sábado, novembro 01, 2008

Ensaio sobre a cegueira

Bem que eu desconfiei dessa diferença de recepção da crítica para com o "Ensaio sobre a cegueira" do Fernando Meirelles. Enquando os jornais brasileiros foram só elogios, os americanos caíram matando e o argentino La Nación foi duríssimo. Das 5 estrelas possíveis, "Ceguera" só recebeu 2 - exatamente a mesma classificação que o filme dos Chihuahuas.

Talvez seja ufanismo dos brasileiros como eu mas adorei o filme. Uma história brutal e indigesta com uma fotografia primorosa que me lembrou muito "O escafandro e a borboleta".

Achei que o filme fiel até demais com a obra. Muitas atitudes e comportamentos acabaram meio que sem explicação aparente na tela. Como os personagens não tinham passado, ficamos sem entender muitas coisas.

A pegação do médico com a puta, por exemplo. No filme ficou muito gratuito, por mais que alguns indícios anteriores aparecessem. É exatamente isso que tanto escuto no meu curso de roteiros: a própria ficção precisa ser crível.

Mesmo assim achei ótimo ver em imagens aquilo que já tinha lido anteriormente. Também é interessante poder reconhecer algumas locações de São Paulo e até mesmo da Cidade Velha de Montevidéu. A loja de doces que eles passam uma noite no final eu posso jurar que é num calçadão que de noite tem altos barzinhos da naite da cidade.

Minha única crítica, se é que isso interessa para alguém, é que faltou desvirtuar um pouco a obra em nome de algo mais cinematográfico e menos literário. O Meirelles fez isso antes em Cidade de Deus, onde o Dadinho pequeno é muito mais maléfico do que o livro conta. Claro que é compreensível evitar o mínimo de mudanças possíveis numa obra de um escritor tão renomado.

Mas senão é como o caso do final da novela argentina "Vidas Robadas". O bandido no último capítulo decide se matar e se joga de uma telhado de uma construção. O cara acaba sobrevivendo e começa a dar tiros no bonzinho. Pera lá, se o cara queria se matar e nada mais importava para ele por que depois da tentativa de suicídio ele ainda foi implicar com o mocinho? Vai entender!

7 comments:

Juliana Bragança disse...

tb gostei bastante da fotografia.
infelizmente nao tive a oportunidade de ler o livro ainda!
bjo

Túlio disse...

então leia, menina!

André Ramiro disse...

eu fui seco e voltei morno.

Ludmilla Lima disse...

É Túlio, o La Nación é assim mesmo. Adoro quando pegam pesado com a Kretina (o que é fácil, também, né?), mas até que o fazem com "altura". Agora, quando o assunto é cultura brasileira, especialmente cinema brasileiro, o La Nación chega a ser xenófobo. Foi o mesmo com "Tropa de Elite", na mesma linha de despeito em relação ao "Cidade de Deus" (teve uma época que era cool falar mal do filme... ou será que já passou mesmo?).

Vou pôr um link pra ti lá no Cartas. ¡Saludos!

Rodolfo Mieskalo disse...

A palavra que na minha opinião descreve melhor o filme é PERTURBADOR.

Nunca fiquei tão incomodado com uma cena no cinema como quando vi a cena do 'estupro coletivo'. E olha que essa cena foi abrandada depois da recepção negativa no Festival de Cannes.

Sou muito fã do Fernando Meirelles e não concordo com algumas críticas que fazem a ele desde o Cidade de Deus, outro excelente filme.

O Blindness também recebeu críticas negativas, mas no geral achei o filme muito bom. Os enquadramentos propositalmente desarmoniosos, a fotografia com a luz estourada, e as incríveis cenas filmadas em São Paulo representando o mundo destruído são impecáveis.

Se o próprio Saramago, autor da história aprovou o filme e disse ter visto seus personagens em carne e osso, é porque Meirelle cumpriu bem seu papel.

Barbara disse...

Eu gostei do filme, adorei a fotografia.
Mas como assim, vc vê novela?

Lívia disse...

Adorei o filme, e sabia que vc ia gostar. Cinema de alto nível, tinha tempo (acho que desde "O labirinto do fauno") um filme não me deixava tão intrigada...

Saudades de vc!!

Bjs

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