quarta-feira, setembro 24, 2008

A cabeleireira deprimida.

Para muitos brasileiros, cortar o cabelo na Argentina é uma aventura cheia de adrenalina. O risco de entrar no cabeleireiro com o cabelo grande e sair com o mullet é real e muitas pessoas adiam esse momento o quanto for possível.


Desde 2006, quando cheguei, devo ter cortado umas 4 ou 5 vezes. A maioria delas com a mesma senhora boliviana de um salãozinho aqui do Abasto. Corte honesto por poucos pesos. Fui hoje lá no salão e a senhora de sempre não estava. Quem me atendeu foi uma outra, também da Bolívia.

Não sei que tipo de mutação sofro já que me transformo numa criatura simpática com as pessoas que cortam meu cabelo. Sei lá, o fato da pessoa ficar ali tanto tempo trabalhando na sua cabeça e você ficar calado é meio estranho. Sempre puxo uns papos.

Hoje, conversa vai conversa vem, a cabeleireira me conta que está de saco cheio de ser imigrante e tratada como merda. Antes ela morava em Londres, onde tinha dois empregos: cabeleireira e faxineira. Lá ela conheceu vários brasileiros com quem trabalhou e etc e etc. Comento do caso do brasileiro que foi assassinado lá pela polícia e que estão fazendo um filme sobre isso.

A dona Beth não estava nos seus dias mais felizes e só comentava o quanto é triste morar longe da família e que nem sempre vale a pena, coisa que concordo plenamente. Eu bem que tentei levantar o ânimo e contar coisas boas mas aí ela vem com a história mais baixo astral da semana.

Enquanto ela trabalhava lá, um dos brasileiros que ela conheceu acabou sendo atropelado, entrou em coma e depois morreu. Só que ninguém tinha nenhum contato do cara e demoraram uma semana para avisar da morte pra família dele, que era de "Copacabana", segundo ela. Nem os parentes e nem os amigos tinham dinheiro o suficiente pro traslado do corpo e o cara foi enterrado como indigente.

Super emocionante ela contar essa história pra quem mora longe da família como eu e muitas vezes sofre de banzo também.

Pelas dúvidas, se acontecer alguma coisa comigo, podem avisar minha mãe. Ela tem orkut!

12 comments:

lielson disse...

mas ficou com mulet?

Leo Carioca disse...

Puta cara, que tragedia essa historia!!!

É duro morar fora. É duro ver os cortes de cabelos de Baires.

giancarlo rufatto disse...

sei como vc se sente, minha mãe é cabeleleira e eu tenho um pseudo mullet (pseudo: ainda não chegou no ombro)


:P

Anita disse...

Oi Túlio,
Tava dando uma olhada no seu blog e gostei muito, principalmente do Guia Rápido de Buenos Aires, que aliás anda meio esquecido, tá faltando ainda os dois últimos posts... Estou indo passar o natal aí, que tal vc publica-los logo, assim saberei o que fazer na náite...
Valeu...

Julita mara disse...

Snif..snif...Poxa que história mais dramática desta cabelereira.
Por isso que vc venha logo pro Brasil!!!
Aqui é o teu lugar, junto da sua família.
Deus me livre, não quero receber recados pelo meu orkut!!! que algo te aconteceu.
Te cuida!!!
Vc é muito especial pra nós!!
Que lenda!!! estou muito emotiva.

Túlio disse...

Isso, a mãe também comenta no blog.

Ivan disse...

ahahah. impagável. o post e os comentários. e vindo pra curitiba tem a minha mãe, que também é cabeleleira. ahaha

LuRussa disse...

os Argentinos tem o famoso "mullet"...hehe

Juliana Bragança disse...

é melhor vc dar o telefone da mae pra alguem ai ne? afinal dar uma noticia tragica pelo telefone é melhor do q pelo orkut!

Paulo Torres disse...

Vi hoje uma lista dos piores penteados do futebol da Alemanha. Mullets de todos os tipos e espécies!

http://www.bild.de/BILD/news/bild-english/sport-news/football/bundesliga/2008/09/24/the-best-german-football-haircuts-from/panini-stickers-of-80s-and-90s.html

giancarlo rufatto disse...

qual o problema dos mullets? todo mundo que é alguem tem um! voce deveriam experimentar! (piada, desconsiderem)

Ciana Lago disse...

aaaaaaaaaai Túlio!!! Pordeus!!

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