segunda-feira, maio 12, 2008

Festival de Cine Brasileño.

Fiquei sabendo que estava rolando um festival de cinema brasileiro na Recoleta e fui conferir. Noto no povo alien que vive longe de sua casa essa vontade de escutar seu idioma natal. Eu mesmo muitas vezes vejo nuns documentários nada a ver no canal Encuentro (espécie de Futura argento) só pelo fato de ser em português.


Raramente frequento esses eventos que tem o Brasil como tema principal. Geralmente o público presente é esse povo bem étnico e esses argentinos que acham que Os Tribalistas é a síntese do Brasil. A última vez que fui num evento de brasilidade foi na festa junina de Palermo no ano passado. Só pra se ter uma idéia, colocaram umas mulatas sambando em pleno mês de Julho em que havia nevado. Claro, fora a total descontextualização de colocar sambão numa festa junina. Só queria era ouvir "pula fogueira iá-iá" e comer pinhão!

Enfim, falemos dos filmes. Peguei uma sessão dupla: "Nossa vida não cabe num Opala" e "A via láctea".

"Nossa vida..." mostra uma família de classe média baixa paulista e sua crise depois da morte do patriarca. Possui uma belíssima trilha sonora, com direito aos curitibanos do Oaeoz, ótimas interpretações com diálogos bem inteligentes (um ou outro talvez desnecessários). O Milhen Cortaz, Capitão Fábio em Tropa de Elite e um preso que se converte em Carandirua, está sensacional no seu papel. Fora isso, em uma cena, tem a Dercy Gonçalvez fazendo o que sabe fazer melhor: falar palavrão.

Talvez o maior pecado do filme seja não explicar exatamente as motivações dos personagens. As coisas acontecem e demora para se entender o porquê de cada coisa. O espectador fica meio descontextualizado e perdido. Mas mesmo assim o resultado final é mais que satisfatório.

Já "A via láctea" foi um exercício de paciência. Fazia tempo que não assistia um filme tão ruim! Não sou de sair no meio do filme mas cheguei a cogitar seriamente isso durante a sessão.

O filme tenta ser poético mas exagera na dose, talvez o problema seja exatamente em como passar essa poesia pelas imagens. A trilha sonora clássica em momentos quaisquer chega a irritar. Depois que vi uma cena de uns 10 segundos com ovelhas correndo num pasto nada a ver realmente me perguntei "o que estou fazendo aqui?". Nem Alice Braga nem Marco Ricca salvam. Um verdadeiro porre. Um filme lento. Nem sei quanto tempo dura mas saí com a sensação que passei umas 12 horas lá dentro... 

7 comments:

André Ramiro disse...

e o tal estômago, não estava rolando?
absss

Túlio disse...

tava nao!

Bárbara Franzin disse...

Nossa, imagino como deve ser bizarro morar fora do país e ver umas coisas nada a ver que são pintadas como total tradição nacional. Mas aí, fala se a gente viaja muito também nas tradições argentinas. Vou ler seu blog com mais atenção, afinal os preços de pacotes para Buenos Aires estão cada vez mais baratos e valeria mto a pena conhecer a cidade. =)

Bjs

Túlio disse...

valeu pela audiência!

Adriana disse...

não sei de quem dá mais dó: das mulatas sambando na neve ou de você vendo filme ruim! :) mas e aí, como fugir dessa "tradição forjada"?
beijos

Lielson disse...

Cara, Via Lactea é um belíssimo filme.
não tem poesia nenhuma no lance pra entender a parada. a sacada do filme é não ser realista como tudo que tem sido feito no Brasil.

é um centro urbano, tem o seu ritmo sem pressa em contraste direto com o ritmo absurdo de São Paulo.

e o que consegue ser rápido no trânsito de São Paulo.

nem todo mundo está a fim de fazer um filme rápido com cortes de videoclipe.

as ovelhas são lembrança de infância do personagem.

que lembra da mãe morrendo.
que tem absolutamente tudo a ver com o filme.

não culpe um filme por sua falta de paciência. é memsa coisa que dizer que um filme é ruim porque você dormiu nele.

Túlio disse...

Pois é migão, pra mim paciência não é uma coisa que deveria ser procurada antes de encarar um filme. Li muitas boas críticas sobre ele, mas pessoalmente achei terrível. Certamente não é um tipo de cinema de fácil digestão, mas confesso que pra mim foi intragável.
No mínimo, é um filme para poucos, para um público exclusivíssimo. Mesmo numa mostra de cinema internacional, onde teoricamente o público busca um cinema menos óbvio e tem mais paciência, ele nem foi aplaudido, coisa que aconteceu com todos outros.
De qualquer maneira, aplauso nem bilheteria mede qualidade de filme. Realmente é uma coisa pessoal, pra mim foi o pior filme que vi esse ano.

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