quarta-feira, junho 18, 2008

Procura-se espírito de porco.

Não sei se é só no meu pequeno recorte de realidade, com as pessoas que convivo e vejo diariamente, ou talvez por ser estrangeiro, mas o fato é que vejo muita pouca tiração de sarro e brincadeirinhas chatas por aqui.

Futebol, por exemplo: River perde do Boca, Boca sai da Libertadores. O máximo que vejo são cartazes com piadinhas pela cidade. Super criativos, mas só isso. Aquela tiração de sarro violenta e direta não há. Brasil perdeu da Venezuela e do Paraguai no futebol... ninguém veio me dizer nada.

Quando eu cortava cabelo no Brasil sempre vinha alguém falar que o cabeleireiro era uma pomba, já que ele havia cagado na minha cabeça. Fora os outros clássicos do tipo "Onde você comprou essa camiseta tinha pra homem"? Lembro de um amigo que por usar mocassim foi sumamente zuado e açoitado pela turma que parou de usar. Esse mesmo cara deixou um rabinho crescer e a galera caiu matando violentamente até ele cortar fora. Éramos amigos e não queríamos que o cara passasse por ridículo.

Convenhamos, por mais irritantes que sejam, essas coisas são algo como um lubrificante social. De certa maneira idiota ajudam a integrar e podar o que é considerado estranho segundo nossas convenções sociais.

Talvez seja isso que falte aqui. Gente, não há senso estético e compreensão possível para tolerar tantos cabelos e roupas ridículas nesse lugar. Não dá, simplesmente não dá e ainda mais no bairro onde trabalho que se chama "Palermo Hollywood". Existe uma linha bem tênue que separa a personalidade da bizarrice e a moda do groteco. Ousadia é uma coisa que não deve ser confundida com imprudência.

Fico pensando se foram os pais que falharam na educação, se faltou porrada, se eram permissivos demais. Onde foi que eles erraram para que essa pessoa se tornasse esse ser tão bizarro com esse cabelo patético?

Onde estão os espíritos de porco desse país? Onde estão os pestinhas para puxar o cabelo, apontar o dedo e ficar rindo disso ?

Imagina se uma criança chegar com uma roupa um pouco mais ousada e um corte cabelo mais "radical" na escola assim no Brasil. Pense o quanto ela seria zuada e se tornaria o centro de todas as piadas. Sempre haveria um pestinha engraçadão para puxar essas trancinhass ridículas até o ponto que o dono delas cortaria. Sempre haveria um comediante em potencial que tornaria essa criança na piada da turma, dando um apelido ridículo e importunando até aquilo fosse cortado ou que a roupa estranha fosse trocada.

Esse país precisa de espíritos de porco!

* Por outro lado, essa ousadia que aqui há em excesso falta muito aos brasileiros. Engraçado andar pelas ruas e perceber, mesmo sem escutar eles falando, os grupos de brasileiros andando por aí. São todos aquele café-com-leite sem sal, aquelas roupinhas compradas pela mãe, aqueles cabelos super bem aparados e cortados, as meninas com aquelas botas de sempre, o cabelo meio divididinho no meio, aquela calça jeans justa e pegada no corpo e aquela sacola de alfajor Havanna no braço.

6 comments:

Vinícius da Cunha disse...

Tu já te decidiu se tu quer viver com os ousados ou os sem sal?
Quem sabe o Uruguay tem um pouco de cada.

Túlio disse...

Quero minha vida com molho barbecue e salsa golf.

apotamianos disse...

você não vê mais os espíritos de porco pq eles se restrigem à adolescência. não é mais isso que se espera de pessoas com a nossa idade, dear. Agora você precisa de piadas inteligentes!
welcome to the oldie's world!
i'm the oldie queen!

Túlio disse...

os espíritos de santo se tornam os tiozões adultos! cade eles?

misfit disse...

odeio brasileiro. nasci no brasil por acidente espírito-de-porco do destino.

brasileiros em Buenos Aires, então, me dão nojo.

Helena disse...

Aí..serim....cê tá implicando muito com os argentinos, cara....quando você voltar pro Brasil você vai é morrer de saudades daí.
Ou então vem pra Europa pra ver os suecos andando de calça justa e cachecol e entender que num é argentino que é permissivo, é brasiliro que é extremamente conservador.

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