domingo, julho 20, 2008

Cassette from my ex.


Muito já se falou sobre o ato de gravar fitas. Em "Alta Fidelidade", o personagem principal diz que gravar fitas é uma arte, já que você está mandando uma mensagem com palavras de outras pessoas. É um pouco triste que a tecnologia tenha acabado com as fitas k-7 e com esse ato personalizado e trabalhoso de gravá-las.


Achei um site chamado Cassette from my ex, onde pessoas contam as histórias de fitas k-7 que um dia receberam. A descrição do site resume muito bem: "Eles estavam afim de você, então gravaram uma fita. Hoje você já não tem um toca-fitas, mas você ainda não pode jogar fora aquele mix". Fiquei lendo aquelas inúmeras histórias e foi impossível não pensar nas fitas que fiz e recebi.

Lembrei que as histórias com as ex's sempre tiveram algo a ver com a música. Desde a primeira, no auge do britrock, quando nos descobrimos grandes fãs de Oasis, e na segunda vez que a vi emprestei o "Definitely maybe" para impressionar. Também teve um namoro que começou numa mesa onde, surrealmente, o Zeca Baleiro estava. Com o tempo ela foi acabando com vários dos meus preconceitos musicais e me levando a shows como João Gilberto e Ana Carolina. E também teve aquela que passou horas ao meu lado de madrugada numa fila para comprar ingresso para o Pixies. Um dia gravei pra ela um CD com uma música do Oaeoz chamada "Me apaixonei por uma burguesa".

Na era do IPOD e da conexão rápida, no máximo podemos uppar arquivos. É fácil, mas é tão sem graça. Deve ser por isso que estou solteiro.

18 comments:

giancarlo rufatto disse...

nossa, tenho cada fitinha. outro dia tava pensando que se as lojas de discos acabarem, uma parte da minha vida amorosa desaparece. vai ser como aqueles avós que contam aos netos que se conheceram num sarau e os netos não tem menor noção do que seja isso.

"pois é meu neto, conheci sua vó numa loja de discos, ela mostrou um disco do jeff buckley e eu disse "eu tenho esse meu bem," foi amor a primeira vista."

Túlio disse...

sim, acho que vai ser alguma coisa desse tipo. fita k-7, VHS e até mesmo os Cd's vão ser coisas de outro mundo. O que dizer dos sebos?

Lívia disse...

Hoje em dia eu gravo CDs com as músicas que acho importante. já fiz isso várias vezes, mas a vez que mais me marcou foi em dezembro de 2004, quando consegui meu mestrado aqui e o cara que eu tava muuuuuito apaixonada me deixou por isso. Fiz um cd junto com as letras de cada música, comentadas, colocando todo meu ódio pra fora. Ele até hoje diz que nunca recebeu algo tão incrível... sei lá, as músicas são uma excelente maneira que eu uso pra me expressar em momentos que me sinto sem palavras. E por isso gosto tanto do Noel Gallagher.

bjs

Mari disse...

ótimas recordações, né? lembro-me das façanhas que conseguiamos para gravar os acusticos do Oasis da mtv para fitinhas k7. tempo bom!

Túlio disse...

lembro que foi uma trabalheira mesmo para captar o audio da TV no gravador. back to 96! os classicos nunca morrem.

Mariana Rosa disse...

Primeiro, você não achou, EU achei.
Ontem mesmo eu estava conversando com a sminhas amigas quando começou a tocar Linger, do Cranberries, e eu lembrei da minha primeira paixão, e como eu chorava só de ouvir essa música.

Vi um show do Baleiro ontem. Ele é realmente bom.

Beso,

Leo Vinhas disse...

Por alguma razão que certamente tem sua explicação lógica, todos os últimos relacionamentos que tive foram com pessoas que não faziam uso de iPods e quetais - ou, no mínimo, ainda gostavam muito de CDs de áudio. Então calhou que substituí a edição de fitas (que fiz muito) pela gravação de CDs .wav. Com capinha e tudo. Não era a mesma coisa, mas ainda mantinha o tal "toque pessoal".

Mas o mais legal das fitas era viajar e montar uma CAIXA DE FITAS apropriada para a viagem, o que sempre rolava aqueles papos tipo:

"Massa essa fitinha do Midnight (Oil) que cê fez, hein? Tem 'Blue Sky Mine'?"

"Tem. Só que do OUTRO LADO."

"Então vira a fita, pô!"

Lindo!

E eu continuo não conseguindo ouvir música no computador.

André Ramiro disse...

fitas... elas alegravam.
calcular o tempo certo pra acabar era demais! E os cds que não tinham os tempos das músicas sempre atrapalhavam no cálculo. hoje está tudo mais fácil. ou não.
abssss

giancarlo rufatto disse...

bem, eu faço parte de uma seleta classe de pessoas que elevou a arte de gravar fitas ou cds para um outro patamar. nós simplemente gravamos um disco para a pessoa amada. vcs deveriam experimentar, meu caros, ryan dams, josh rouse recomendam.

:P

Túlio disse...

Beck que o diga.

adriana disse...

que post ótimo! as saudosas k7s! tenho várias fitinhas tbém! e gravei inúmeras. por incrível que pareça tbém tenho histórias com o britpop (eu era da turma do blur & cia) e com o zeca baleiro...

e os comentários desse pessoal, que foda! tenho midnight oil, jeff buckley, tudo em K7! as minhas caixas de sapato com fitinhas dentro podem confirmar! :)

e esse filme, então? Alta fidelidade era/é um clássico indie...rs. obrigatório para mim e todos os demais seres que na época acreditavam que ser indie era uma postura cheia de glamour. rs

Mariana disse...

Só para te matar de inveja, Túlio, vai ter sow do Josh Rouse em SP!

giancarlo rufatto disse...

a maria faltou falar que os ingressos custam 20 reais e devem acabar em 20 segundos.

Túlio disse...

ahh... nem curto tanto assim. apenas posicao 73 do meu last.fm

tati disse...

Hmmmm... eu tb ainda tenho algumas fitinhas. Aliás tenho gravações de 'acústicos' feitos aqui em minha casa (mas não tenho mais onde ouvir!)
Eu sempre dava uma de Rob Fleming 'de saias'... hoje meus presentes têm mais cara de 'Claire Colburn' (Elizabetthown).

(adorei esse post!!!!)

Túlio disse...

hahaha... o mundo precisa de mais Claire Colburn's!

Amanda disse...

nessa vou ter que comentar...

fazer e receber fitinhas foi minha diversão por muito tempo, depois passei pros cds gravados até que tudo isso perdeu a graça. mas agora a diversão é fazer muxtape (www.muxtape.com). vc faz upload com suas músicas e manda pros amigos ouvir. e serve muito pra paquerar tb.
essa é a minha: docimini.muxtape.com

;)

Carlos Barata disse...

Na minha passada por Santa Fe me apaixonei por uma argentina chamada Sol, gravei um cd com um monte de bizarrice, musicas brasileiras que falam a palavra sol, como a versão de lulu santo de la vem o sol, jota quest, ira e outras tosquices. No outro dia a pendeja voltou com o namorado dela. O pior que perguntei pra ela outro dia no msn se ela tinha percebido o "sol" nas musicas e ela nem tinha notado haha
como sou tosco

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