sexta-feira, janeiro 11, 2008

O filho eterno - Cristóvão Tezza.

Já faz tempo que o curitibano Cristóvão Tezza está no seleto Hall dos meus escritores preferidos. Antes explico que esse Hall só é tão seleto porque leio muito pouco e sou um leitor um tanto quanto impaciente: se um livro não me ganha nos primeiros capítulos, simplesmente não insisto.

Mas não quero falar da minha pessoa como leitora e sim do "O Filho Eterno", o último livro do Tezza.

Quando as primeiras críticas e resenhas apareceram, comentando o fato do livro falar da experiência do escritor como um pai de um portador da síndrome de Down, imaginei que se trataria de um dramalhão com uma lição de moral. Algo como aquele documentário "Do luto à luta", em que o diretor que é pai de uma criança com síndrome de Down.

Mas na verdade não é nada disso. "O filho eterno" conta a história de um pai que não aceita o filho, que se envergonha dele e que em certos momentos chega a torcer para que uma doença leve a vida do menino.

Aos poucos vamos vendo que o problema não é o filho mas sim o pai. Ele não tem um emprego digno, é sustentado pela esposa e tem medo que suas aptidão para ser um escritor sejam apenas um delírio de um herói romântico derrotado. Aos poucos, pai e filho vão construindo uma relação até o momento em que o filho passa a ser imprescindível em sua vida.

Cristóvão Tezza foi muito corajoso ao escrever um livro com uma honestidade tão brutal. É uma surpresa agradável quando falamos de pessoas com algum tipo de deficiência. Somos tão cuidadosos e fazemos tanta questão de sermos politicamente corretos que esquecemos de ser verdadeiros.

Seu romance anterior "O Fotógrafo", na minha modestíssima opinião UM CLÁSSICO, ganhou em 2004 prêmio como melhor obra do ano pela Academia Brasileira de Letras e da Revista Bravo!.

Entre outros clássicos do Tezza que já li e atesto a qualidade da ótima e fluída prosa estão "O terrorista lírico", "Juliano Pavollini", "Uma noite em Curitiba" e "O Trapo".

É ótimo que um novo escritor curitibano ganhe aos poucos uma certa projeção. Ajuda muito na construção de uma identidade curitibana, ou mesmo paranaense, que é muito fraca no âmbito nacional. Cinema e literatura de Curitiba? O que você lembra? Dalton Trevisan, Paulo Leminski... mas e no cinema? Não, não cite Ari Fontoura por favor.

Ler um livro que se passa num cenário familiar é uma experiência que acontece pouco no meu caso. Tá certo que ultimamente quando leio livros ou vejo filmes argentinos até sei o trajeto de alguns ônibus que o personagem pega. Mas quando leio que o personagem pegou a Rua XV e foi no Cine Luz e sei exatamente onde isso se encontra. Ele fala de praças, esquinas, locais e bares onde já estive. Ou seja, nada melhor para ser conquistado por uma obra do que se identificar com ela.

3 comments:

Van disse...

um belíssimo livro, de fato! já é um clássico da nossa geração!

Túlio disse...

classico, isso sim.

Juliano C disse...

Salve!
Livrão mesmo! Terminei de ler tem pouco tempo! E pensar que, mesmo sabendo que ele é um escritor de qualidade, fui me interessar pela obra do cara quando vi num sebo o Juliano Pavolini. "Poxa, um livro com meu nome??? Tenho que ler!" E assim começou meu interesse pelas obras do Tezza!
Che, Te mando un abrazo!
Salve salve!

Juliano

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