quarta-feira, dezembro 05, 2007

Cachorro magro não tem fome. Tem necessidade.

Sinto uma saudade danada de Curitiba. É um sentimento meio de gente velha isso. Sinto falta dos melhores anos da minha vida. Talvez seja uma supervalorização do que não tenho, mas não tem jeito. É isso que sinto.

Saudade de tomar uma Malzbier e comer um pão com bolinho no Pudim. Saudade de ir nos shows dos amigos, tocar com a minha banda, comer um cachorro-quente prensado do Fonseca, ovomaltine do Bob's do Novo Batel. Ou de simplesmente encontrar gente conhecida do nada na rua.

Claro que sei que dificilmente voltarei para lá e se voltar, não viverei isso tudo que sinto falta. Afinal a maturidade chegou pra ficar.

Às vezes me pego escutando músicas de lá como Cachorro Magro, do Iris. Pra mim é uma das 5 melhores canções já gravadas por alguma banda de Curitiba. (Deixo para outro dia para citar as outras desse top 5, mas seria uma briga ferrenha entre Poléxia, Oaeoz, Poli, Sofia e Charme Chulo).

Quando eu ainda frequentava o famigerado James, conheci o Igor Ribeiro, compositor, guitarrista e vocalista da banda e elogiei um monte essa música. Lembro que ele estranhou tanta efusividade da minha parte. Aquele clima low-fi, somado a uma voz no fundo desesperançosa com letra despretensiosa realmente me conquistou. Na época ainda existia o Johnz e até pedi pra ele uma espécie de permissão para fazer um cover.

Recentemente descobri que outra banda curitibana regravou Cachorro Magro. Os caras do Terminal Guadalupe fizeram uma "releitura" desse clássico curitiboca e o incluíram no cd "A Marcha dos Invisíveis".

Sábia decisão, rapazes!

Cachorro magro quer comer
roer o osso até doer os dentes de trás
não importa o gesto, só o movimento
aquele que você não faz

Todo dia tem vaivém por toda parte
e ninguém olha, ninguém te acolhe
e as ruas sem fim
as ruas sem fim

Outro dia tinha a quem chamar
Agora, o que resta?
a voz pra berrar?
Bem alto, no asfalto

E descansar em qualquer parte
e largar todo o peso da tirania
entre seus dedos
em suas mãos

E descansar em qualquer parte
e largar todo o peso da tirania
entre seus dedos
em suas mãos

Cachorro magro sem nome
andando por aí, pela cidade
cachorro magro não tem fome
tem necessidade

E descansar em qualquer parte
e largar todo o peso da tirania
entre seus dedos
em suas mãos

Cachorro magro sem nome
andando por aí, pela cidade
cachorro magro não tem fome
tem necessidade


Deixo aqui os links das bandas para quem quiser conferir as versões:

Iris
Terminal Guadalupe

6 comments:

Leo Vinhas disse...

Diria que "Cachorro Magro" é uma das melhores músicas feitas em português, independente de qual cidade.
É interessante notar como as duas versões se distinguem entre si, a do Iris é altamente pessoal, enquanto a do Terminal parece cantada em terceira pessoa.

Lz disse...

só pra reforçar o saudosismo: terça-fixa (era terça mesmo?) no roxinho, o capuccino da cantina da Federal, o polígono dos sebos e o Laricão (cachorro-quente perto do Mueller com nome sensacional).

Ivan disse...

Cachorro magro é clássico. e como bom tradicionalista que sou, ainda prefiro a versão original do Íris, até por questões de histórico emocional.

igor disse...

po cara, o ivan me mandou o seu link aqui. muito legal o cachorro estar andando por ai heheh ! como andam as coisas na terra do piazzolla ? espero que tudo bem.
agora digo outra.: 2008 vai ter um monte de disco novo na cidade. ta tudo no forno, quase pronto.

abraço brother

Túlio disse...

só visitante ilustre por aqui!

Marcelo Urânia disse...

igor ribeiro é um dos caras mais talentosos dessa cidade. tb tem umas músicas fodidas dele gravadas pelo oaeoz. 3h30, por exemplo. ah, e procure pelo insomnica no trama, excelente tb.

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