
Estou há uma semana pensando no que dizer sobre Bipolar, o novo cd do "El cuarteto de nos". A banda uruguaia é uma das minhas preferidas do rock castellano, desde que lançaram o genial "Raro" em 2006, e escutar algo novo deles é sempre muito bom.
Se o cd não tem tantos hits com o anterior, pelo menos as letras estão afiadas como nunca. Em Bipolar eles estão ainda mais existenciais, filosóficos, ácidos e debochados, como o nome do cd já adianta. Se você acha que esses temas não combinam com o rock é porque você não conhece esses caras, meu caro.
Foram várias minhas preferirdas. "Breve descripción de mi persona" é o retrato de um homem mediano que de tão comum chega a ser medíocre. Oi, tão falando de quem, hein?
La filantropía no está entre mis aficiones
tengo varias adicciones, y me hago cargo
no acepto sin embargo, si intentara adoctrinarme
yo quiero elegir con qué veneno envenenarme
"Nada me da satisfácion" é tão real que dá medo. Um tratado sobre a busca de algo verdadeiro para se sentir.
Busco una sorpresa que me vuele la cabeza
pero por mi naturaleza, nada me interesa
y si, se ve, no encuentro en que creer
pero no me resigno a ver la vida por tv
E fechando o cd com "Razones", onde concluimos que realmente esse cd é para pessoas com sérios problemas psicossociais como eu.
No soy fácil no, no estoy dócil no
no estoy cordial ni sensato, no tengo ninguna razão para estarlo
Ainda há a regravação do clássico hino do egocêntrismo "Me amo", com outro ritmo e um arranjo distinto.
A la luna me gustaría ir
para ver como es el mundo sin mi.
Me amo, como la tierra la sol.
Me amo, como Narciso soy
Me amo, dibujé un corazón
que dice "yo y yo"
Me amo
Aqui os caras no estúdio gravando "Nada me da satisfación".
terça-feira, agosto 25, 2009
El cuarteto de nos - Bipolar
terça-feira, agosto 18, 2009
Carmelo, Uruguai
Carmelo é uma cidadezinha com cerca de 20 mil habitantes que está do outro lado do delta do Rio, no Uruguai. Para chegar lá é preciso tomar um barco de Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires, e a viagem dura cerca de 2 horas e meia.
Está há poucos quilômetros de Colonia del Sacramento, mas parece estar há milhas de distância de qualquer tipo de civilização. A vida em Carmelo anda muito devagar e parece ter parado algumas décadas atrás. Nessa cidade, que se orgulha de ser fundada pelo General Artigas, parece existir mais moto que gente. Lá todos se movem a duas rodas
O honesto e kitsch Hotel Casino Carmelo, foi o QG desse pequeno descanso em aprazíveis terras uruguaias. Para quem está acostumado com a amargura portenha, é de impressionar a gentileza do povo uruguaio. Não é uma simpatia irradiante e invasiva, mas sim uma amabilidade sincera. Simplesmente todas as pessoas são amigáveis, os garçons uma verdadeira simpatia e os locais sempre numa buena onda.
O rio, a pequena praia, a cerveja Pilsen e a Patrícia, o chivito, o dulce de leche, o queijo e até a "buatchi" de cumbia. Tudo está ótimo quando você está com o humor correto e com gente correta.
Conversar com o senhor do bar da primeira foto, que tem o mesmo sobrenome do Ghiggia que sacramentou o Maracanazo em 1950, foi surreal. Um bar sem clientes no meio do nada a caminho de uma pedreira, com um dono tiozinho desdentado mas que não tinha vergonha de rir de qualquer coisa e que me ofereceu salaminho, chorizo e um pedaço de pão sem cobrar nada.
Um passeio recomendadíssimo para lembrar que existe outro tipo de vida fora da sua bolha.
Pura verdade no açúcar de Carmelo!
Links para saber mais:
Site do governo sobre Carmelo
Hotel Casino Carmelo
Cacciola Viajes


