segunda-feira, novembro 26, 2007

114º Campeonato Argentino de Polo - Buenos Aires

Jogador do Indios Chapeleufu

Ellerstina vs. La Aguada

Às vezes tento entender porque existem tantos esportes estranhos e que são populares na Argentina. Rugby, Hockey e também o Polo. Talvez seja a falta de praia, talvez a falta do que fazer... não consigo entender. Mas o fato de que uma partida de homens sentados em cima de cavalos tenha atraído cerca de 13 mil pessoas para os jogos do 114º Campeonato Argentino Polo em Palermo é realmente surpreendente.

Antes de qualquer coisa esse campeonato é um evento social. A nata da sociedade, o desfile das melhores roupas, gente fina, bonita e elegante, camarotes VIP de várias marcas e a reunião de boa parte do PIB do país. Só marca fina patrocina o evento e a área que divide os dois campos é praticamente uma passarela de promoters lindíssimas e gente elegante.

A primeira partida foi entre Santa Maria de Lobos e Indios Chapaleufu, que acabou em 14 a 12 para os Chapaleufu depois de 8 chukkers. Antes de qualquer coisa explico um pouco do que aprendi. O polo é dividido entre 6 tempos de 7 minutos chamados de Chukkers. Nesse caso, como o 6º e o 7º chukker acabaram empatados, o jogo foi seguindo.

Simpatizei com o time, a numeração deles é em numerais romanos! Totalmente aristocrático!

Pensei que só veria gente que só estaria lá para ver e ser vista, mas no primeiro jogo vi muitas famílias e muitas criancinhas com tacos e bolas de polo, além de camisetas autografadas dos Indios Chapaleufu, carinhosamente chamados de "Chapas".

A verdade é que a tribuna onde estava era uma verdadeira creche. Muitas crainças enchendo o saco, outras chorando, mães brigando com filhos, filhos fazendo zona. Um saco realmente! As crianças malas quase ofuscaram os gritos da tiazona torcedora doente que gritava a cada dois minutos "Vamos Chapas!!!". Essa mesma tiazona sabia o nome de cada um dos quatro jogadores e também gritava seus nomes: "Vamos Milo!".

Depois desse jogo, fui até ao campo principal onde jogaram Ellerstina e La Aguada. Uma arquibancada totalmente cheia para ver o embate que deu a vitória de 18 a 11 para o Ellerstina.

Conto mais coisas que aprendi numa tarde dedicada ao Polo. A cada gol, os times mudam de lado. Isso causou uma pequena confusão no começo já que não entendia porque o mesmo time tinha feito gol em dois lados diferentes. Os jogadores estão constantemente mudando de cavalos e pelo que vi não existe limite. O jogo é longo e imagino que os pobres cavalos devem ficar bastante cansados. Existe um tiozinho com uma bandeira vermelha atrás de cada gol para sinalizar se a bola entrou ou não. Sem ele seria muito difícil perceber isso da arquibancada.

Resumindo, é um espetáculo lindíssimo e muito elegante. Tirando a creche, a tiazona gritando e a feira de ambulantes vendendo água, doces, panchos e o escambau, é um ambiente muito agradável.

5 comments:

claudemir disse...

O polo é um esporte realmente classudo, acho que em termos aristocráticos só perde para caça a rapousa.

Leo Carioca disse...

Todas as altas sociedades occidentais jogam polo. Lá se dá a combinação que exitem bons cavalos, aritócratas que desde criança só fazem isso e exelentes "cuidadores" de cavalos, o uns dos grandes segredos.

O Abierto de Palermo deixou de ser tão de gueto (ainda é e muito. Sou de Avellaneda e nunca discuti os resultados do torneio com meus amigos) classudo há não muito tempo.

Pq na Argentina se joga rugby? Dificl de saber. Charles Miller trouxe ao Brasil, além de uma bola de futebol, uma rugby.
Talvez, na alta sociedade argentina,infelizmente, a influência británica haja sido superior que na brasileira.

Mariana disse...

eu fui tb.
não vendem cerveja. tsc.

Leonardo Fleck disse...

Cara, no achometro acredito em duas possibilidades uma relacionada a outra.

Primero, influencia da imigraçao europeia é fundamental.

Segundo, por ter sua populaçao relativamente concentrada na capital e arredores faz com que, basicamente qquer coisa, seja facilmente "popularizada", apesar de serem esportes praticados na esmagadora maioria por pessoas notoriamente abastadas.

O Cambiazo do polo respondeu, sobre seu esporte, a um reporter: para jogar polo é preciso bons cavalos e campo, aqui tem de sobra. hhe, genial.

Leo Vinhas disse...

Cadê o resto do teu "guia turístico" de BA?
Abraço!

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