteiras sem sentido numa espécie de stand up music comedy. Tudo isso mesclado com o seu indie a la Teenage Fanclub com pitadas de Elvis Costello.


Depois de tocar muitos anos com o Gran Prix, uma importante banda do indie argentino do final dos anos 90, a carreira solo de Rubin foi um passo natural. Atualmente ele prepara o lançamento do seu terceiro disco. Os dois anteriores você pode escutar no seu site pessoal, um deles (Componé Ladrón) pode baixar completamente. Com letras melancólicas e tragicômicas, Rubin sabe muito bem usar o poder do refrão no melhor estilo powerpop!

Nessa entrevista pro Aires Buenos, ele fala sobre o rock argentino em geral, sua carreira e até mesmo sobre o Brasil!

1. Você fez parte do Gran Prix e agora está em carreira solo. Como mudou o rock argentino desde a tragédia de Cromagñon? Como isso afetou as bandas de Buenos Aires?


Houve uma mudança importante a princípio já que fecharam muitos lugares pequenos. Isso nos obrigou a procurar palcos diferentes para continuar tocando, levando a gente a provar formatos mais íntimos e acústicos. A cena lentamente foi se recompondo, mas acho que no final isso encareceu bastante o custo dos shows. Custo que se transladou aos artistas que, no final das contas é quem assume o risco econômico quase que total de cada apresentação do mundo indie.


2. Existe um som que podemos chamar de rock argentino? O que tem em comum as bandas de hoje com o som powerpop do Rubin?


Sim e não. A cena argentina é muito variada e o rock já tem mais de 40 anos, já que existem muitos estilos e subgéneros. Mas certamente há, não sei se um som, mas uma sonoridade, um idioma comum a todos que crecemos escutando rock local argentino. Lamentavelmente, para mim, o powerpop não é um gênero popular dentro do rock argentino, mas como ele se nutre de elementos clássicos, guitarras e melodias, nunca sai de moda por completo.


3. Falemos de sua carreira. Seu último disco “Esperando o fim do mundo” foi lançado na Argentina, Espanha e Brasil. Como foi a recepção nesses lugares? Como foi tocar no Brasil?


Na Espanha já tínhamos lançado um álbum com o Grand Prix e feito uma turnê grande em 2002, assim que de alguma maneira já sabia o que esperar. A recepção de “Esperando…” foi maravilhosa e tive a sorte de tocar em uma turnê de 18 shows por toda a península. No Brasil, não sabia muito bem o que esperar e ver as pessoas cantando as músicas no Festival Goiânia Noise foi algo tão inesperado como impressionante. Tomara que a gente possa voltar a tocar no Brasil porque nos divertimos muito.


4. Suas letras são muito pessoais. Como você compõe? Quanto do seu último disco foi “vivido” e quanto foi “criado”?


Geralmente começo pela música e trato de deixar que a melodia me “dite” a letra. Trato de interpretar a melodia e dizer o mesmo com as palabras. No disco novo, há uma canção que compus ambas as coisas de vez e outras que trabalhei com Federico Novick, musicalizando suas letras. Gosto de provar outras coisas para que as canções saiam com outras cores. Na hora de escrever as letras, inspiro no que acontece comigo e no que acontece com as pessoas que me rodeiam e amo. Falo de amor, sem escrever canções de amor especificamente, da solidão própria e alheia e sempre sob uma ótica diferente. Em “Esperando…” existe muita coisa que foi vivida por mim e por outros. A música “Artemis”, por exemplo, é autobiográfica, já em “Follow me down” os protagonistas são um casal de amigos meus que moram em Madri.


5. Quais suas influências? O que você escutava quando criança e o que escuta agora?


Musicalmente, desde Cole Porter e Buddy Holly, passando, claro, por The Beatles, The Kinks, Costello, Teenage Fanclub até Magnetic Fields. Sempre fui apaixonado por música, desde pequeno. Meu primeiro amor musical foram The Beatles e logo Elvis, mas meu pai me ensinou a amar Roberto Carlos também. Agora estou bastante fã grupos de pop suecos, The New Pornographers, Magnetic Fields e Ben Kweller, música que me faz sentir bem. Para me deprimir já existem os noticiários e os jornais.


6. Seus shows, assim como o cd “Componé ladrón”, são muito bem humorados. O rock precisa ser levado menos a sério?


A vida deveria ser levada menos a sério. Trato de me divertir para poder divertir os outros. Mas é minha postural pessoal e nada mais. Se você é o Radiohead e está deprimido e quer deprimir as pessoas, beleza. Falando nisso eu adoro Radiohead! Mas trato de me divertir mesmo que isso não signifique que eu escreva músicas de humor e nem canções divertidas, em geral são bastante melancólicas.


7. Como está o Rubin agora? Planos?


Nos últimos meses estive escolhendo as músicas do disco novo, ensaiando com Los Subtitulados com objetivo de entrar em gravacão em alguns meses e logo começar de novo com shows e turnês.


8. Conhece algo de música brasileira?


Graças a minha mini-turnê do ano passado pude contecer bastante grupos indies. Além dos Superguidis que eu já conhecia, gostei bastante do Beto Só e vários grupos do Senhor F (site e selo). Quando eu era menor escutava Roberto Carlos e aqui a bossa é muito popular, mas não conheço muito mais, lamentavelmente.


9. Como você decide que uma música é melhor em inglês ou espanhol?


O inglês e o espanhol são idiomas com características muito diferentes, especialmente na longitude das palavras e quantidade de sílabas. E por isso são, para mim, como dois instrumentos diferentes. Assim como algunas canções soam melhor com piano e outras com guitarra, para mim algunas soam mais naturais em inglês ou español e vice-versa. Depende do que a pessoa está dizendo, Eu trato de compor tudo em español e usar o inglês quando realmente soa melhor para mim. Isso aconteceu com “Follow me down”, “Ordinary words” e “Pebble Song que saíram muito rápido em inglês.


10. Como nasceu a música “La triple A se llevó a mi mujer”. Pode explicar para nós brasileiros o que foi a “Triple A”?


Eu estava com vontade de gravar uma música dos Ramones e pensei em argentinizar “The KKK took my baby away”. É um exercício que gosto e faço desde a época do Gran Prix. Em “Esperando…” há uma versão de uma música do “The Cleaners from Venus” e no novo teremos uma de Roby Hitchcock. Mas voltando, a Triple A foi um grupo paramilitar dos anos 70 que queria dizer “Associação Argentina Anti-comunista”. Já dá para imaginar o que faziam. Assim ao substituir KKK entrou sozinha a idéia de usá-los.


Site oficial: www.rubinlandia.com.ar

Myspace: www.myspace.com/rubinlandia

* fotos retiradas do site oficial do artista.

domingo, junho 15, 2008

Especial Música da Suécia: 5 - Entrevista com Lacrosse.


No quinto e último capítulo do especial Suécia, entrevistamos o Lacrosse. A banda faz o tipo de música feliz insuportável grudenta. É um indie pop de bueníssima qualidade, contagiante e grudento.


Em novembro de 2007 eles lançaram o primeiro cd chamado "This new year will be for you and me" e vem recebendo ótimas críticas. Lançaram um ótimo clip da música "You can say no forever" e são nome frequente nos festivais escandinavos e ingleses. 

As músicas alternam uma alegria contagiante com uma melancolia estranha cantada em melodias felizes. O resultado é doce e viciante. Ainda bem que não engorda.

Na entrevista, a vocalista Nina e o guitarrista Kristian esbanjam bom humor e falam de suas letras e, é claro, da Suécia.

1. Por que existem tantas bandas suecas populares? O que vocês ouviam quando eram pequenos e o que ouvem agora?


Enquando a gente crescia, havia duas bandas suecas que eram internacionalmente grandes: ABBA e Europe. Naturalmente escutávamos quase que só isso assim como todos os outros suecos. Uma das razões porque há tanta música boa agora na Suécia é porque a atitude convive com a inovação.


2. As bandas suecas que o mundo ouve são as mesmas que vocês ouvem?


Não, nenhuma exceto  o Oasis. Acho que eles são suecos.


3. Já ouviram falar de um festival brasileiro chamado Invasão Sueca?


Não, nunca ouvimos falar, mas existem vários festivais ao redor do mundo com essta temática sueca. Isso é bom para nós, suecos, porque já que estamos aquí na esquina do norte da Europa e é muito caro viajar para qualquer lugar. Nem preciso falar que adoraríamos ir tocar no Brasil. Isso está na nossa lista de “coisas divertidas que queremos conseguir com o Lacrosse”.


4. Como está a banda agora? Planos de novos cd’s depois de “This new year will be for you and me”? Como o público reage a vocês nos shows.


Estamos muito bem! Rickard, que toca o teclado, acaba de virar pai e estamos planejando novos shows e outro cd. Viajamos pela Europa neste inverno e primavera e agora estamos trabalhando em novas músicas para o segundo cd, além também fazer uma pequena turnê pela Inglaterra nessa verão.Quanto a reação do público, bem, é claro que eles ficam loucos quanto tocamos. Eles roubam nossas toallas e dançam, cantam, choram e se apaixonam.


5. O som de vocês tem uma alegria contagiante, espalha esperança mesmo quando as letras são tristes. Quem as compôs?


Eu (Nina) escrevi quase todas as letras e, sim, às vezes eles acabam saindo tristes, mesmo que o Kristian também escreve alguma das letras e elas também são tristes. Talvez nós sejamos pessoas tristes tentando nos animar um pouquino com melodias de ritmos felices e superar a melancolia.


6. O que é mais difícil escrever: músicas felizes ou tristes?


Não é uma competição. Geralmente, para gente, as músicas com as letras mais tristes são as que tem as melodias mais alegres e vice-versa.


7. “You can’t say no forever” temu m clip ótimo mas bem simples. Quem produziu? Todos aqueles ursinhos realmente viajaram o mundo?


Sim, os ursinhos viajaram por todo mundo. Menos para por um lugar que é o Brasil. Todos eles e a gente mal podem esperar para ir ao Brasil algum dia e tocar. Seria um sonho tornado realidade. Depois disso poderíamos parar de sonhar e tocar. Todos os objetivos atingidos!


8. Vocês conhecem alguma banda brasileira? Tem algum favorito?


Nos anos 90, o Kristian entrevistou o Sepultura. Maz Cavalera sentou e respondeu perguntas de jornalistas do norte da Europa no Roskilde Festival. Eles tinham acabado de lançar Roots e diziam que tinham encontrado uma nova inspiração e ritmos depois de viver na selva com os nativos. Mas a música para mim soava a mesma para mim.

Também conhecemos o Seu Jorge e o Bonde do Rolê.

Aqui o ótimo clip de "You can't say no forever". 

Mais no site da banda (www.lacrosse.nu) e

 no myspace.com/lacrossesthlm


1. Kristian Dahl, voz e guitarra
2. Tobias Henriksson, bateria
3. Nina Wähä, voz
4. Rickard Sjöberg, teclado
5. Robert Arlinder, baixo
6. Henrik Johansson, guitarra

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